Andebol luso conquistou maior vitória da sua história - Foto: IMAGO
Andebol luso conquistou maior vitória da sua história - Foto: IMAGO

Do andebol ao Sporting: chama-se cultura de vitória!

O desporto português já não vive só de milagres ou de carolice, mas de continuidade e trabalho, o que, passo a passo, leva a que se esteja mais perto de vencer. Não chega, mas já é qualquer coisa

Que grande dia para o desporto português! Primeiro, o andebol. Onde antes se ameaçava, mas não se cumpria, simplesmente porque os demais tinham e têm há muito mais e maiores argumentos, hoje bate-se com frequência o pé à realeza. Já se ouvem outros selecionadores, como o dinamarquês, lembrar que «Portugal é das melhores equipas do mundo». Num país onde o futebol é o eucalipto que tudo seca à volta, receber este elogio de um tetracampeão mundial, mesmo em momento de justificação de derrota inesperada, é absolutamente fantástico e poderoso. É, só por si, uma conquista.

No entanto, nada isto é de gestação espontânea, ainda que neste país se acredite tanto em milagres. Por não fazer nada para que não sejam necessários ou porque simplesmente se tem sempre essa fé. Mas repito: não aterrou agora vindo do nada. Há trabalho de continuidade, uma geração de ouro e o crescimento gradual, torneio após torneio, com triunfos importantes, antes impossíveis —e derrotas incontroláveis, que também moldam o caminho —, criando uma cultura de superação e de vitória. Agora, aconteça o que acontecer neste Europeu, há que aproveitar a vertigem e manter o momento.

São estas vitórias, e as de modalidades como o judo, a canoagem, o ciclismo, mesmo o futsal, entre outras, que quando surgem nos deveriam obrigar a parar. E repensar. Talvez, apenas talvez, fosse útil aproveitá-las para reestruturar o desporto escolar, que pode, além da sua importância para a saúde, potenciar estes desportos. Se já têm a força que têm, imaginem com mais praticantes, mais adeptos e ainda mais entusiasmo.

Horas depois, o Sporting fez cair o campeão europeu. Vi ao longo das últimas décadas, os leões encherem o balão para sofrerem derrotas inesperadas, umas mais escandalosas que outras até com equipas bem ao alcance. Muitas fazem parte do folclore do futebol português. Esse Sporting não teria certamente vencido ontem. Não teria aguentado a pressão, continuado organizado, teria talvez ido emocionalmente abaixo com o empate. Não foi e o PSG reclama hoje injustiça.

Este leão é a soma dos últimos anos. Mais uma vez, da continuidade, ainda que com mudanças na liderança técnica, em que cresceu até ao topo do topo do futebol português e foi somando boas prestações na Europa. Camada após camada, também aqui se criou cultura de vitória, que suportará sempre quando não se ganhe uma ou outra vez.