Pedro Gonçalves quando tudo eram sorrisos. Foto Grafislab
Pedro Gonçalves quando tudo eram sorrisos. Foto Grafislab

Pote: faltou sempre um bocadinho... e agora falta um bocadão

À falta de explicação cabal, que vá além dos «ciclos» e seus alegados finais, torna-se incompreensível ter um jogador como Pedro Gonçalves num impasse como o que ele vive neste momento

É um crime lesa-futebol, a uma semana do fecho do mercado de verão, ver um jogador como Pedro Gonçalves sem eira nem beira. Tem contrato com um dos melhores clubes portugueses, onde foi mais do que feliz e com o qual tem contrato por mais quatro anos, mas está há dois meses na plataforma de saída sem encontrar o portão de embarque adequado.

Um futebolista desta qualidade é um bem raro, e o Sporting entendeu-o muito bem, há uns anos, quando não se importou de ir pagando ao Famalicão até ter os direitos desportivos quase todos na mão. Assim que chegou, arrasou. Ajudou o leão a recuperar títulos e estabeleceu um recorde de golos marcados por um centrocampista que originou interessantíssima luta com Pizzi, do Benfica, que também não se deixou ficar.

Representou, anos a fio, parte da identidade do Sporting, com ou sem Ruben Amorim. Não foi sempre feliz com as lesões, e talvez por isso lhe tenha faltado sempre um bocadinho. A começar por um bocadinho de sorte, porque não aconteceu uma nem duas vezes estar convocado para a Seleção Nacional e falhar as operações por pequenas ou médias lesões.

Quando finalmente foi a uma grande prova internacional por Portugal, incumbente do estatuto de melhor marcador da Liga portuguesa, ficou a ver os jogos todos do banco.

Um jogador como Pedro Gonçalves ter apenas quatro internacionalizações A é um fenómeno que alguém, um dia, poderá explicar. Eu gostava de perceber.

Assim como gostava de perceber como é que um grande clube como o Sporting tem um grande jogador como Pote sob contrato e, percebendo como está a perceber que as saídas já não são muitas e muito menos airosas, não faz marcha-atrás, resolve internamente o que tem a resolver e o integra de vez nos planos para a nova época, nos quais poderá ainda caber e com muita pertinência.

Hjulmand e Morita saíram para onde queriam. Tudo certo. Trincão saiu para onde lhe pagaram mais, embora — com todo o respeito pelas opções de cada um — não consiga deixar de achar que podia ser bastante mais ambicioso do ponto de vista desportivo sem perder, propriamente, qualidade de vida.

Pedro Gonçalves, simplesmente, não está a ter saída. Não sabemos por que razão ou razões. Limitamo-nos a constatar que o Sporting arriscou todo um mundo novo mas talvez pudesse enquadrar algum passado recente no processo.

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