Sem peninha do Palhinha
João Palhinha, na oficialização como reforço do Benfica
João Palhinha foi oficializado ontem como reforço do Benfica, com contrato até 2030. Aos 31 anos, e depois de quatro temporadas fora de Portugal, o médio volta a Lisboa. Para trás deixou um lucrativo salário no Bayern, e ontem admitiu que abdicou de muito para rumar à Luz, mas confesso que não tenho pena — nem ele a pretende; quando explicou a situação não me pareceu que fosse para obter compreensão ou simpatia.
Objetivamente, é verdade. Palhinha deixou muito dinheiro na Baviera para poder voltar a Portugal. Mas ninguém lhe apontou uma arma. E a felicidade que procura, em campo — numa equipa onde possa sentir-se importante, num clube onde era muito desejado, com um treinador que o conhece bem — e fora dele — com a proximidade dos dois filhos —, tem custos, neste caso financeiros.
Se o dinheiro fosse o mais importante, Palhinha podia ter ficado em Munique, mesmo sem jogar, ou rumado a outras paragens. Não teria dificuldade em encontrar clube que lhe pagasse o mesmo, ou quase.
Aos 31 anos, depois de quatro épocas fora do país, e separado da mãe dos filhos, deu prioridade à vida familiar e à realização desportiva. É compreensível. E por muito menos que vá receber, é difícil sentir pena por alguém que terá um salário líquido entre 2,5 e 3 milhões de euros por época. Talvez não chegue para os netos, mas é suficiente para os filhos nunca terem de trabalhar na vida.