Nuno Mendes travou duelo de titãs com Lamine Yamal e saiu a ganhar (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

Nuno Mendes com a botija repleta de futebol e levou-a quando saiu (as notas de Portugal)

Diogo Costa sai do Mundial com o currículo absolutamente incólume, médios com muito gelo mas muito pouco fogo criativo e na última dança de Ronaldo num Campeonato do Mundo, faltou-lhe... 'salero'. Bernardo e Chico deram restiazinha de esperança

Diogo Costa (7) — Um, dois, três, quatro. Estes são os primeiros números que as crianças aprendem e são esses mesmos miúdos que, por menos que percebam de futebol, entendem a quantidade de defesas que o guarda-redes fez a impedir os golos dos espanhóis, embora, diga-se, não tenha sido colocado tanto à prova como alguns esperariam. O momento photomaton surgiu ao minuto 16 quando, no mesmo lance, travou primeiro para a esquerda e depois para a direita os remates de Yamal e de Baena. Sai do Mundial com o currículo imaculado e de cabeça bem levantada, a olhar para um futuro que poderá deixar de passar pela Liga cá do burgo.

O melhor em campo: Nuno Mendes (8)

No dia anterior ao jogo, quando questionado sobre quem é mais rápido, Nélson Semedo respondeu com humor e disse que Nuno Mendes parece que tem uma botija de oxigénio nas costas que dá a sensação de ser interminável e levou a tal botija para Dallas e foi 'oxigenando' a equipa, pois estava repleta, também, de bom futebol. O problema é que quando saiu de campo por lesão, com ele também saiu o oxigénio da equipa e os (poucos) laivos de bom futebol. O momento superlativo foi o remate que embateu com tanto estrondo na barra (41') que vai ficar a abanar por dias a fio, mas teve muitos outros grandes episódios, como quando não deu um milímetro ao prodígio Yamal ou nas brilhantes variação de flanco com precisão monumental. Melhor lateral esquerdo do mundo? Parece não existir grandes dúvidas...

João Cancelo (5) — Não esteve mal a defender, longe disso, mas por vezes falta-lhe discernimento em lances que aparentam ser fáceis de solucionar, falhando na tomada das decisões mais acertadas. Valeu, ainda assim, o facto de ter sido dele o primeiro remate digno de registo (7’).

Rúben Dias (5) — Estava a ser o comandante da linha defensiva até àquele momento fatídico em que hesitou com Renato Veiga; no impasse do ‘vais tu, vou eu’, não foi nenhum e Merino ficou à-vontade para assinar o golo do nosso descontentamento. Numa área daquela jurisdição, quem deveria ter assumido a bola era ele…

Renato Veiga (6) — Um nome desembrulhado por Martínez para a titularidade mundialista que se revelou um belo presente. Teve o pecadilho já apontado, mas, de resto, esteve muito assertivo, dando a sensação de ser um capitão não de mar e guerra, mas de ar e guerra. No fundo, é só retirar um ‘eme’. Esteve muito bem, também, na primeira fase de construção, com passes longos bem medidos, sobretudo na etapa inicial.

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Vitinha (6) — Cumpriu todos os itens do caderno de encargos que Roberto Martínez lhe entregou, principalmente os táticos, colocando gelo na partida; porém, faltou-lhe o fogo da criatividade. Resta saber se se conteve por motu proprio ou por indicação do selecionador, mas alguém com uns pés tão encantados poderia ter dado mais magia ao jogo. E como a Seleção precisava dela…

João Neves (6) — A formiguinha do meio-campo subiu muito de nível após o intervalo, depois de uma primeira parte em que deixou Dani Olmo demasiado folgado. Contudo, faltou-lhe alguma chispa, aquele vermelho no olhar que por vezes nos leva mais além.

Bruno Fernandes (5) — Em Dallas esteve um holograma do homem que terminou a última Premier League como melhor jogador da prova. Só apareceu num remate (76’), mas nem isso lhe correu bem: se costuma acertar tantas vezes nas redes contrárias, desta vez também o fez, mas pelo lado de fora.

Pedro Neto (5) — Pouco agitou as águas num mar demasiado calmo do conjunto de Portugal. Ainda teve uma arrancada importante (50’), mas não levantou a cabeça quando devia para ver quais os companheiros em melhor posição para faturar, desperdiçando-se assim um lance de potencial perigo.

Ronaldo (5) — É inquestionável o legado que deixa em termos de campeonatos do mundo, mas nesta última dança faltou-lhe salero, aquele encantamento que tantas vezes o distinguiu dos demais. Podia ter brilhado numa meia bicicleta (36’), mas o remate saiu à figura de Unai Simón. A ampulheta do tempo é inclemente. Aos 41 anos já não tem disponibilidade física para pressionar os adversários quando estes começam a construir, o que é compreensível. Incompreensível é como Martínez o deixou tanto tempo em campo quando o capitão já se encontrava tremendamente desgastado.

João Félix (6) — Muito participativo a ajudar Nuno Mendes a conter Lamine Yamal, acabou por ser vítima da teoria do lençol curto: quando tapa uma parte, destapa a outra. De resto, ficou a pecha de não ter surgido com maior frequência numa zona central de finalização.

Nélson Semedo (5) — Bem se esforçou, mas a diferença de ritmo em relação a Nuno Mendes para acompanhar Yamal é… abissal. Rima e é verdade.

Dalot (5) — Fez a cobertura cá atrás e ainda esboçou umas incursões pelo miolo, mas isto numa altura em que Portugal já se mostrava ainda mais desconectado.

Rafael Leão (5) — Do brilho frente à Croácia, com uma assistência fantástica, até ao apagamento diante de Espanha mediaram apenas três dias. Tem sido esta a vida do extremo nos últimos tempos.

Bernardo Silva (6) — Entrou com a pilha cheia de vontade e, espante-se, esteve perto de restabelecer o empate num golpe de cabeça, mas a bola saiu ligeiramente por cima da barra.

Francisco Conceição (6) — Espalhou uma brasa (90+7’) que por pouco não queimou as intenções espanholas. No seguimento do lance, Bernardo Silva atirou um tudo-nada por cima.

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