Dragões festejam uma vitória muito sofrida em Guimarães

Dragão levou mais do que mereceu num jogo de altíssima intensidade (crónica)

Partida frenética, em que os donos da casa foram quase sempre melhores, mas não tiveram qualidade na finalização em várias ocasiões, e noutra viram um ‘monstro’ chamado Diogo Costa dizer não ao golo de Lebedenko. Ainda pode ser cedo para falar em 'estrela de campeão', mas ela andou por Guimarães…

Um estádio D. Afonso Henriques a deitar por fora foi palco de um bom espetáculo de futebol, intenso, disputado, renhido até aolimite, que apenas teve um senão: a melhor equipa em campo saiu derrotada. Faz parte do jogo, ganha quem marca, mas a verdade é que um Vitória superlativo superiorizou-se a um FC Porto relativo; não obstante, recolheu ao balneário, para o duche final, com as mãos a abanar.

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Os vimaranenses nem podem queixar-se das duas grandes penalidades, claras, apontadas a favor dos dragões, a primeira desperdiçada por Samu e a última, à beira do fim, aproveitada por Varela. Devem, isso sim, refletir na pobreza da sua capacidade concretizadora: em 16 remates apenas três foram enquadrados, e destes somente o lance de Lebedenko levava selo de golo.

Porque quem produziu tanto e tão bom futebol, quem teve alas que dinamitaram a defesa do FC Porto, e quem foi capaz de exercer uma pressão sufocante sobre o líder da Liga durante períodos alargados da partida, merecia uma finalização do mesmo calibre.

Já o FC Porto teve sobretudo o mérito da humildade. A páginas tantas, Farioli percebeu que se queria ter hipóteses de ganhar o jogo tinha de reforçar os cuidados defensivos, e nos momentos de maior fulgor dos vimaranenses à equipa do técnico italiano não caíram os parentes na lama por travar as iniciativas do adversário muitas vezes de forma pouco académica, leia-se com o propósito único de colocar a bola longe de Diogo Costa.

Num conjunto azul e branco que não primou pela inspiração (valeu mais pela transpiração), merecem relevo duas unidades: Diogo Costa, sempre sereno, que aos 68 minutos, com o resultado em 0-0, realizou uma defesa impossível a cabeceamento violentíssimo de Lebedenko, que respondeu da melhor forma a um excelente cruzamento de Strata, da direita, ao segundo poste — esse pode ter sido o momento do jogo!; e o jovem polaco Pietuszewski, que, entrado aos 72 minutos, ainda teve tempo para mostrar descaramento nos lances de um-contra-um, disciplina tática para fechar o flanco esquerdo dos dragões, e codícia para obrigar Telmo Arcanjo a duas faltas para cartão amarelo, a primeira no lance da grande penalidade (que o árbitro perdoou) e a segunda a deixar os vimaranenses, que já tinham perdido Strata por lesão, com duas unidades a menos.

Na derrota, grande vitória

Luís Pinto preparou o jogo com o FC Porto aproveitando o alto astral da sua equipa, após a conquista da Taça da Liga. Sem medo nenhum dos dragões, os conquistadores surgiram em 4x2x3x1 com bola e em 4x4x2 sem ela, pressionado alto, o que colocou aos azuis-e-brancos problemas que muitas vezes apenas viram resolvidos graças à falta de pontaria dos donos da casa. Adotando um futebol sempre muito intenso, com Beni no meio-campo a mandar nas bolas divididas e Camara e Saviolo (que belo extremo) a fazerem a cabeça em água a Martim e Alberto, o Vitória mandou no jogo com grande clareza, obrigando Farioli a usar o pragmatismo italiano: sem ar para respirar, tal era o sufoco, o treinador portista baixou linhas, reagrupou unidades, e fechou-se o melhor que pôde, à espera que o vendaval amainasse.

Foram longos minutos em que o Vitória desaproveitou situações propícias, com o cúmulo do desperdício a surgir aos 27 minutos (logo depois de Samu ter acertado na barra o penálti que castigou uma falta de Lebedenko sobre Alberto, num lance cem por cento contra a corrente do jogo): Ndoye e Samu tiveram o peixe no anzol e deixaram-no fugir quando o herói da Taça da Liga acertou meio na bola, meio no companheiro, que também tentava finalizar.

O segundo tempo começou por trazer mais do mesmo, mas a pouco e pouco o FC Porto, mesmo sem equilibrar as operações, começou a mostrar-se ofensivamente, revelando uma maturidade de que os vimaranenses não dispõem. Assim, a partir dos 53 minutos (Gabri esteve perto de marcar) houve mais FC Porto, e as entradas de Rodrigo Mora e William Gomes obrigaram a equipa da casa a estar mais atenta defensivamente.

Depois da já aludida intervenção miraculosa de Diogo Costa (68), Borja Sainz isolou- se e rematou ao poste esquerdo (71) e um minuto depois Mora rematou e a bola saiu pouco ao lado do poste direito da baliza de Juan Castillo. Com mais argumentos no banco, Farioli fez entrar, logo a seguir, sangue novo para o ataque - Gul e Pietuszewski – respondendo Luís Pinto com Telmo Arcanjo e Diogo Sousa. Todas estas mudanças, porém, não implicaram alterações táticas. Essas só se verificaram três minutos depois do golo de Varela, quando Bednarek entrou, Alberto saiu, Martim foi para a direita, Kiwior fechou a esquerda e Varela recuou para as proximidades de Thiago e Bednarek. Farioli preparou-se para o assédio final dos donos da casa, que com a lesão de Strata e a expulsão de Telmo Arcanjo se viram privados de argumentos para chegar ao empate, pelo menos isso, que tanto justificaram.

Veja aqui o resumo do jogo: