Rafael Lisboa mantém-se como um elemento constante de utilização por parte de Mário Gomes    Fotografia Miguel Nunes/A BOLA
Rafael Lisboa mantém-se como um elemento constante de utilização por parte de Mário Gomes Fotografia Miguel Nunes/A BOLA

Rafael Lisboa: «Jogar com o Neemias é incrível»

Com o jogo frente a Espanha, de qualificação para o Mundial Qatar-2027, marcado para sexta-feira, o base da Seleção partilhou com a A BOLA como é jogar ao lado do poste dos Celtics e o que espera do embate

Cumpridos, na passada semana, com vitórias contra o Egito (91-87) e Líbano (82-90), os dois jogos de preparação em Istambul, a Seleção tem, esta sexta-feira (20h00), um aliciante desafio ao defrontar a Espanha, em Saragoça, no arranque da segunda fase de qualificação para o Mundial Qatar-2027.

Adversário que os Linces apenas derrotaram por uma vez (74-76) no seu historial, em agosto de 2025, num particular em Málaga que serviu de preparação para o EuroBasket-2025. Dois dias depois, viriam a ser batidos (64-63) pela Espanha B, com o selecionador Mário Gomes a fazer outra gestão, uma exibição mais fraca, e com a ausência de Neemias Queta por precaução, após ter-se magoado no embate anterior.

Volvido um ano, Portugal volta a enfrentar a 6.ª seleção do ranking mundial, 4.ª da Europa e líder do Grupo I, num confronto que marcará o regresso de Neemias à turma das quinas em jogos oficiais. Ao seu lado estará Rafael Lisboa, antigo colega no Benfica e que acompanha o poste dos Celtics na Seleção desde os escalões de formação, sendo presença constante nas opções do selecionador luso.

«Até agora fizemos um bom trabalho de preparação. O Neemias integra-se bem e o Rúben [Prey] também. Tanto um como outro já jogaram connosco, mas o Neemias mais tempo no Europeu. É uma integração fácil. São dois jogadores que se adaptam bem e todos nos sentimos confortáveis», diz o base, incluindo o poste da Univ. St. John’s, de Nova Iorque, que, tal como Queta, só poderá dar o seu contributo frente a Espanha e Geórgia — na segunda-feira, em Matosinhos —, antes de regressarem aos Estados Unidos.

«O sistema flui com eles e obviamente ficamos bastante mais fortes, pois são dois jogadores que fazem a diferença e duas armas que vêm melhorar a equipa. Mas, de resto, em termos de sistemas, está tudo igual e o jogo não muda só porque se integraram. Simplesmente atuamos da mesma maneira, mas com mais qualidade», salienta ainda o jogador que esta época se mudou do Ourense para o Alicante (Primera FEB), onde cumprirá o quarto ano no basquete espanhol.

Sobre como é atuar ao lado de Neemias e poder assistir alguém mais facilmente acima do aro, Rafael, de 26 anos, conta que «é incrível!». «É uma facilidade no trabalho porque, na verdade, há muito espaço e só temos de mandar a bola perto do aro que ele acaba por resolver. Para um jogador como eu, fica ainda mais confortável, porque muitas vezes as defesas adaptam-se a ele e isso liberta um pouco mais os meus tiros».

«Óbvio que não é igual jogar com ou sem ele, mas na parte da fluidez de jogo e no à-vontade dos colegas é o mesmo. O Neemias torna-nos a vida mais fácil, tanto como equipa como individualmente. Atrai muita da atenção defensiva. Se vierem defender-nos, posso assistir; se ficam mais com ele, tenho a hipótese de estar mais liberto para fazer alguns lançamentos que, se calhar, não teria. É uma ajuda em todo o lado com ou sem bola», diz.

No Pavilhão Príncipe Felipe, em Saragoça, Lisboa terá pela frente vários jogadores que atuam em Espanha, mas será uma seleção algo diferente daquela que encontrou há um ano, pois contará com Hugo González (colega de Neemy nos Celtics) e alguns dos espanhóis recentemente escolhidos no draft da NBA, estando ausente apenas Santi Aldama (Grizzlies), a recuperar da operação a um joelho.

Para quem acompanha de perto o basquetebol espanhol, o que é que espera? «Vai ser um jogo extremamente tático e físico. São conhecidos por terem estas duas vertentes muito desenvolvidas e, quando trazem os principais jogadores, ficam mais fortes. Ainda por cima, no verão passado ganhámos-lhes, por isso virão, de certeza, com atenção reforçada. E isso é bom, mostra que as equipas cada vez mais nos respeitam e não podem estar descansadas, pois somos sempre uma ameaça — este é o nosso trabalho», analisa Rafael Lisboa, que integra a 45.ª seleção mundial e 24.ª europeia.

«A Espanha é uma equipa com muita qualidade. Não vale a pena estar a enumerar um ou outro elemento, mas a verdade é que nos batemos muito bem e já vencemos uma equipa que jogou com a mesma qualidade. Não estava o González e alguns dos agora draftados na NBA estavam na seleção B, enquanto o resto da equipa é a que esteve no EuroBasket. Mas estamos prontos para a luta. Vai ser complicado, mas também o será para eles. Acredito que vai ser um bom jogo», concluiu.

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