Vinícius Júnior e Prestianni foram protagonistas do momento mais negativo da noite de Champions na Luz
Vinícius Júnior e Prestianni foram protagonistas do momento mais negativo da noite de Champions na Luz (IMAGO) - Foto: IMAGO

Dos insultos

'Remate de letra' é o espaço de opinião semanal de Hugo Vasconcelos, editor

O que digo é que acontece em tantos estádios sempre com o mesmo, alguma coisa não está bem.

José Mourinho, treinador do Benfica, sobre Vinícius e o incidente com Prestianni

Vinícius Júnior é um provocador. Mourinho não o disse com essas letras todas, mas era a isso que se referia quando, a seguir ao jogo do Benfica com o Real Madrid, falou do festejo do brasileiro. O problema é que o disse depois do avançado acusar um jogador das águias de o ter chamado de «macaco». Nenhuma provocação autoriza insultos racistas — ou homofóbicos, já agora, que é o que Prestianni alega que disse a Vinícius, como se fosse menos grave... — e o timing de Mourinho soa a desculpabilização, por muita verdade que esteja nas palavras do treinador.

Nem vou ao que aconteceu na Luz — não quero cometer o mesmo erro de Mourinho —, nem a Vini, sequer, mas é verdade que há jogadores particularmente irritantes, que estão a pedir (e na verdade é o que pretendem, para armarem confusão) para serem insultados.

Em casos como esse, sugiro que olhem para as palavras de Massimiliano Allegri, treinador do Milan, depois de empatar com o Como. «És um idiota! Uma criança que se tornou treinador ontem!», disse para Cesc Fàbregas, treinador do rival, que segurou Saelemaekers para impedir que recuperasse defensivamente.

Ou, se quisermos ser mais criativos, aqui fica o que George Best disse um dia sobre David Beckham: «Não joga com o pé esquerdo, não consegue cabecear, não desarma e não marca muitos golos. Tirando isso, não é mau.»

Chamar macaco a alguém não é só racismo, é preguiça.