Diogo Brito: «Estamos melhor do que nunca»
«A Espanha é e sempre foi uma das seleções mais fortes a nível europeu. Sabemos que podemos esperar uma equipa fortíssima, com jogadores de muita qualidade, que praticam um basquetebol bastante bonito de se ver. E eu, como estou lá há alguns anos, sei como é e sou fã da maneira como jogam. São fortes, mas também estou confiante na nossa Seleção», declarou Diogo Brito sobre o muito aguardado embate desta sexta-feira (20h00), que terá lugar no Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça.
Um Espanha-Portugal a contar para a jornada inaugural da segunda fase de qualificação para o Mundial Qatar-2027 em que, apesar de ter passado um ano e o momento ser outro, é difícil não recordar a única vitória dos Linces (74-76) sobre aquela que apelidam de La Familia, agora treinada por Chus Mateo. A seleção espanhola é líder (11 pts) do Grupo I — os pontos transitaram da fase anterior — e ocupa a 6.ª posição do ranking mundial FIBA e a 4.ª da Europa.
Portugal, que está em 4.º da poule (9 pts) e tem seis embates para tentar integrar os três melhores — à frente estão Ucrânia (10 pts) e Montenegro (10 pts) —, é a 45.ª seleção mundial e 24.ª continental.
Antigo colega de Neemias Queta na Universidade de Utah State, onde atuou quatro épocas, Brito, de 29 anos, nunca regressou a Portugal e apostou numa carreira em Espanha. Depois de seis temporadas na LEB Oro (atualmente designada Primera FEB), esta época terá a oportunidade de jogar na ambicionada Liga ACB, provavelmente a segunda melhor liga mundial, mantendo-se ao serviço do Obradoiro.
«Temos vindo a crescer e estamos melhor do que nunca para defrontar uma formação de topo como a Espanha», reforça ainda o extremo que, depois do EuroBasket-2025, volta a ter a oportunidade de atuar oficialmente com Neemias Queta, que não pôde participar na primeira fase do apuramento por se encontrar na NBA.
«É-nos simples readaptar a jogar com o Neemias porque se trata de um tipo de jogador que facilmente se adapta às equipas, neste caso à Seleção. Ele não requer muito protagonismo e facilmente encontra os seus pontos onde pode ajudar. Como é óbvio, defensivamente, a diferença da sua presença é brutal», vai contando.
«Mesmo ofensivamente, não é um jogador que precise de consumir demasiado para ajudar muito e, felizmente, o Neemias ajuda-nos bastante. É o nosso melhor jogador, o elemento mais importante, mas, ainda assim, a equipa continua a jogar de maneira confortável. Mesmo quando ele não está, a diferença na fluidez não é muita no sentido de nos fazer retrair como jogadores, ou seja, a qualidade e a fluidez do jogo são as mesmas. A diferença é que com ele ainda se torna maior», faz questão de salientar outro dos basquetebolistas em quem Mário Gomes mais aposta.
E essa fluidez continua a ser a arma da Seleção, porque nem sempre conta com um conjunto muito alto quando Neemias e agora Rúben Prey estão ausentes, passando mais pelos bases e extremos? «Acho que sim. Temos uma equipa muito versátil, defensivamente muito forte, onde vários jogadores conseguem defender muitas posições e isso é importantíssimo para sermos uma equipa sólida a nível defensivo?, salienta Diogo.
«E agora, tendo esta âncora que é o Neemias e também o Rúben, que dão uma proteção extra a nível do aro e do ressalto, nós, que somos exteriores, podemos apertar ainda mais. Sentimo-nos com maior conforto porque sabemos que as ajudas vão lá estar e isso é uma arma fortíssima que possuímos como Seleção. Mostrámo-lo no Europeu, onde fomos das melhores defesas; portanto, será, sem dúvida, algo de que temos de tirar proveito», rematou Brito, que, depois dos triunfos da passada semana na Turquia face ao Egito (91-87) e ao Líbano (82-90), tem hoje um teste a doer contra adversários que encontrará na ACB, outros que já passaram pela NBA, acabaram de entrar no draft ou que, como acontece com Hugo González, já jogam com Neemias em Boston.