Farioli: «Agora temos um jogador que é mais velho do que eu»
Francesco Farioli, treinador do FC Porto, abordou o seu estilo de liderança e recordou que os dragões têm um jogador mais velho que ele, no caso Thiago Silva, reforço de inverno.
«Desde que comecei, sempre disse que quando comecei era muito jovem e ainda sou, mas claro, há cinco anos ainda mais. Agora teremos um jogador que é mais velho do que eu [Thiago Silva], mas até agora tem sido sempre a minha rotina trabalhar com pessoas mais velhas do que eu, jogadores mais velhos do que eu. E eu acredito muito em ser eu próprio. Não sou muito bom em esconder emoções ou em, como dizer... colocar uma máscara. As pessoas veem como eu me sinto: quando estou bem, veem que estou bem; quando as coisas não estão bem, veem que as coisas não estão bem. O meu estilo, a minha forma de liderar o grupo e o clube é muito simples: é feita e baseada em alguns elementos que não são negociáveis. E estes, como mencionei antes, são principalmente os elementos que fizeram o Porto ser o Porto. Então, nesta parte, o compromisso e o comprometimento entre mim próprio, o clube e o grupo foram realmente rápidos. Como te disse, sou uma pessoa direta. Quando há algo de que não gosto, tento ir sempre pelo bom caminho primeiro, e se não for suficiente, temos de encontrar outra opção. Mas, em geral, acredito que se tu construíres a relação baseada na honestidade, na transparência... mesmo que às vezes a verdade não seja talvez sempre a melhor, acredito que os jogadores, em geral, apreciam muito mais isso do que um bom sorriso e algo por trás. Então, isto é como eu sou... e claro, não significa que seja o caminho certo, mas é a forma como me sinto mais confortável, porque é a forma como eu sou.», disse, numa grande entrevista à Sport TV, realizada no Dragão.
Os azuis e brancos lideram o campeonato com sete pontos de vantagem sobre o Sporting e 10 sobre o Benfica. Farioli recordou a chegada à Invicta e a reta final de época difícil no Ajax.
«Casamento perfeito? Não sei, veremos daqui a uns tempos, mas com certeza foi... eu disse-te, a primeira reunião que tive com o presidente foi realmente especial, na forma como acho que ambos nos conectamos sobre certas coisas imediatamente. Como disseste, as últimas épocas para o Porto não foram as mais fáceis. Da mesma forma, do meu lado, eu vinha de uma época que, na minha opinião, foi uma ótima época, claro que com algo que é difícil de descrever o que aconteceu no último mês [no Ajax]. Mas de qualquer forma, em geral, com a mente um pouco fria, eu diria que foi positiva. Mas, claro, a dor do que aconteceu no último mês é algo que ficará comigo para sempre. Eu não posso negar isso. E, sabes, depois, com a mente fria, tentas fazer uma reflexão, analisar, tentas encontrar respostas, embora às vezes também precises de aceitar as coisas e não questionar tanto... talvez não fosse o momento. E sim, e a partir daí tentar aprender, com certeza tentar entender, mesmo que não fosse necessário porque nós realmente forçamos muito esta dinâmica de que nunca acaba até ao momento em que acaba. E pronto. Por isso, a partir daí, seguir em frente. As minhas primeiras palavras para a equipa foram muito claras. Falamos sobre as nossas "cicatrizes" que tínhamos. Que, como eu disse, não é algo de que se deva ter vergonha, mas é algo que, na minha opinião, tem de estar na nossa pele como uma memória — e talvez não uma boa — mas também para entender que faz parte da vida e do desporto, especialmente, viver também coisas ou experiências e momentos que te deixam desapontado. E isso, acho eu, tem de ser uma motivação extra, tem de ser um combustível, tem de ser a nossa fome constante de sermos melhores e de nos melhorarmos diariamente», revelou.
Farioli comentou ainda as declarações recentes de Bacci. O treinador do Tondela disse que Farioli «não» era um treinador italiano.
«Acho que é uma mistura de experiências. Cada país tem o seu selo, mas eu viajei por tantos países e treinei em tantas ligas diferentes que me tornei um globetrotter. O meu staff vem de todo o mundo. Somos um ‘staff’ realmente internacional. Vejo isso como uma força. Temos culturas e línguas diferentes, mas ganhamos por ter abordagens e sensibilidades diferentes. Isso torna-nos um grupo mais completo e complementar. Conto-lhe uma anedota: no meu primeiro clube, na negociação, propuseram-me um valor para mim e para trazer um assistente. Decidi não receber nem um euro no meu primeiro trabalho e dividir esse montante para trazer cinco ou seis pessoas comigo. Isso diz o suficiente sobre o quanto o ‘staff’ pode afetar e impactar. O trabalho que o staff técnico, de performance, médico e de apoio está a fazer aqui é inacreditável. Desde o Jardel [roupeiro], que é tão enérgico e apaixonado, até ao presidente.