Francisco Trincão desbloqueou a vitória do Sporting em Moreira de Cónegos

Leão com fome de vitória cercou a presa até a caçar (crónica)

Grande jogo do Sporting em Moreira de Cónegos, onde, desde o apito inicial, andou à procura dos três pontos. O ‘ketchup’ dos golos não jorrou na metade inicial, mas o frasco abriu-se no segundo tempo. A obra-prima de Catamo valeu o preço do ingresso...

A deslocação do bicampeão a casa do sexto classificado era tida como difícil, e suscetível de provocar alguma escorregadela, mas o Sporting abordou o jogo com a atitude correta, baseada numa entrada fortíssima, que colocou os donos da casa em sentido.

Só Vasco Botelho da Costa poderá dizer se essa era a sua ideia inicial, mas o que é facto é que, perante a avalanche leonina, o Moreirense adotou a estratégia mais inteligente, que passou por trocar a bola na retaguarda enquanto possível, fazendo subir o Sporting, e logo que a pressão alta dos forasteiros se revelava ameaçadora, alguém ‘esticava’ na frente, passando o centro das atenções para a metade verde-e-branca.

Indiferentes à fraca nota artística que resultava da sua exibição, os minhotos, que passaram por dois sustos valentes, resolvidos por André Ferreira (Trincão aos 8 e 15 minutos esteve perto de faturar), foram aguentando as suas redes invioladas e o nulo com que se atingiu o intervalo era-lhes lisonjeiro.

Porém, aos 52 minutos, Cedric Teguia desviou-se do guião e quis sair a jogar por uma zona densamente povoada por leões, tantos que Hjulmand lhe roubou a bola, deu-a a Luís Guilherme que abriu na esquerda em Maxi Araújo, o uruguaio descortinou a chegada de Trincão à cabeça da área e fez-lhe um passe açucarado, que o minhoto concluiu à moda do transmontano Pedro Gonçalves, com um passe certeiro para o fundo das redes de André Ferreira.  

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No primeiro lance em que o Moreirense foi incauto, o Sporting não perdoou. O jogo dos minhotos não era suposto passar por entre a muralha leonina, mas sim sobre a muralha leonina. Logo que isso não sucedeu, bola recuperada pelo ‘polvo’ do costume, dois intérpretes expeditos, e o ‘killer instinct’ de Trincão a fazer a diferença. Injustiça no ‘placard’? Nem por sombras, apenas justiça... 

E já que o Moreirense abanou perante a vantagem do Sporting, que tal manter o rolo compressor em ação? Foi isso que Rui Borges fez, a sua equipa continuou a pressionar e muito rapidamente foi premiada com o 0-2 que surgiu em forma de obra de arte, assinada pelo moçambicano Catamo, com um remate da direita, com o pé esquerdo, que fez a bola percorrer um arco perfeito até entrar no ângulo superior direito da baliza de André Ferreira. Para quem tiver memória, foi um golo em tudo semelhante ao do portista William Gomes, na vitória por 1-2 dos dragões em Alvalade, a 25 de agosto do ano passado.

O jogo foi interessante e o Sporting fez uma prova de vida competitiva; mas se tal não tivesse acontecido, aquele momento de inspiração de Catamo teria valido, plenamente, o preço do bilhete. 

Com a vantagem dilatada, os leões levantaram o pé, e logo após Rui Borges ter dado início à girândola de substituições (Morita por Bragança, 64), o Moreirense aproveitou a folga na pressão para se chegar à frente e em duas ocasiões, uma delas com a bola a beijar a barra, poder ter reduzido a diferença. Foi sol de pouca dura, é certo, mas enquanto brilhou funcionou como aviso ao Sporting de que os jogos só acabam quando o árbitro apita, uma forma de estar no futebol que já rendeu, pelo menos, uma boa meia dúzia de pontos à equipa de Rui Borges.  

Sem vontade de mexer nos parâmetros do jogo, Vasco Botelho da Costa realizou trocas que visaram dar mais pulmão à equipa (entradas de Nile John, Landerson e Luís Semedo), respondendo Rui Borges, já depois de Suárez ter assinado o 0-3, à matador, na sequência de um canto desviado ao primeiro poste por Maracás, com a chamada ao jogo de Faye e da dupla grega, Vagiannidis e Ioannidis

Estes novos elementos permitiram que a fervura não baixasse, mas já não subsistiam quaisquer dúvidas quanto ao destino final dos três pontos em disputa, não tendo sido para segurar o jogo que João Simões ainda teve minutos, por troca com Luís Guilherme (82). 

Valerá a pena referir ainda que, da forma de jogar do Sporting, resultou uma enorme inclinação do caudal ofensivo para o flanco esquerdo, onde estavam Maxi e Luís Guilherme, muito por culpa do uruguaio, insaciável na vontade de ter bola e dinamizar iniciativas perigosas pelo seu flanco, onde o novo recruta brasileiro deu também boa conta do recado.

Ficaram a ‘perder’, em protagonismo, Fresneda e Catamo, muito menos solicitados, ainda que o genial moçambicano tivesse ido buscar a varinha mágica para assinar o seu nome nesta partida. Mas o que será mais relevante sublinhar, depois de estabelecido que o Sporting foi, em Moreira de Cónegos, uma equipa de esquerda, é que houve uma força coletiva na recuperação de bola que asfixiou os minhotos e tornou claro que se prosseguisse naquela via o golo não seria ‘se’, mas ‘quando’. Como foi.