Esqueçam lá isso do campeão de inverno, alvíssaras aos já vencedores
Esqueçam lá isso do Campeão de Inverno, porque nunca pegará, tenha ou não hashtag ou a final conte ou não com os grandes. É uma Taça, que, honestamente, nunca encaixou muito bem na realidade desportiva no país e ainda teve alterações a mais para que fosse levada sempre a sério. Não é um campeonato, não há campeão de inverno. Apenas isso.
Não deixem, no entanto, que o aparte desvalorize a final de hoje. SC Braga e Vitória de Guimarães são brilhantes finalistas, merecedores de toda a pompa e circunstância. Já de certa forma vencedores. Os de Luís Pinto eliminaram FC Porto e Sporting, ainda que estes possam alegar especificidades que os fragilizaram, e os de Carlos Vicens bateram sem espinhas um Benfica que tinha uma oportunidade de ouro, já sem os leões pelo caminho, para garantir um troféu que atenuasse a seca e a crise que se anunciam para os lados da Luz.
Os arsenalistas, confesso, já me desiludiram muito. Vi, em alguns jogos, uma bela ideia de jogo que nem o líder do campeonato terá ainda apresentado. Não digo que tenha ficado a esperar salto imediato para a luta pelo título, talvez apenas maior proximidade dos primeiros. Depois de Vicens se ter encontrado finalmente com as melhores decisões, falta-lhe agora dotar o grupo de consistência e regularidade. É verdade que o investimento no verão foi alto, mas ainda não chega. Talvez se sinta falta de mais uma ou outra camada de talento, sobretudo na linha defensiva e no avançado-centro, que, com um período alargado de estabilidade proporcionado por António Salvador, empurre o SC Braga para o estatuto que há muito procura.
Claro que o rival Vitória não está neste patamar ainda. No entanto, percebe-se a aposta, o rumo, até o rejuvenescimento, e espera-se que também, como histórico que é, continue a bater o pé aos mais fortes e se assuma como classe média-alta do futebol indígena, que tanto dela precisa. Também em Guimarães se pode aproveitar a Taça como meta intermédia de uma evolução contínua. Capital humano tem-no, sem dúvida, na multidão de adeptos.
Com um Minho fértil no (bom) futebol — na Liga, Gil Vicente é o 4.º, SC Braga o 5.º, V. Guimarães o 6.º, Moreirense o 7.º e o Famalicão 8.º — esta final não poderia ter oponentes mais lógicos. Mas que seja então mais que isso. Que seja o início de uma consistência que eleve as duas equipas a patamares mais altos daqueles em que geralmente lutam. Talvez lhes faça mais falta do que o próprio caneco.