Jorge Jesus tem sido muito crítico nos últimos dias - Foto: IMAGO
Jorge Jesus tem sido muito crítico nos últimos dias - Foto: IMAGO

O árbitro no Rio Ave-Benfica, JJ e o Hilal, e assobios no Real: o futebol sem sentido

A 'silly season' já não vive apenas do mercado. Espalhou-se às decisões, aos discursos, às bancadas e até aos silêncios quando se devia explicar. No futebol de hoje, o racional tornou-se exceção

Já sabíamos que vivemos tempos de silly season. Assim que o mercado abre, a racionalidade consome-se. Sobretudo neste mês, quando se têm de resolver problemas que se arrastam desde o verão. Sabendo das dificuldades de quem quer comprar, os vendedores fazem-se difíceis, o preço dispara ou então atira-se um pouco ao lado, esperando que seja do mesmo quilate.

Há questões emocionais, que levam a que clubes, que todos julgavam crescidos, apostem em jogadores que os deixaram sem grande emoção ou rentabilização, reabrindo ciclos há muito encerrados. Ou teimam em pensar pequeno, apostando em reforços de patamares abaixo, quando têm das melhores academias do planeta. Não é, no entanto, o mercado a única coisa a escapar ao racional.

A intervenção de Cláudio Pereira em Vila do Conde, depois de chamado pelo VAR para confirmar a mão na bola de Athanasiou e eventual penálti a favor do Benfica, foi bizarra. Aquele «após revisão, vê-se que o jogador número 3 não faz falta» pouco explica e tudo deixa no ar, contrariando a razão da existência destes momentos. Faltou só um «porquê?» e o «porque sim!» infantil, de volta, para criar cenário ainda mais surreal. Mais lógico foi o posicionamento de Barreiro no meio-campo, ainda que só tenha acontecido porque se esgotaram opções. Já sobretudo emocional foi a entrada forte das águias depois do adormecimento em jogos decisivos que perderam e deixaram pouco agora por ganhar.

Venham daí. Em Madrid, assobiou-se Vinícius mais do que os outros com o Levante e o brasileiro chorou antes de entrar em campo. Não poderiam certamente esperar os adeptos exibição brilhante após tais manifestações, direcionadas também para outros, como Bellingham e Tchouaméni. Ainda menos racional foi a sua distribuição em campo na primeira parte, com Mbappé a colar-se a Vini sobre a esquerda, com uma autoestrada vazia do outro lado. Quis Arbeloa defender-se, defendendo o estatuto de ambos num balneário que ajudou a arrumar com Xabi Alonso? Enfim, só o reequilíbrio na segunda metade e a irreverência de Guler salvaram o Real de mais um mau resultado. Já Florentino Pérez, a quem o Bernabéu pediu declaradamente a demissão, assistiu da tribuna como se nada fosse com ele. Lógico.

Na Arábia Saudita, Jorge Jesus queixa-se de o Al Hilal ser o clube favorito do Estado e, como tal, favorecido. E até pode... Esperem lá: qual era o anterior clube do português, mesmo?