Enric Mas assumiu a camisola vermelha a partir da 8.ª etapa e ganhou a 9.º       Fotografia Imago
Enric Mas assumiu a camisola vermelha a partir da 8.ª etapa e ganhou a 9.º Fotografia Imago

Enric Mas vive «o melhor momento da vida» na liderança da Vuelta

Espanhol da Movistar confiante para a derradeira semana da Volta a Espanha, sem medo do contrarrelógio que aí vem, mas reconhece que há adversários com os quais terá de ter maior cuidado. Que ir ao Mundial de Montreal pela seleção

Há uma semana a envergar a camisola vermelha, Enric Mas (Movistar), vive um período de sonho na liderança da 81.ª Volta a Espanha e já sonha em suceder a Alberto Contador como o próximo vencedor espanhol da prova. Confiante para a «semana dura» que se aproxima, o corredor descreve o momento atual como o melhor da sua carreira.

«Estou bem, com vontade. Hoje é um dia um pouco mais tranquilo e há que desfrutá-lo», afirmou o ciclista durante o dia de descanso, considerando que este é «talvez o melhor momento» da sua vida, algo que «nunca» esquecerá. «Desportivamente, até hoje, estive muito bem. Depois de duas semanas e de ter vivido momentos tão difíceis nos últimos meses, é de agradecer estar assim. É verdade que há muito trabalho por trás de tudo isto».

Atualmente, Enric lidera a classificação geral com uma vantagem de 2.06 minutos sobre o austríaco Felix Gall (Decathlon) e 2.10 sobre o esloveno Primoz Roglic (Red Bull). Apesar da margem, o homem de Maiorca mantém a serenidade. «A verdade é que não me preocupa nada, mas sabemos que há um conjunto de coisas que podem acontecer em corrida, como alguma desgraça, mas não vamos pensar nisso», comentou.

A confiança estende-se aos companheiros da Movistar, cujo desempenho elogiou. «Até hoje, a equipa esteve a um nível de 10. Tivemos sempre as coisas sob controlo, por isso, nesse aspeto, estou confiante em mim e na equipa», sublinhou. Com a liderança, a estratégia mudou: «Se tens o líder da corrida, é normal que a equipa mude o chip. Já ganhámos uma etapa, por isso agora o que temos de fazer é defender-nos e tentar chegar à Alhambra», onde no próximo domingo termina a Vuelta.

Esta é a primeira vez que Mas veste a camisola de líder numa grande volta, uma experiência que descreve como «uma sensação muito especial que há que desfrutar». Embora admita pensar na chegada a Granada, prefere manter o foco no presente. «Gosto de pensar nisso, mas vamos devagar e a cumprir objetivos».

Questionado sobre os principais rivais, o líder destacou Primoz Roglic, tetracampeão da prova. «Com o Primoz tem de se contar sempre. Ele está em terceiro na geral e nunca se pode descartar. Está a mostrar um nível altíssimo e sabe exatamente como ganhar», analisou. No entanto, Enric Mas alerta para outros adversários: «Acho que, além deles os dois, há mais corredores com quem temos de ter muito cuidado. Aí está a classificação e não podemos descuidar-nos em nenhum momento. O Felix Gall é um corredor muito, muito bom, está num excelente estado de forma e devemos ter cuidado com todos».

O contrarrelógio (32,5 km) de quinta-feira é visto como uma etapa decisiva, mas o espanhol desvaloriza o seu impacto isolado. «Fala-se do crono, mas primeiro há duas etapas que também são muito importantes. A mim não me beneficia o crono, mas em cada dia de montanha consegui ganhar tempo, por isso não tenho de temer o contrarrelógio. A Vuelta são 21 dias, não apenas um de crono», frisou.

Uma eventual vitória em Granada poria fim a um jejum de 12 anos para o ciclismo espanhol, que não celebra um campeão na Vuelta desde Alberto Contador em 2014. «Alegro-me que se volte a desfrutar do ciclismo espanhol, de nós, da Movistar, que já levamos alguns anos sem liderar uma grande volta», confessou.

Para a semana final, Mas antecipa uma batalha intensa. «Acho que vai ser uma semana dura. Os adversários vão correr de forma um pouco louca e tentarão colocar-nos entre a espada e a parede, mas acredito que temos a melhor gestão a partir do carro e que nós, os corredores, estamos confiantes e tranquilos».

Por fim, Enric Mas manifestou o desejo de representar Espanha no próximo Mundial de Montreal. «É claro que quero ir, gostaria de estar com o resto da seleção para poder desfrutar do Mundial», concluiu, antevendo uma prova rápida. «Acredito que será como a clássica de Montreal, talvez um pouco menos dura, mas no final não é a bala que mata, mas sim a velocidade. Por isso, penso que será uma réplica da clássica. Esperemos ter uma seleção muito boa para podermos fazer uma bela corrida».

Depois do segundo dia de descanso nesta edição, a Vuelta regressa à estrada esta terça-feira com a 16.ª etapa a ligar Cortegana a La Rábida (Palos de la Frontera), na província de Huelva num percurso de 181,1 km.

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