Análise do especialista em arbitragem de A BOLA a lance do Santa Clara-FC Porto

Bednarek devia ter sido expulso? A análise de Pedro Henriques ao Santa Clara-FC Porto

Nas áreas não houve grandes incidências e a arbitragem resumiu-se a uma gestão disciplinar que foi quase sempre correta

11' Ataque prometedor. Bednarek vê de forma correta um cartão amarelo por esticar o seu braço direito e tocar com a mão no pescoço de Gabriel Silva, cortando desta forma uma jogada já com algum perigo (corte de ataque prometedor).

30' Agarrão. William Gomes, com ambas as mãos, agarra e puxa Henrique Silva, não houve qualquer interesse em jogar a bola, apenas destruir e parar a saída em contra-ataque, uma falta tática que era passível de cartão amarelo que não foi mostrado.

30’ São várias as vezes em que dizemos que um jogador deve ser advertido sempre que faz uma falta tática. Ora, esta expressão, mais técnica, é o que em linguagem comum denominamos por uma falta útil, ou seja, para que a equipa se reorganize e que o adversário não saia em contra-ataque ou crie uma jogada de perigo, muitas vezes até com superioridade numérica. Um jogador sacrifica-se pela sua equipa e comete uma infração apenas com o intuito de parar ou destruir a jogada da equipa contrária e sempre que há este enquadramento o árbitro tem de mostrar cartão amarelo!

38' Posse de bola. Basta que o guarda-redes tenha um dedo sobre a bola para que se considere ter a posse de bola e ninguém a pode tirar. Neste caso é mais do que isso: é que Gabriel Silva não parou o movimento e carregou o guardião. Falta atacante, livre direto. A lei 12 (faltas e incorreções), na sua página 113, aborda a questão de quando se considera que o guarda-redes tem a bola controlada com as mãos/braços sem que nenhum adversário a possa disputar com ele. Se o fizer, será penalizado com livre indireto. Assim sendo, é considerado bola controlada sempre que o guardião detenha a bola nas mãos, ou quando se encontre entre as mãos e qualquer superfície (solo, o seu corpo), segure a bola na palma das mãos abertas, faça ressaltar a bola no solo ou a atire ao ar.

Positivo
Sem impacto e influencia no resultado, não teve grandes casos de jogo e os que teve resolveu bem. Assistentes em bom plano.

45’ Foram dados três minutos de tempo extra, recuperação de tempo perdido, em função do cartão amarelo, da substituição por lesão e por paragens em que o árbitro esteve à conversa com jogadores para os acalmar.

65' Pisão. Uma entrada fora de tempo, por trás, sem a bola estar presente de Vinícius Lopes sobre Froholdt, com o pé esquerdo no calcanhar direito. Uma infração negligente bem sancionada com o respetivo cartão amarelo.

Negativo
O péssimo estado do relvado, as muitas faltas (42) e o pouco tempo útil, jogaram-se apenas 52 em 97 minutos de jogo.

76’ Mesmo sem se ver na transmissão televisiva, pois só mostraram a imagem do árbitro a levantar o cartão amarelo de seguida e por duas vezes, percebemos — à posteriori — que foram advertidos em simultâneo Pablo Rosario, dos dragões, e Djé Tavares, dos insulares. Deduz-se que tenha sido por comportamento antidesportivo de um em relação ao outro, palavras, gestos ou atos.

78' Pisão. Alan Varela falha a entrada e, ao esticar a sua perna direita, acaba com o pé, de sola e com os pitons, a pisar o peito do pé direito de Lucas Soares, uma entrada fora de tempo, negligente que foi penalizada, de forma correta, com cartão amarelo.

80' Em salto. Alberto Costa entra em 'tackle' de longe e a varrer, derrubando desta forma Paulo Vítor, uma infração à entrada da área, zona lateral, que foi negligente e que em simultâneo cortou um ataque prometedor. Bem o árbitro ao mostrar o respetivo cartão amarelo.

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90’ Djé Tavares, que já tinha cartão amarelo, levantou o pé demasiado alto e pontapeou apenas a bola, não acertando na cabeça de Pablo Rosario. Mas cometeu uma infração menor, designada de jogo perigoso ativo, sem contacto, penalizada apenas com livre indireto e, neste caso, sem qualquer sanção disciplinar, não obstante os protestos para a expulsão por acumulação de cartões. Bem o árbitro na decisão que tomou, quer técnica quer disciplinar

90’ Foram dados quatro minutos de tempo extra, em função das quatro paragens para substituições em que entraram cinco jogadores, dos cinco cartões amarelos dados no segundo tempo e do golo.

A nota do árbitro Cláudio Pereira (7)

Assistentes: Tiago Costa e Sérgio Jesus; 4.º árbitro: Vítor Lopes

VAR/AVAR: Rui Costa/Miguel Martins