Beni Mukendi encheu o campo frente ao FC Porto - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+
Beni Mukendi encheu o campo frente ao FC Porto - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+

Arcanjo caiu em cima da obra que o polvo e dois amigos ergueram (as notas do V. Guimarães)

Vitorianos foram a jogo em estado de graça e com peito cheio. Jogaram despidos de qualquer complexo, ideia que o médio angolano personificou na perfeição. Tony Strata foi uma locomotiva, Saviolo a cara do... descaramento. Entrada catastrófica de Telmo Arcanjo

Juan Castillo (5) — Teve menos trabalho do que seria de esperar. Aos 63’, aplicou-se para segurar um tiro de Alan Varela, que viria a enganá-lo com classe no penálti que decidiu o jogo. De resto, viu duas bolas baterem nos ferros.

Tony Strata (7) — Defensivamente, deu (muito) boa conta de Borja Sainz — quando o espanhol apareceu... — e assinou corte importante, aos 59’, de cabeça. A atacar, elevou o nível. E de que maneira! Veloz nas desmarcações, imprimiu grande dinâmica pelo corredor direito, dando água pela barba a Martim Fernandes. O cruzamento que fez para Lebedenko, aos 68’, levava selo de golo. Acabou o encontro completamente esgotado e teve mesmo de sair antes do apito final, deixando a equipa reduzida.

Miguel Nóbrega (6) — Atravessa fase de ressurgimento na época vimaranense. Concentrado, foi limpando o que lhe apareceu pela frente, sem complicar. A meias com Abascal, controlou muito bem Samu (o do FC Porto), mas, aos 71’, viu Borja Sainz escapar pela sua zona. Valeu a pontaria demasiado afinada do extremo espanhol...

Rodrigo Abascal (6) — Num registo mais físico do que o de Nóbrega, não deu um palmo de terreno a Samu. Também foi mais solicitado na hora de sair a jogar desde trás e cumpriu. Exibição de bom nível do uruguaio!

Lebedenko (4) — Muito mais discreto do que Strata. Em queda, derrubou Alberto Costa e cometeu grande penalidade (25’), indo contra o excelente trabalho que os vimaranenses vinham a fazer na primeira metade. Já aos 68’, teve o golo na cabeça, mas na baliza portista estava um monstro chamado Diogo Costa...

Gonçalo Nogueira (6) — Essencial na pressão que manietou por completo o FC Porto na primeira parte, nunca mostrou medo de ir ao choque. Perdeu algum gás no segundo tempo, mas só saiu na ponta final do jogo, quando já ocupava zonas mais subidas.

Oumar Camara (6) — Viu Martim Fernandes bloquear-lhe o remate que fez aos 3', no coração da grande área, e apanhou Kiwior de surpresa numa recuperação subida, aos 10'. Entendeu-se bem com Tony Strata e é um caso sério no um para um: quando embala, é difícil travá-lo, quer pela direita, quer pela esquerda. Rendido aos 75’.

Samu (6) — Testou a atenção de Diogo Costa (10’) e, aos 27’, podia ter feito golo, mas Ndoye atrapalhou-o na hora do disparo. Não se escusou a recorrer à falta para travar desequilíbrios defensivos, primando pela coesão oferecida ao miolo vitoriano. Saiu na segunda leva de alterações.

Noah Saviolo (7) — Voltou a estar endiabrado e é, nesta fase da época, o grande perigo à solta na equipa de Luís Pinto. Semeou o pânico na área do FC Porto, logo aos 3’, e ainda trocou as voltas a Alberto, aos 20’. Agitador por natureza, nunca deixou o lateral-direito dos dragões descansado, ganhando também alguns duelos à instituição Thiago Silva. Uma prova inequívoca de irreverência, pois claro. E com tanta margem para crescer...

Alioune Ndoye (6) — Não dormiu à sombra da fama que conquistou na Taça da Liga e mostrou que é mais do que uma referência na área. Trabalhou muito em apoio, descendo no terreno para promover jogo associativo. Aos 27', foi com tanta sede ao pote que acertou em Samu, acabando por tirar o pão da boca ao companheiro. Ainda criou perigo num disparo de longe.

Gustavo Silva (4) — Foi a primeira carta que Luís Pinto sacou da manga, entrando na fase em que o FC Porto começou a crescer. Talvez por isso não tenha tido o impacto desejado.

Telmo Arcanjo (2) — Para esquecer. Entrou com o intuito de refrescar o ataque minhoto, mas agitou pela negativa mais atrás. Amarelado numa das primeiras ações que teve, cometeu o penálti decisivo sobre Pietuszewski. Um nome que vai dar-lhe pesadelos, pois ainda acabou expulso por nova falta sobre o jovem polaco.

Diogo Sousa (5) — Teve a missão de dar novo fôlego ao meio-campo, subindo Gonçalo Nogueira no terreno. Fiel à imagem que já tinha deixado em jogos anteriores, rejeitou virar a cara à luta.

Mitrovic (-) — Lançado no assalto final à grande área do FC Porto, acabou por não ter preocupações defensivas de maior, mas também não fez a diferença a atacar.

Fabio Blanco (-) — Um par de ações interessantes pela direita na fase do desespero. Sem efeitos práticos.

A figura - Beni Mukendi (7)
Além dos tentáculos que parecem multiplicar-se no relvado, terá, certamente, mais do que dois pulmões. Que jogo do internacional angolano! Ativou o modo polvo na final four da Taça da Liga e ainda não foi ontem que desligou o botão. Jogou em toda a largura do campo, acumulando recuperações no miolo. Aos 24’, ainda deu uma perninha no ataque, ao subir para servir Miguel Nóbrega com perigo. Manteve o nível na etapa complementar. Aos 52’, ganhou a frente a Samu e desenvencilhou-se do espanhol com tremenda classe. Logo depois, atrapalhou Gabri Veiga, que ia em zona privilegiada. Não escapou ao amarelo — falha a deslocação ao Estoril —, mas isso não lhe tirou foco. Ainda fez um corte providencial na área e nunca cedeu à pressão dos adversários. 'Sacrificado' na reta final, foi dos que menos mereceu o resultado.
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As notas do Vitória de Guimarães

Suplentes utilizados: Gustavo Silva (4), Telmo Arcanjo (2), Diogo Sousa (5), Mitrovic (-), Fabio Blanco (-)