Escândalo na Argentina: suspeitas de crime organizado, lavagem de dinheiro e corrupção
A Federação Argentina de Futebol (AFA) está mergulhada numa grave crise institucional, com o seu presidente, Claudio Chiqui Tapia, e o tesoureiro, Pablo Toviggino, a serem investigados por suspeitas de crime organizado, lavagem de dinheiro e corrupção. Segundo o jornal argentino La Nación, novas provas indicam que Tapia terá recebido subornos através de entregas de dinheiro em caixas e envelopes na própria sede da federação, entre 2020 e 2022.
A investigação, que até agora não envolvia diretamente o presidente, ganhou um novo fôlego. Tapia estaria protegido por uma rede de empresas-fantasma, algumas sediadas em Madrid. O esquema foi parcialmente desvendado após uma rusga a uma mansão em Villa Rosa, Pilar, onde foram apreendidos 45 carros de luxo e outros bens de valor.
As provas em posse da justiça, que incluem mensagens de WhatsApp, revelam um fluxo constante de dinheiro entre os dirigentes. Numa das conversas, datada de 24 de setembro de 2021, a implicação do presidente torna-se clara: «(Tapia) pede-me um envelope assim na porta da AFA com 300 mil pesos (cerca de 181 euros).»
O modus operandi, descrito como típico de uma organização criminosa, incluía a gravação de vídeos onde subordinados contavam o dinheiro para «evitar traições ou desvios». Num desses vídeos, de 20 de maio de 2022, Beacon é visto a contar 100 mil euros, selando depois um envelope com uma marca específica para garantir a entrega. «Fica a marca, assim mesmo o levo imediatamente para o escritório», terá dito para a câmara.
As autoridades suspeitam que os fundos provinham do desvio de verbas de patrocinadores da seleção, como a Adidas e a Coca-Cola, para as empresas-fantasma Odeoma e TourProdEnter. O dinheiro seria depois branqueado através de «faturas falsificadas» e distribuído pelos dirigentes da AFA.
Os registos detalham pelo menos sete entregas de dinheiro, em pesos e dólares, entre 2020 e 2022, todas destinadas a Tapia. Numa outra mensagem, Toviggino escreve ao seu antigo braço-direito: «Tenho de entregar 35 mil euros. Tens de ir ao centro de treinos, é para o Tapia. O problema é que tem de ser até ao meio-dia. Na segunda-feira, à primeira hora, devolvo-te.»
Este escândalo surge a poucas semanas da Finalíssima contra a Espanha, cuja realização já se encontra em dúvida por outros motivos. A grande questão é se Claudio Tapia se manterá no cargo até à data do jogo, com a FIFA atenta a um caso que evoca o escândalo que levou à queda de Joseph Blatter.