Benfica goleia Póvoa ao ritmo do regressado (e muito esperado) Pau Bargalló
Havia um dado que já impressionava nesta temporada do Benfica, mas a noite frente ao Póvoa acrescentou-lhe uma dimensão emocional e simbólica. A goleada por 10-2 confirmou uma equipa que não conhece a derrota ao fim de 32 jogos, mas, mais do que os números, ficou marcada pelo regresso de Pau Bargalló — que acrescenta força ao presente e pode redefinir o horizonte competitivo das águias.
A 4 de junho, nas meias-finais do playoff diante do Óquei de Barcelos, o avançado espanhol sofreu uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo. Foi um momento de silêncio e apreensão: saía da pista um dos maiores talentos da atualidade, cérebro competitivo e decisor nos instantes críticos. O tempo de ausência não foi apenas físico, foi também o intervalo forçado de um jogador que dá ritmo, pausa e clarividência ao jogo encarnado. Agora, meses depois, o seu regresso funciona como um verdadeiro reforço de inverno numa equipa que já parecia completa.
Perante o último classificado, na Luz, tocaram-se os extremos da tabela. O Póvoa apresentou-se assente na expetativa, compacto e com muita disciplina, conseguindo adiar o primeiro golo graças a uma defesa paciente. Durante largos minutos, o líder esbarrou na muralha visitante. Mas o desgaste acumulou-se, os espaços começaram a surgir e a avalanche ofensiva tornou-se inevitável. Ao intervalo, o 4-0 traduzia já a diferença de argumentos.
A segunda parte foi de confirmação e também de celebração. Sem grande história no resultado, teve, no entanto, uma narrativa maior: o regresso de Bargalló ao ritmo competitivo, à influência direta no jogo, ao instinto decisivo. Primeiro, ofereceu duas assistências, demonstrando visão e leitura intactas. Depois, a 11 segundos do fim, fechou a contagem com uma picadinha subtil, gesto técnico de quem não perdeu ousadia nem sensibilidade. O golo foi festejado com particular explosão. João Rodrigues (3), Zé Miranda (2), Viti (2), Lucas Ordoñez e Nil Roca também marcaram, enquanto Tiago Pinheiro assinou os dois tentos poveiros.
O triunfo consolida o Benfica no topo, com 53 pontos, mais oito do que o Sporting. Mas, mais do que a vantagem pontual, fica a sensação de que o líder recuperou algo que pode ser decisivo na fase crucial da época: um dos melhores jogadores do mundo, pronto para voltar a ser determinante quando as decisões realmente apertarem.