Domingos Paciência: «Portugal não é exceção na luta pelo título»
O Estádio do Dragão recebeu, ao início da tarde, o Troféu Original do Campeonato do Mundo, numa cerimónia marcada pela presença de várias figuras do universo futebolístico e não só. O momento serviu para assinalar a contagem decrescente para o Mundial de 2026 e projetar já a ambição portuguesa para as próximas edições da prova.
Num curto discurso, Domingos Paciência, diretor da FPF, sublinhou o peso simbólico da taça mais desejada do futebol mundial. «Poucos objetos no mundo têm tanto simbolismo como o troféu de campeão do mundo. Duas figuras a segurarem o mundo, não existe maior representação do futebol. Objeto de desejo e ilusão naqueles seis quilos dourados, onde reside o sonho de milhões de pessoas. Um troféu mítico, criador de heróis do nosso imaginário, da glória feita de suor e lágrimas», afirmou.
O dirigente evocou ainda a dimensão histórica e agregadora da competição: «De 1930 aos dias de hoje, uma taça capaz de unir povos e religiões, numa celebração de sempre no Campeonato do Mundo de futebol». E apontou já ao próximo desafio: «No dia em que recebemos esta taça em Portugal é altura de começar a contagem decrescente até ao início do Mundial. Faltam 126 dias para o início de um torneio inesquecível, que irá parar o mundo. Com 48 seleções a lutar por um objetivo: ser campeão do mundo e Portugal não é uma exceção».
O antigo jogador dos dragões e da seleção deixou clara a ambição nacional: «O futebol português e a nossa seleção assumem esse objetivo sem rodeios, com respeito por todos os adversários, mas sempre com muita ambição. Iremos ao Mundial para fazer o que nunca foi feito». E projetou já 2030: «Nos próximos quatro anos, Portugal será uma nação do futebol ao serviço do mundo. O tempo passa depressa e dentro de quatro anos seremos com orgulho um dos organizadores do Campeonato do Mundo em 2030, no ano em que a maior prova desportiva cumpre o seu centenário. E um dos palcos será o Dragão. Será um prazer receber-vos em Portugal e viver a emoção de um Mundial com todos».
De relembrar que, Portugal, Espanha e Marrocos irão organizar o Mundial 2030, com a Argentina, Uruguai e Paraguai a receberem os jogos inaugurais das respetivas seleções.
Também Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, destacou a ligação profunda entre cidade e futebol. «Falar do Porto é falar de uma cidade com um carácter muito especial e uma identidade muito vincada. É falar de uma cidade insubmissa, íntegra, que nunca se vergou ao longo da sua história. É falar de uma cidade que aprendeu a remar contra a corrente e a transformar as dificuldades em forças», afirmou, reforçando que «o futebol é um desporto que representa bem a alma portuense».
O autarca acrescentou ainda que «no Porto, o futebol não se explica, sente-se» e sublinhou que «tal como a cidade que o viu nascer, o FC Porto enfrentou dificuldades, centros de poder maiores, recursos com outros benefícios e respondeu sempre da mesma maneira: com trabalho, ambição, resiliência e uma crença inabalável em si próprio».
O momento alto da cerimónia foi a revelação do troféu por Roberto Carlos, antigo internacional brasileiro e campeão do mundo, que não escondeu a emoção ao regressar ao Porto. «Quero agradecer ao por me abrir as portas para eu voltar aqui. Na minha altura o FC Porto jogava no Estádio das Antas, mas o clube continua a ser o mesmo. Ter ganho o Campeonato do Mundo ainda hoje é um motivo de muita alegria e ainda hoje fico emocionado ao levantar o troféu que todas as seleções querem ganhar. Espero que o Brasil consiga chegar à final. Tem sido um dia maravilhoso aqui em Portugal», afirmou.
O antigo lateral recordou ainda os duelos frente aos dragões: «As memórias são as melhores possíveis, digo que o FC Porto sempre foi uma referência na minha vida. Os jogos que fiz contra o FC Porto sempre me trouxeram muita sorte, o último que fiz acho que foi pelo Fenerbahçe e já não me lembro do resultado, mas lembro-me de que foi um jogo bonito de se ver. O Fenerbahçe estava numa fase de crescimento, querendo ser alguém, o FC Porto já era um Clube com muita história. Foram momentos inesquecíveis na minha vida». E acrescentou: «Claro que ganhar uma Liga dos Campeões é importante, a Champions é uma referência, mas ganhar o Mundial representando o meu país vai estar sempre em primeiro plano».