Geny Catamo chamou a si o momento alto do encontro (Foto Miguel Lemos/Kapta+)
Geny Catamo chamou a si o momento alto do encontro (Foto Miguel Lemos/Kapta+)

Em terra de cónegos, afinal, também há espaço para Geny(os): as notas do Sporting

Moçambicano emoldurou um momento para os leões mais tarde recordarem nesta edição da Liga. Trincão quase transcendental, mas houve muitos num patamar bem elevado.
O melhor em campo: Geny Catamo (8)
56': recebe a bola à entrada da área, afaga-a duas vezes com o pior pé, o direito, tira as medidas à baliza e com o melhor pé, o esquerdo, coloca-a na gaveta da baliza à guarda de André Ferreira e praticamente arruma o jogo, poupando os adeptos leoninos a mais uma tarde/noite de tensão cardíaca. Um momento de Geny(o) de Catamo para ficar emoldurado na época do Sporting. Em terras de cónegos, ficaram os leões a saber que das suas preces resultou um lance que os abençoou. Tinha começado bem a partida, depois perdeu-se, voltou a aparecer, baixou de nível e quando reapareceu foi em grande estilo naquele momento entre a magia e a mais pura das competências. A renovação até 2029 já está ativa, mas o mercado não costuma perdoar aos clubes que os têm os talentos. Sai a qualidade, entra o dinheiro. Pouco a fazer.

Rui Silva (6) — Num dia agradável em termos climatéricos com a temperatura a subir apenas passou por um calafrio e numa carambola. Pouco depois da hora de jogo (64’), Neil John remata, a bola resvala em Hjulmand e beija a trave da baliza leonina. Mas estava escrito que a noite seria divórcio entre os cónegos e as redes adversárias.

Fresneda (5)— Não está num momento muito feliz e talvez a precisar duma cura de banco. Meio atrapalhado a atacar, meio desfasado a defender, escapa com um ‘satisfaz menos’ porque os da casa foram praticamente inexistentes no último terço.

Diomande (7) — Quando entra o gigante costa-marfinense os leões sobem vinte patamares em termos defensivos. Não teve uma falha, liderou o setor recuado e agora soma mais uma virtude, pois lança muito bem os companheiros de equipa em passes longos.

Gonçalo Inácio (6) — Não tão contundente como o companheiro do lado, descaiu por completo o jogo leonino para a banda esquerda com passes a quebrar linhas no primeiro tempo. Após o intervalo não foi tão exuberante mas aí soltaram-se outros puros sangues.

Maxi Araújo (7) — «Quando nos faltar a qualidade, que não nos falte a atitude.» Este é o lema de Rui Borges que o uruguaio incorpora muitíssimo bem. Dá tudo o que tem e que mais tivesse. E a forma como descobriu Trincão à entrada da área no primeiro golo é sublime. O treinador bem lhe pode dizer que ele é lateral, mas ele gosta é de ser lateral-esquerdo, direito ou extremo em qualquer dos flancos. Está em todo o lado e que mais houvesse…

 Hjulmand (6) — Devagarinho, aos poucos, vai subindo de produção, embora ainda não esteja nos patamares de outrora. Mas apenas perdeu a bola por uma vez e na primeira fase de construção esteve muito atinado.

Morita (6) — Rui Borges elogiou-o na antevisão da partida, sublinhando a capacidade de passe acertados e em Moreira de Cónegos o que se viu foi um japonês pouco ousado mas muito conectado na missão de bem colocar a bola nos companheiros de equipa. Em termos táticos, sabe tudo.

Trincão (7)— Não tem a mesma nota de Geny apenas e só porque as estrelas alinharam-se para o moçambicano e devido aos dois golos falhados logo na fase inicial da partida, sendo que num deles (12’) estava em situação de enorme privilégio para, de cabeça, bater André Ferreira. Na segunda parte abriu o livro do conto de fadas e fez uma exibição completa. Abriu o caminho marítimo para o golo leonino com um remate colocadíssimo, mostrou uma disponibilidade física impressionante e deixou um lastro de toques de classe abismal.

Luís Guilherme (7) — Demonstrou que o talento não tem lugar fixo. Desta vez foi deslocado para a esquerda e iniciou por ali a revolução no ataque verde e branco, com inúmeras iniciativas por essa faixa. É ele quem inicia a jogada do primeiro golo. E se fosse só isso, teriam ficado os de Moreira (mais) descansados.

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Luis Suárez  (7) — A vida feliz dum ponta de lança é mesmo assim: parece que passa demasiado tempo desligado e não tão associativo como costuma ser mas num instante tudo muda, pois recebe uma bola complicada na área, num gesto de enorme perícia controla-a e estoira com a baliza adversária. É um acrescento de qualidade à Liga portuguesa.

Daniel Bragança (6) — Entrou em campo e desta vez não foi herói mas cumpriu com o caderno de encargos que lhe foi entregue, resguardando a bola na posse do Sporting numa altura em que os da casa poderiam querer atrever-se um pouco mais.

Faye (5) — Quando o jogo já estava mais partido, desperdiçou a oportunidade de se mostrar, apesar dum passe inteligente para Ioannidis.

Ioannidis (6) — Não deixou que o ataque esmorecesse, desperdiçando uma oportunidade numa ocasião e colocando Bragança na cara do golo noutra.

 João Simões (—) — Quatro corridas, um remate à baliza e… banho.