Bartomeu, antigo Presidente do Bacelona entre 2014 e 2020
Bartomeu, antigo Presidente do Bacelona entre 2014 e 2020 - Foto: IMAGO

Ex-presidente nega acusações de desviar milhões: «Barcelona até nos custou dinheiro»

Bartomeu, antecessor de Laporta no Barcelona, enfrenta múltiplos processos judiciais, mas garantiu que é inocente. «Na minha direção ninguém meteu a mão na caixa», afirmou

Josep Maria Bartomeu, antigo presidente do Barcelona, atribui as várias acusações judiciais de que é alvo a uma «perseguição», garantindo que nunca se apropriou de dinheiro do clube. «Na minha direção ninguém meteu a mão na caixa e, muito menos, eu. Pelo contrário, o Barça custou-nos dinheiro», afirmou em entrevista à agência EFE.

O ex-dirigente, que esteve à frente do clube catalão entre 2014 e 2020, enfrenta múltiplos processos judiciais, incluindo o «caso Negreira», o «Barçagate» e uma investigação sobre desvio de comissões. Bartomeu considera a sua situação anormal. «Acredito que no meu caso há uma perseguição», defendeu, revelando que advogados e juízes com quem falou consideram o que lhe acontece «anormal» e algo que «nunca aconteceu em Espanha».

Apesar das várias queixas apresentadas pelo Ministério Público por motivos económicos, Bartomeu sublinha que em nenhuma delas é acusado de «receber uma comissão ou meter a mão na caixa». E acrescenta: «E sei que investigaram muitíssimo, porque tanto o Ministério Público como os tribunais cruzaram os meus dados com toda a gente para ver se encontravam movimentos de fundos.»

A mais recente denúncia acusa-o de desviar quatro milhões de euros em comissões e intermediações sem o conhecimento da direção. Esta acusação deriva de um relatório forense encomendado pela atual direção de Joan Laporta, que inicialmente apontava para um desvio de 30 milhões de euros. No entanto, Bartomeu recorda que o Ministério Público o interrogou apenas sobre duas operações que totalizariam, no máximo, 3,2 milhões.

As operações em causa incluem uma comissão na contratação do brasileiro Malcom, o pagamento de honorários a um advogado no âmbito do «caso Neymar» e um pagamento de 1,5 milhões de euros ao Club Esportiu Laietà por supostos prejuízos relacionados com o projeto Espai Barça.

No centro das atenções do Ministério Público estão os 1,7 milhões de euros pagos a José Ángel González Franco, advogado de Bartomeu, pelos seus serviços no «caso Neymar». O processo resultou numa multa de 5,5 milhões de euros para o clube por fraude fiscal, mas ilibou o então presidente. A acusação alega que Bartomeu acordou esses honorários sem informar a direção, existindo um conflito de interesses.

Bartomeu nega categoricamente que o clube tenha pago a sua defesa ou a de Sandro Rosell, seu antecessor. «A minha defesa e a de Sandro foram pagas pela apólice de seguros que o clube tem contratada para cobrir qualquer contingência legal de um dos seus diretores ou executivos no exercício das suas funções», explicou.

O ex-presidente defende que foi González Franco quem negociou o acordo com o Ministério Público e a Agência Tributária, resultando numa poupança de 17 milhões de euros para o Barça. Segundo Bartomeu, o advogado recebeu 10% do valor que o clube poupou, conforme um acordo verbal de 2016, e «não teria recebido nada se não tivesse conseguido o acordo». O contrato foi posteriormente autorizado pela direção em maio de 2017.

Bartomeu insiste que sempre defendeu os interesses do clube, mesmo que isso fosse contra os seus. «Eu talvez tivesse preferido ir a julgamento, porque o Sandro e eu teríamos sido absolvidos no primeiro dia, mas defendi o acordo porque era o melhor para o clube», sustentou.

A defesa de Josep Bartomeu acredita que o antigo presidente do Barcelona poderá ser absolvido no processo em que está envolvido, uma vez que o clube regularizou a sua situação fiscal antes da imputação. Segundo a ata de uma reunião a que a agência EFE teve acesso, o advogado Martell informou a direção que o pagamento de 20 milhões de euros à Agência Tributária em 2014 é um fator crucial.

Outro ponto em questão é o pagamento de 1,5 milhões de euros ao Club Esportiu Laietà, que a Procuradoria não considera justificado. Bartomeu defende que este valor foi acordado para compensar os futuros transtornos causados pelas obras do Espai Barça e, assim, evitar que a entidade desportiva apresentasse contestações que poderiam atrasar o projeto em dois ou três anos.

«Eles pedem-nos 4 milhões de euros e, no final, acordámos 1,5 milhões pelos transtornos, o ruído, etc», explicou Josep Bartomeu. O ex-presidente do Barça sublinhou ainda que foram negociadas compensações com todos os afetados no bairro de Les Corts, incluindo comerciantes e moradores.