Hans Erik Odegaard, pai de Martin, e treinador do Lillestrom - Foto: IMAGO - Foto: IMAGO

De Madrid a ganhar mais que Zidane ao topo na Noruega: a incrível história do pai Odegaard

Um apelido que dita as leis no país e não apenas por causa de Martin

Há apelidos que parecem destinados a carregar um pouco da história do seu país. No futebol norueguês, esse é Odegaard. Se o mundo se habituou desde muito cedo a ver Martin, primeiro como promessa do Real Madrid, depois já como capitão do Arsenal, a espalhar magia, 2026 marca a ascensão definitiva de outro protagonista da família: o seu pai, Hans Erik Odegaard.

Ao comando do Lillestrom, Hans Erik não está apenas a treinar com sucesso. Reescreve os livros de recordes com uma autoridade que começa a ecoar por toda a Europa.

Uma época para a eternidade: 40 jogos, zero derrotas e Taça

O registo que Hans Erik Odegaard apresenta no Lillestrøm parece saído de jogo de computador ou consola. Desde a sua chegada, o técnico de 52 anos assina uma folha de serviços imaculada: em 40 jogos oficiais, soma 35 vitórias e 5 empates. Zero derrotas.

O desempenho não resultou apenas na conquista do título e na subida à Eliteserien, o primeiro escalão, como também selou uma temporada histórica durante a qual o Lillestrom se tornou uma fortaleza tática. A equipa não só garantiu a promoção, como o fez com um estilo de jogo proativo e dominante, provando que a visão estratégica é um traço genético na genética Odegaard.

Há 6 de dezembro, o Lillestrom ganhou a Taça da Noruega, por 3-1 ao Sarpsborg 08. Dentro de cinco dias, arranca na liga principal com toda a expetativa à sua volta. Afinal, será que os canários podem lutar pelo sexto título da sua hitória, o primeiro desde 1989? O Alesund será o primeiro adversário, no Color Line Stadion.

O 'mestre' que ganhava mais do que Zidane

A trajetória de Hans Erik para chegar ao topo foi invulgar. Antigo médio com passagens marcantes pelo Stromsgodset (241 jogos) e Sandefjord, o seu nome saltou para as manchetes mundiais em 2015, mas por razões financeiras.

Quando Martin assinou pelo Real Madrid, o contrato do pai como treinador das camadas jovens dos merengues causou espanto. Entre salário e um prémio de assinatura de três milhões de euros, Hans Erik auferia um rendimento anual equivalente a cerca de 957 mil euros. Na época, este valor superava o ordenado de Zinedine Zidane, que comandava o Real Madrid Castilla por cerca de 600 mil euros anuais.

Se na altura muitos viram o contrato como uma cláusula familiar, os resultados no Lillestrom sugerem que o Real Madrid tinha, de facto, um técnico de elite sob contrato.

Identidade tática: o 'ADN Odegaard'

No banco do Lillestrom, Hans Erik implementou um 4-3-3 de matriz ofensiva, onde a posse de bola e a pressão alta são inegociáveis. É um futebol que guarda semelhanças com o Artetismo que orienta o filho Martin em Londres: ocupação inteligente dos espaços, médios criativos com liberdade e uma organização defensiva que raramente se deixa expor.

Após quatro temporadas de crescimento no Sandefjord, a mudança para o Lillestrom foi o passo definitivo. Hans Erik pegou num gigante adormecido e transformou-o talvez na equipa mais temida da Noruega.

Com o título no bolso e a invencibilidade como cartão de visita, o desafio agora é o primeiro escalão. Na Noruega, já ninguém duvida: o apelido Odegaard é, hoje, a maior garantia de sucesso do país, seja com a bola nos pés na Emirates ou com o bloco de notas na mão no banco dos Canários.