Escândalo de arbitragem em Itália... perto de ser arquivado
A investigação que abalou o futebol e a arbitragem em Itália está perto de uma conclusão, com o processo contra o antigo nomeador de árbitros, Gianluca Rocchi, a caminhar para o arquivamento, segundo a Gazzetta dello Sport. Rocchi, que era investigado por suspeita de fraude desportiva, viu a sua situação processual alterar-se significativamente após um interrogatório de mais de quatro horas na Procuradoria de Milão.
Inicialmente, Rocchi tinha sido convocado a 30 de abril, mas optou por não prestar declarações. No entanto, numa nova convocatória, decidiu responder às perguntas da acusação, saindo do interrogatório visivelmente satisfeito. A principal alteração na acusação foi a remoção da suspeita de interferência direta na sala do VAR em Lissone, onde se alegava que Rocchi influenciava as decisões dos videoárbitros em tempo real, em violação do protocolo. As autoridades não encontraram provas com relevância criminal nestas ações.
A acusação que permanece contra Rocchi é a de ter combinado nomeações de árbitros para jogos do Inter, aceitando «fraudulentamente interferências para alterar o correto desenrolar da competição». A acusação especifica que terá agido em conluio «com elementos da sociedade desportiva Inter», que por sua vez teriam agido com base em «relações preferenciais com Gabriele Gravina, presidente da FIGC». Contudo, é de salientar que nem dirigentes do Inter nem o próprio Gravina foram constituídos arguidos no processo.
A investigação focou-se em vários jogos. Um deles foi o Torino-Inter de 26 de abril de 2026, já com a investigação em curso e Rocchi autossuspenso. Segundo a Procuradoria, Rocchi terá nomeado Maurizio Mariani «apenas após o consentimento prévio da sociedade nerazzurra, por ser um árbitro que não lhes agradava». No entanto, as provas indicam que Rocchi não falou diretamente com dirigentes do Inter, mas sim com outro elemento da arbitragem que lhe transmitiu a insatisfação do clube, tendo Mariani sido nomeado na mesma.
Um cenário semelhante ocorreu no Inter-Verona de 3 de maio de 2025, onde Rocchi terá escolhido Gianluca Manganiello para evitar Simone Sozza, outro árbitro alegadamente malvisto pelo Inter. Outros jogos sob investigação, da época 2024/2025, incluíam o Bolonha-Inter e o dérbi da Taça de Itália. Os investigadores suspeitavam de um acordo para nomear Andrea Colombo, um «árbitro apreciado» pelo Inter, e para evitar que Daniele Doveri, «pouco apreciado», apitasse jogos decisivos do clube. Ironicamente, os registos mostram que Doveri foi, na verdade, o árbitro mais vezes nomeado para jogos do Inter.
Perante a falta de provas concretas para sustentar as acusações mais graves, a Procuradoria de Milão prepara-se para arquivar o caso contra Gianluca Rocchi, o principal visado da investigação.