Andreas Schjelderup foi o grande dinamizador do ataque das águias´- FOTO: Sérgio Miguel Santos
Andreas Schjelderup foi o grande dinamizador do ataque das águias´- FOTO: Sérgio Miguel Santos

Schjelderup foi fogo no rastro gelado de Neto (as notas do Benfica)

Jovem lateral de 17 anos fez jogo exemplar e muito competente e influente nos dois meios-campos, com o norueguês a abrir o livro no plano ofensivo. Por ele, os encarnados teriam goleado o Aves SAD
MELHOR EM CAMPO: Andreas Schjelderup (8)
Se alguém perguntar onde estava escondido este Schjelderup a resposta mais correta é que estava provavelmente tapado pelas dúvidas dos vários técnicos que os treinaram. Foram as constantes saídas do onze, quando parecia arrancar definitivamente para a afirmação, que lhe roubaram o moral que o poderia ter conduzido a este nível mais cedo. Lage devolveu-o ao banco, Mourinho até o teve na lista de saídas. O primeiro e o terceiro golos foram provocados por si, respetivamente quando, primeiro, tentou furar e, depois, obrigou Adriel a uma boa intervenção, e serviu os perdulários Richard Ríos e Pavlidis em mais uma mão-cheia de situações. Aos 35 minutos, assinou um dos melhores momentos da partida quando fez a bola passar entre as pernas de um adversário antes de chegar ao grego.

TRUBIN (5) — Pouco trabalho. Na segunda parte, foi testado na concentração por um cruzamento da esquerda, a que reagiu bem.

BAH (6) — Voltou 378 dias depois de romper o cruzado e, aos dois minutos, já estava a meter o pé numa dividida. O golo, recarga a remate de Pavlidis, é prémio por todo o esforço que fez, durante mais de um ano, para recuperar. Percebe-se que lhe falta ritmo para chamar a si todo o corredor.

ANTÓNIO SILVA (6) — tarde segura, perante um adversário que desde cedo se perdeu em campo e que, quando atacou, nunca levou muitos nem teve grande discernimento. Importante a qualidade do passe para a projeção de Bah pelo corredor. Algumas bolas longas necessárias para a variabilidade do ataque.

OTAMENDI (6) — pouco trabalho, é certo, nem teve de se preocupar em empurrar a equipa para a frente, com as habituais arrancadas, porque a equipa já praticamente só atacava. Devia ter descansado 90 e não 45 minutos.

JOSÉ NETO (7) — começou a todo o gás nas sobreposições a Schjelderup, mostrando um à-vontade pouco habitual para quem tem 17 anos. Com o tempo, geriu mais a projeção, uma vez que também sobre esse lado aparecia por vezes Rafa a reclamar espaço. Duas ou três bolas longas a merecer melhor sorte ou afinação, concentrado e veloz no momento defensivo e influente nos dois meios-campos. Está mais do que pronto para a Liga e, eventualmente, ser titular desta equipa. Mesmo que o Aves SAD seja o último.

ENZO (7) — regressou disposto a morder, como gosta o treinador, procurando o desarme em carrinho e agressividade nos duelos. O passe longo, por vezes, não chegou ao destino, algo que tem de melhorar. Muito bom golo com o pior pé, a fazer a bola passar no meio da floresta de pernas à sua frente antes de bater Adriel.

RÍOS (6) — está no 2-0, servindo Barrenechea, porém a maior parte das iniciativas não lhe correu bem. Houve mais, mas os exemplos mais claros estão em duas finalizações no segundo tempo, a segunda em fora de jogo, após passes de filigrana de Schjelderup, em que não enquadrou a bola com a baliza.

SIDNY (6) — também assinou uma assistência, para o terceiro das águias, que teve caligrafia especial de Rafa, mas cada vez deixa mais dúvidas sobre o seu possível impacto no conjunto a médio, longo prazo. Melhorou na segunda parte, no entanto, voltou a mostrar dificuldades nos duelos ofensivos, abusou de cruzamentos (quando não há cabeceadores na área) e, apesar de ter chamado a si praticamente todos os livres e cantos, raramente criou situações de finalização. Prestianni, suspenso, não ficou esquecido.

RAFA (6) — ainda tem a justificação da falta de ritmo, mas a sua produção resumiu-se praticamente ao (belo) golo, de letra, que marcou. Tentou ligar-se com Schjelderup (e Neto), o que deu algumas superioridades numéricas sobre a esquerda, mas não criou muitos momentos para si ou para os companheiros.

PAVLIDIS (7) — falhou golos a mais, é certo, alguns cantados, mas a dimensão do seu futebol é muito maior do que isso. Está nos apoios que faz a toda a largura, no que recupera, na forma como provoca o caos na linha defensiva contrária. Baixou no segundo tempo, mas o primeiro foi excelente.

TOMÁS ARAÚJO (6) — a qualidade de sempre com a bola nos pés. Concentrado a defender.

IVANOVIC (5) — entrou com vontade, mas vive um momento em poucas coisas lhe saem bem. Moral em baixo.

LUKEBAKIO (5) — a força de sempre no 1x1, sem grandes oportunidades criadas.

ANÍSIO (-) — nove minutos em que confirmou que atrai a bola, mas ontem não era preciso marcar.

PRIOSTE (-) — quatro minutos em campo.