Escândalo nas Maldivas: equipa falta a jogo para evitar descida de divisão
Escândalo nas Maldivas! A luta pela permanência na Dhiraagu Dhivehi Premier League, o principal campeonato de futebol das Maldivas, terminou em grande controvérsia depois de o Green Streets ter garantido a manutenção ao não comparecer no último jogo da época.
Na passada quinta-feira, o Green Streets defrontaria o New Radiant na derradeira jornada. Para evitar a despromoção, a equipa precisava de não perder por uma diferença de quatro ou mais golos. Contudo, ao invés de jogar, o clube não se apresentou em campo.
De acordo com os regulamentos da Federação de Futebol das Maldivas (FAM), a falta de comparência resulta numa derrota por 0-2. Este resultado foi suficiente para que o Green Streets se mantivesse no primeiro escalão graças à vantagem na diferença de golos, ditando a descida do seu rival direto, o Club Valencia.
O Club Valencia, que tinha vencido o seu último jogo um dia antes de jogar ao seu rival, reagiu de imediato, acusando o Green Streets de «manipular o resultado do jogo». Num comunicado, o clube considerou o comportamento dos rivais «nojento» e uma violação dos direitos tanto do Valencia como do New Radiant.
Em resposta à polémica, a FAM sancionou o Green Streets com uma proibição de transferências e uma multa de 50.000 rúpias maldivas (cerca de 2.800 euros). A federação também emitiu um aviso severo ao clube: «Se o Green Streets repetir estas ações, o comité avisa que tomará medidas ainda mais rigorosas». No entanto, a decisão crucial foi manter o resultado de 0-2, validando a manutenção do Green Streets.
«Nas Maldivas, há apenas um campo, por isso os jogos não podem ser disputados simultaneamente»
Insatisfeito com o veredicto, o Club Valencia emitiu uma segunda declaração, afirmando não aceitar a decisão da FAM. «O clube acredita que a decisão foi tomada para mostrar favoritismo», pode ler-se na nota, na qual o Valencia sugere que irá levar o caso à Confederação Asiática de Futebol e à FIFA.
Por sua vez, o Green Streets negou categoricamente as acusações de manipulação de resultados, justificando a ausência com um surto de diarreia e gripe que afetou o plantel. «A equipa e a direção estiveram presentes no local, com dirigentes e vários jogadores a chegarem a horas, demonstrando claramente a nossa intenção de competir», afirmou o clube em comunicado. «Infelizmente, um número significativo dos nossos jogadores inscritos foi afetado, o que impactou diretamente a disponibilidade do plantel no dia do jogo. Em momento algum o Green Streets agiu com a intenção de desistir ou manipular o resultado do jogo», garantiu, merecendo uma resposta de um jogador adversário.
«Nas Maldivas, há apenas um campo, por isso os jogos não podem ser disputados simultaneamente», explicou Stéphane Blanc em entrevista ao L'Équipe. Consequência? O Valencia disputou o seu último jogo um dia antes do seu rival. Três dias após a desistência, o Green Streets disputou a President's Cup com um plantel quase completo. «Ninguém estava mais doente. Passaram de 4 jogadores para 20 em apenas três dias. Não sei quanto a vocês, mas para mim isso é um milagre», ironizou o atacante francês, frustrado com a situação.