O esloveno Tadej Pogacar está permanentemente debaixo de fogo. IMAGO
O esloveno Tadej Pogacar está permanentemente debaixo de fogo. IMAGO

Cabelo louro de Pogacar alimenta suspeitas de doping

Desde os escândalos de Virenque e Ricco, criou-se a ideia popular de que a descoloração capilar seria um método para ocultar o uso de substâncias dopantes. O louro platinado de Pogi incendeia as redes sociais, a cada novo sucesso. A medicina desmente, mas a saga continua

Após mais uma exibição dominante de Tadej Pogacar na Strade Bianche, o seu novo visual com cabelo descolorado gerou especulação sobre doping. Um especialista na matéria, o Dr. de Mondenard, desmistifica a teoria, explicando que não existe qualquer fundamento científico que a sustente.

A recente mudança de visual do ciclista esloveno, que agora exibe cabelo loiro platinado, foi associada por alguns a uma era sombria do ciclismo, na qual atletas como Richard Virenque e Riccardo Ricco adotaram o mesmo estilo. Criou-se a crença popular de que a descoloração capilar seria um método para ocultar o uso de substâncias dopantes em análises ao cabelo.

Porém, ouvido pelo site Sports.fr, Dr. Mondenard, médico desportivo e especialista em doping, refuta categoricamente esta ligação. «A dominação de Tadej Pogacar na Strade Bianche, nas clássicas e no Tour de France causa urticária aos que odeiam o ciclismo. Para confirmarem a sua certeza de que ele está dopado, alguns baseiam-se... no seu cabelo loiro oxigenado!», lamenta o especialista.

Mondenard sublinha que não há provas científicas que relacionem a coloração do cabelo com o doping. Além disso, aponta que a mudança de visual de Pogacar é recente, enquanto o seu domínio no pelotão já dura há vários anos. O médico acrescenta um pormenor técnico crucial: «A EPO, produto principal do doping nos desportos de resistência como o ciclismo, devido ao seu tamanho, não é detetável por análise capilar».

O especialista esclarece ainda que, mesmo que a descoloração possa reduzir vestígios de certas drogas como cocaína ou opiáceos, estas substâncias raramente são usadas para melhorar o desempenho e são facilmente detetadas nos controlos de urina. Recorde-se que a maioria dos testes antidoping são realizados através de análises ao sangue e à urina.

Para ilustrar a falta de lógica da suspeita, o Dr. de Mondenard estabelece um paralelo com outro desporto. «O futebolista Antoine Griezmann joga há anos com o cabelo cor-de-rosa fluorescente. Curiosamente, ninguém vê nisso um indício de doping... apesar de o futebol não estar isento da medicalização do desempenho», observa.

O próprio Tadej Pogacar já tinha explicado a origem da sua escolha capilar, afirmando que não se tratava de uma homenagem a qualquer ciclista, mas sim ao rapper Eminem, de quem é um grande fã.