Treinador do Benfica desvalorizou visita ao Bernabéu, dando mais atenção ao embate contra o Gil Vicente

«Se fosse outro clube a jogar de início com jogadores de 17 anos…»: o que disse Mourinho

Conferência de Imprensa do treinador do Benfica, após vencer o Aves SAD por 3-0, falando de Ivanovic, Otamendi e da aposta na formação

— Que diferenças encontrou entre o Aves SAD da sua estreia no Benfica e o Aves SAD de hoje?

— O Aves SAD está melhor em organização, defensivamente compactos, resilientes, porque a situação deles não era fácil, a perder por 0-3 ao intervalo, mas tiveram resiliência para continuarem a jogar até ao fim. Dá para perceber que vão fazer o seu melhor até ao fim e vão lutar por vitórias e por fazerem mais pontos. Hoje somos mais equipa do que éramos do que nesse jogo nas Aves, somos mais equipa, com princípios de jogo perfeitamente definidos. Continuamos nesta caça ao ponto, a fazermos a nossa obrigação que, independentemente da classificação, é dar o máximo. E foi o que fizemos hoje.

— Disse que esta semana não foi fácil, as críticas de que foi alvo tiveram impacto em si, em relação às acusações de racismo de Vinícius Júnior?

— Não quero comentar. Repito que tem sido difícil para todos, não vou especificar a que nível foram as dificuldades. Hoje todos fomos capazes de ser profissionais e de fazermos o nosso trabalho.

Ivanovic, consigo, só tem lugar na ala, ou ainda pensa nele como um ponta de lança?

— A partir do momento em que ganhámos o jogo, era mais gerir. Queria dar repouso a quem saiu e tentar encaixar as peças o melhor possível para manter a equipa equilibrada. Queria tirar Pavlidis e Schjelderup e queria dar minutos ao Ivanovic e ao Anísio. O Anísio é mais aquele atacante que joga de costas para a defesa, que usa a sua técnica em espaços curtos, o Ivanovic é um atacante central em profundidade, de transições. Quando jogamos contra equipas que joguem em blocos baixos, o Anísio é um jogador de maior referência do que Ivanovic. Gostamos do Ivanovic, da pessoa e do profissional que é.

—  A exibição da 1ª parte é um tónico para o Benfica a quatro dias de visitar o Bernabéu?

— Tem mais relação com Barcelos do que com o Bernabéu. Se hoje não ganhamos, vamos a Barcelos com horizontes diferentes. Partindo do princípio que um dos nossos adversários diretos já ganhou, partindo do princípio que o outro também ganhará, mantemos a distância e iremos a Barcelos com essa mentalidade de que o jogo é também decisivo para nós. Portanto, o facto de termos ganho hoje não nos motiva para quarta-feira, motiva-nos para Barcelos, porque são coisas completamente diferentes.

— A saída de Otamendi ao intervalo foi por gestão física? E ficou satisfeito com a exibição de Bah?

— Eu fiz muitas mudanças na equipa e quis manter ali três ou quatro jogadores e pensei que o Otamendi, apesar de ser o mais velho de todos e apesar de ser um daqueles que tem mais minutos, eu achei que era importante a presença dele, até para não passar uma imagem errada ao grupo. Naquela posição de central, temos três centrais de um nível altíssimo e neste caso, ao intervalo tirei o Otamendi e pus o Tomás Araújo. De facto, até jogámos um jogo grande no Porto, em que jogaram o Tomás e o António Silva, hoje jogar o Otamendi era mais simbólico no sentido de passar aos jogadores a mensagem, pelo menos não incorreta, de que o jogo iria ser fácil, de que o jogo não era importante. Ao ver que o jogo estava daquela maneira, dividi os minutos por ele e pelo Tomás, mantendo o António no jogo, que não tinha jogado no jogo anterior. Com o Bah fiquei mais do que satisfeito. Tive dúvidas entre ser titular ou entrar no jogo e ele assumiu a responsabilidade para mim de que, eventualmente, 90 minutos seriam muitos, mas entrar para jogar 20, 25 minutos seriam poucos. E então decidimos que ele jogava de início e que fosse até onde tivesse de ir. Se o jogo tivesse um nível de dificuldade maior, tínhamos o Dedic no banco para entrar. Se o jogo estivesse mais ou menos controlado e não tivéssemos esse tipo de necessidade, baixava depois o Sidny Lopes Cabral. Agora voltamos a ter ali na lateral direita Bah, Dedic e Banjaqui. E pronto, se fosse outro clube a jogar de início com jogadores de 17 anos como nós fazemos e fazemos bastantes vezes, acho que seria a primeira página, acho que seria a abertura de muitos programas, como é o Benfica é uma coisa que quase passa ao lado, mas enquanto treinador eu não deixo passar ao lado o trabalho que foi feito com os jogadores até chegarem à equipa principal, inclusive na Federação. Se eu estivesse hoje na bancada e não conhecesse os jogadores, não acreditava que o lateral-esquerdo do Benfica tem 17 anos.

— Que dinâmicas pediu para José Neto e a Bah terem nas relações com Schjelderup e Sidny?

— Foi mais fácil na esquerda do que na direita. Na esquerda queríamos construir a três com o Neto por dentro e com o Schjelderup por fora. E é uma dinâmica quase natural que vai de encontro às características dos dois. E foi tudo muito fluido por aquele lado. No lado oposto, é a primeira vez que o Bah joga com o Cabral. O Bah gosta de atacar a profundidade mais para fora do que por dentro, assim como o Cabral. Houve ali um bocadinho de choques relativamente às zonas ocupadas. Mas já sabíamos que isso podia acontecer.

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