Gudelj e Vlachodimos são colegas no Sevilha - Foto: IMAGO
Gudelj e Vlachodimos são colegas no Sevilha - Foto: IMAGO

«Estão a matar o Sevilha»: o que aconteceu ao rei da Liga Europa?

Com ex-jogadores de Sporting, Benfica e FC Porto, o clube está envolvido na luta pela permanência, numa época que confirma o péssimo momento da equipa nos últimos anos

O Sevilha perdeu (0-1) neste domingo de Páscoa com o Oviedo, lanterna vermelha da LaLiga, que ficou a sete pontos da primeira equipa acima da zona de despromoção… precisamente o Sevilha que, além disso, só tem dois pontos a mais que o Elche, a primeira equipa abaixo da linha de água.

Com Nemanja Gudelj (ex-Sporting) e Vlachodimos (ex-Benfica) no onze, a equipa somou a terceira derrota seguida e o quinto jogo seguido sem vencer. Com isto, os blanquirrojos estão em sério risco de terem a pior época do século XXI.

Queda abrupta, mas contínua

A equipa atravessa a pior fase da sua história desde o século passado: em 2022/23 ficou fora dos 10 primeiros classificados da LaLiga, algo que ainda não tinha acontecido até então. No ano passado, a despromoção já foi uma ameaça real graças ao 17.º lugar alcançado, o último que garante a manutenção. O Leganés só ficou a um ponto.

Antes disso, a equipa alcançou o 14.º lugar em 2023/24 e o 12.º em 2022/23, que coincidiu com a última conquista da Liga Europa. Durante uma geração, o domínio do Sevilha na prova era praticamente garantido: ganhou-a cinco vezes entre 2006 e 2016 e acrescentou mais duas conquistas em 2020 e em 2023 (esta última frente à Roma, então treinada por José Mourinho).

São sete títulos de campeão na segunda maior prova europeia, sendo que nenhum outro clube tem mais de três. Um domínio conquistado no século XXI, mas que rapidamente se perdeu.

Caixões, polícia e Sergio Ramos

O descontentamento dos adeptos tem sido audível e em janeiro fez furor quando se realizou um desfile em marcha lenta com um caixão coberto por uma bandeira do Sevilha. «Estão a matar o Sevilha», podia ler-se numa faixa que também foi exibida.

No mês seguinte, a polícia teve de montar um cordão de segurança à volta do Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, depois de os adeptos golpearem barreiras de segurança, na reação a um empate caseiro (1-1) com o Alavés. Jogo que também ficou marcado pelo confronto de Matías Almeyda com o árbitro.

«Direção, demissão», gritaram também os adeptos nessa noite, que até podem ver esse desejo concretizado. Sergio Ramos, que fez nome no Sevilha antes de rumar ao Real Madrid, tendo regressado aos sevilhanos em 2023/24, lidera um grupo de investidores que poderá comprar o clube. Mas o processo ainda não está concluído.

De Alexis Sánchez a Fábio Cardoso

Nomes bem conhecidos do futebol português e mundial fazem parte de uma época que pode culminar na primeira descida de divisão do Sevilha desde a temporada 1999/2000. Matías Almeyda, figura do futebol argentino, foi o eleito para treinar a equipa no início da época. Aposta falhada e só reconhecida no final de março. Luis García Plaza foi o eleito para redirecionar um plantel à deriva.

Alexis Sánchez é o nome mais pesado da equipa, pelo que fez no Barcelona, Arsenal e Manchester United. Com 37 anos, tem três golos marcados esta época. Azpilicueta, Djibril Sow, Adnan Januzaj ou Neal Maupay também têm experiência nos principais campeonatos europeus, mas não têm conseguido replicar as boas épocas que outrora rubricaram.

E ainda há nomes bem conhecidos do futebol português. Desde logo, Vlachodimos, que reencontrou a regularidade que teve no Benfica em Sevilha, após uma passagem esquecível pela Premier League. Já foi adorado pelos adeptos, mas também está ligado à equipa que sofre mais golos na LaLiga (50, tantos quantos os do Levante do técnico português Luís Castro).

Gudelj, que passou pelo Sporting em 2018/19, é uma figura do Sevilha há sete anos e, naturalmente o capitão. Por fim, há Fábio Cardoso. Formado no Benfica e com passagens de destaque por Santa Clara e FC Porto, não tem sido aposta esta época, mas sim habitual suplente não utilizado (só tem cinco jogos realizados).

O Sevilha tem assim oito jogos para salvar a temporada e cada um poderá ser encarado como uma final. O próximo é com o Atlético Madrid e ainda há uma receção ao Real Madrid. A margem de erro é mínima nestes encontros que vão definir o desfecho da época e as consequências para o futuro.

#DAZNLALIGA