João Almeida (à direita na imagem) durante a etapa 12 da Vuelta
João Almeida (à direita na imagem) durante a etapa 12 da Vuelta

João Almeida e a 'sua' Vuelta: «Milagres não acontecem de um dia para o outro»

Corredor português da UAE Emirates admite que tem vindo a melhorar de forma física e que durante a última semana de prova continuará a tentar vencer uma etapa

Apesar de um ano marcado por problemas físicos, João Almeida mantém-se determinado na Volta a Espanha, uma prova em que alcançou alguns dos maiores sucessos na carreira, como o segundo lugar da classificação geral no ano passado e uma vitória no célebre Angliru. O corredor português confirmou os receios que revelou na antevisão da corrida e às primeiras dificuldades montanhosas acumulou bastante tempo de atraso para os primeiros da classificação geral.

Durante a segunda semana, após a equipa ter sofrido um duro golpe com o abandono do líder, Tadej Pogacar, Almeida, em consonância com a melhoria dos índices físicos, entrou em fugas em etapas exigentes, mas ainda sem conseguir visar a vitória. Um objetivo que certamente continuará a procurar alcançar nos dias que restam até à meta final em Granada, no domingo.  

Apesar das adversidades, João Almeida mostra-se otimista para a terceira e última semana da prova, sentindo que a condição física está a melhorar após uma época difícil. «Penso que a minha condição está a melhorar aqui, dentro dos meus limites, claro, porque os milagres não acontecem de um dia para o outro», referiu.

«Por isso, continuamos a tentar. Continuamos a dar o nosso melhor. É tudo o que posso fazer», frisou o corredor de 28 anos.

«Estamos a chegar ao limite do corpo humano»

No entanto, a luta não tem sido apenas contra os adversários e a forma física ainda insuficiente, mas também contra o calor extremo que se faz sentir no sul de Espanha, onde o percurso da prova nesta edição está concentrado. «O calor é limitador, porque estamos a chegar ao limite do corpo humano, o que é um pouco perigoso», afirmou ao Cyclingnews. As preocupações de João Almeida surgem num contexto em que as temperaturas na Andaluzia já forçaram a organização da Vuelta a encurtar a etapa de domingo em 79 quilómetros, após queixas de ciclistas e equipas.

João Almeida admite estar a sofrer com o calor extremo na Vuelta

O português sublinhou a diferença entre treinar para se ambientar ao calor e competir sob essas mesmas condições. «Faz parte da nossa preparação treinar com calor, e assim conseguimos pedalar nestas condições. Pedalamos com calma, não há problema, bebemos muita água e refrescamo-nos», explicou. «Mas competir é diferente, por isso pode ser definitivamente perigoso. Precisamos cuidar uns dos outros».

O corredor de A-dos-Francos admitiu que sempre sentiu dificuldades com o calor, destacando que o problema se agrava com a acumulação de vários dias de competição sob temperaturas elevadas. «Sempre sofri muito com isso [calor]. Para mim é difícil e afeta-me muito. Penso que é igual para todos, mas alguns rapazes lidam melhor do que outros», confessou. 

«É uma daquelas coisas em que não se pode cometer erros, senão ficamos em grandes apuros. Viram como afetou os rapazes na etapa de sábado, mas também é o dia após dia. A desidratação e o calor, sim, não são brincadeira», reforçou.

Mesmo com a etapa encurtada no domingo, os corredores continuaram a sofrer com as temperaturas elevadas. Matthew Brennan (Visma-Lease a Bike), vencedor de três etapas nesta edição da Vuelta, reportou que o computador da bicicleta mostrava uma média de 41°C e um pico de 44°C durante a etapa.

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