Diogo Costa é o único guarda-redes dos grandes 'que vale pontos'
Diogo Costa é, muito provavelmente, o guarda-redes português mais completo que já vi jogar. E vi Bento fazer das limitações físicas impossibilidades quânticas, Damas carregar elegância em cada voo e Vítor Baía ser inúmeras vezes intransponível, último baluarte atrás de uma defesa de betão. Diogo Costa garante pontos como poucos e, ano após ano, temo-nos preparado para que saia. Divididos sempre entre o que o seria um justo prémio para o jogador e o lamento pelo empobrecimento da nossa Liga. É o que faz sentido. Só que nunca 'é desta'.
O Bayern já teve de procurar o sucessor de Neuer, o Manchester United de ir em busca de alguém mais seguro do que Onana. O Barcelona, por sua vez, viu-se sem Ter Stegen por lesão, antes de abdicar do alemão. E por aí fora. Chegará a vez de Courtois e Oblak em Madrid, ou de Sánchez em Londres. E de outros noutros lugares. Porque o efeito dominó existe. É o Diogo que não sai do mesmo sítio.
Sente-se que, não querendo, os dragões até veem com bons olhos que o seu guarda-redes se deixe querer. Seriam muitos milhões bem-vindos para continuar a alimentar a reestruturação. A porta nunca fica fechada, porém ninguém volta a passar por perto e bate para tentar entrar. É demasiado caro num momento em que não é moda. Sim, Kepa não vale os €80M que custou ao Chelsea, tanto que já não lá está, Alisson Becker talvez tenha chegado aos €73M com variáveis no Liverpool e até Onana enchido os cofres do Inter, há três anos, com 52,5M. Mas a febre terá passado. Vender Diogo Costa atiraria o negócio para um recorde que poucos parecem dispostos a quebrar.
Os melhores deveriam jogar com os melhores. Só que, por enquanto, ganhamos nós e a Liga. A diferença entre os, para já, três candidatos ao título vai começar precisamente aí, na baliza. O campeão nacional tem alguém que desequilibra ao bloquear o que o processo defensivo não consegue filtrar. E é precisamente onde o FC Porto está cheio de certezas que os rivais têm dúvidas.
Kaique chegou ontem para o Sporting e não há quem pense que isso incomoda Rui Silva, que é competente, pouco dado ao erro, porém incapaz de fazer diminuir a baliza com a sua presença.
Já Marco Silva inverteu a hierarquia com coragem, todavia, poucos até aí no clube veriam Samuel Soares como dono da baliza. Tem potencial, mas precisa de fazer o seu caminho. E se Trubin nunca foi o que na Luz se pensou dele, talvez seja altura de haver um número 1 inequívoco.