Gianluca Prestianni - foto: HÉLDER SANTOS
Gianluca Prestianni - foto: HÉLDER SANTOS

A diferença que Palhinha faz numa guerra que afinal não o era

Estreia do trinco no onze libertou o golo de Barreiro no Funchal e Marco Silva provou que a convivência entre Prestianni e Schjelderup não é um dilema, mas, talvez, a grande solução...

No Funchal, o Benfica não se limitou a somar três pontos por conta da expressiva vitória por 3-0 frente ao Marítimo. No relvado pobre do estádio da Madeira, o futebol encarnado ofereceu respostas táticas profundas sobre o rumo que Marco Silva está a dar ao seu projeto, desmontando dogmas que pareciam instalados nesta fase inicial de temporada.

A primeira grande evidência tem nome e apelido: João Palhinha. A primeira titularidade do internacional português no miolo encarnado não trouxe apenas o rigor defensivo e a leitura de jogo que se lhe conhecem; trouxe, acima de tudo, libertação.

Com efeito, por conta do novo tampão a guardar as costas e a conferir uma sensação de segurança absoluta, Leandro Barreiro ganhou metros, libertou-se de amarras posicionais e surgiu com frequência em zonas de decisão.

Os dois golos (1-0 e 2-0), assinados pelo internacional luxemburguês — um atleta que esteve de malas aviadas para o futebol árabe e que permaneceu por exigência vincada do treinador —, são a prova provada do impacto indireto que Palhinha garante a todo o ecossistema da equipa.

Se no miolo a estabilidade abriu caminhos, na frente de ataque desfez-se uma narrativa inflamada. O duelo velado pela titularidade na ala esquerda entre Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup parecia ser uma guerra de exclusão mútua.

Contudo, quando o jogo no Funchal ameaçou ficar preso pela menor inspiração de Sudakov na zona central, Marco Silva mexeu com mestria: lançou o jovem norueguês para a faixa canhota e deslocou o prodígio argentino para o corredor central.

O resultado foi um momento de iluminação coletiva. Em vez de se anularam ou disputarem o mesmo espaço, a dupla dinamizou o ataque da águia com combinações vertiginosas, velocidade e pura irreverência técnica. A equipa ganhou fluidez instantânea e o auge dessa convivência traduziu-se num golaço de Prestianni a fechar as contas.

O jovem argentino vive um arranque de época fulgurante e assombroso: já contabiliza 6 golos, número que supera amplamente a soma de apenas 4 remates certeiros que registara no somatório de todas as suas épocas anteriores de águia ao peito.

Contas feitas, Palhinha estabilizou a estrutura e os miúdos provaram que a concorrência não é uma guerra de trincheiras, mas a simbiose perfeita que pode levar este Benfica a voar mais alto.

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