Uma Liga Europa «mais forte», o «feitio de Rafa» e Prestianni: tudo o que disse Marco Silva
— Que análise que faz desta vitória?
É um resultado importante para nós. Uma boa exibição em alguns momentos do jogo, mas acima de tudo séria e profissional. Vínhamos de uma vantagem boa, não tão confortável como a que tivemos, por exemplo, quando fomos à Escócia jogar com o Hearts, mas uma boa. Tínhamos falado com os jogadores que era importante começarmos fortes, sermos fortes nos primeiros duelos. Sabíamos que iam tentar levar o jogo para esse mesmo campo, com muito duelo individual. Era importante termos uma entrada positiva no jogo e tentar comandar. Principalmente nos primeiros momentos, não sendo possível implementar logo o nosso jogo — e sabíamos que eles iam tentar que isso não acontecesse. Acabámos por ganhar de forma justa, com bons momentos, bons golos e com mais oportunidades para fazer mais. Acabámos por sofrer numa bola fortuita. Tenho aqui claramente de falar do azar, não concedemos praticamente nada ao adversário. Perdemos a bola numa zona que não devíamos ter perdido, mas num remate em que há um ressalto e a bola acaba por passar por cima do Samuel. Foi uma sorte.
— Como viu o jogo do Prestianni?
Sobre o Prestianni… não foi só ele que teve uma exibição individual de grande nível. Felizmente, existiram outros jogadores. Percebe-se, claramente, que o Bah está a melhorar fisicamente e voltamos a ver a qualidade individual e a capacidade física. É um jogador físico e é importante estar a níveis bons para ter exibições como a de esta noite. O Enzo é outro bom exemplo: um excelente jogo, outra vez numa posição um bocadinho diferente em alguns momentos sem bola, e conseguiu fazer um jogo muito bom dentro daquilo que nós lhe pedimos, quer sem bola como com bola. Há que realçar o seu crescimento também. E, não querendo ir por mais, mas é só para não realçar apenas a questão do Prestianni — eu percebo, mais dois golos, um segundo golo de grande inspiração de um jogador que está a viver um muito bom início de temporada, que está confiante. Mas, além de estar confiante, está a trabalhar bem. Fez o primeiro golo, num ambiente hostil para ele, que ele também gosta bastante, conseguiu ser equilibrado emocionalmente. Tem de perceber que, com a qualidade dele, os jogadores adversários vão ser agressivos, e conseguiu manter o equilíbrio emocional, que é importante neste momento. É bom sentir que um jovem de 20 anos tem esta capacidade e demonstra esta capacidade de jogar o jogo simplesmente e fazer aquilo que ele faz bem, que é desfrutar do jogo e das suas qualidades individuais ao serviço da equipa.
— Qual a importância da qualificação?
Era o nosso objetivo. Começámos muito cedo a pré-temporada com alguns jogadores fora, outros que ainda não estavam no clube. Não há que esconder que éramos favoritos para estar na fase liga, mas uma coisa é ser favorito, outra é prová-lo depois. Olhando para aquilo que foi o nosso primeiro jogo na Suíça e olhar para o momento em que estamos e como estamos a jogar agora, há uma diferença. Isso para nós é o mais importante. Não está tudo bem, longe disso. Disse-vos ontem que estávamos muito longe daquilo que ainda temos de estar, mas é importante perceber que há uma evolução. Para nós é muito importante perceber que há uma identidade a ser criada. Basta olhar para o primeiro jogo com o St. Gallen e olhar agora: é completamente diferente e isso para nós, como equipa, é muito importante. Havia sempre aquela hipótese de uma casca de banana para escorregarmos, mas o que é certo é que fomos crescendo, fomos provando a nossa qualidade e a nossa superioridade em relação aos nossos adversários. Deixa-me satisfeito ver bons jogos, boas exibições, bons golos.
— O Prestianni disse que este Benfica devia estar na Liga dos Campeões. Como é que a equipa vai abordar a Liga Europa? Para ganhá-la?
Em relação ao que o Prestianni disse, o Benfica é um clube de Champions League, como vocês sabem. Basta ver o historial, basta ver o que é a história do clube. O que é certo é que não estamos lá e temos de encarar a prova em que estamos de uma forma positiva e ambiciosa. Isso é o mais importante. Não adianta falar porque estamos ou não estamos, a realidade é esta. É uma realidade que nos criou dificuldades mesmo em termos de preparação de pré-temporada porque, mesmo não estando onde o Benfica está habituado a estar, acabámos por ter de fazer estes seis jogos para estar numa fase de liga, o que não é normal.
Portanto, todos estes obstáculos ou etapas que fomos quebrando para estar lá, tínhamos de as fazer e demonstrar a nossa superioridade. Eu disse-vos desde o dia da apresentação que podíamos falar de ser ou não uma equipa que, pela grandeza que temos, pode disputar a Liga Europa até ao fim, mas primeiro tínhamos de estar lá. O primeiro passo era estar na fase de grupos e já estamos. Naturalmente, olhando para as equipas que lá estão, não somos a única grande equipa europeia. Parece-me que este ano é uma Liga Europa um pouco mais forte do que a da época passada. Mas, naturalmente, pelo historial e grandeza que temos como clube, juntamente com outros clubes de grandes campeonatos europeus, temos de assumir a nossa responsabilidade na prova e, jogo a jogo, tentar chegar o mais longe possível. Para nós, o mais longe possível é chegar ao último jogo.
— Falando nessa identidade... o Enzo tem estado bem e agora ganha mais um concorrente direto. Há ainda Aursnes, Ríos e Manu à disposição. Considera que o meio-campo lhe vai dar boas dores de cabeça? E pode garantir que o plantel está fechado ou ainda pode vir um defesa-esquerdo ou um guarda-redes? A
Até ao final do mercado não posso garantir absolutamente nada. Vocês sabem que é tudo muito volátil, que tudo pode acontecer, e é impossível para mim garantir algo sobre o qual não tenho total controlo. Essa é a primeira. Estivemos focados no jogo.
Percebo que ontem apresentámos um jogador, mas o foco estava total naquilo que era o nosso jogo e a nossa obrigação. Isso é o que eu consigo controlar totalmente. É óbvio que estou em contacto com a estrutura do Benfica e estamos em contacto diário para que tudo o que possamos fazer dentro das nossas possibilidades seja feito. Num ano em que não temos Champions League, isso tem uma influência muito grande no clube e nas finanças também. A realidade é que tudo o que possamos fazer para sermos mais fortes, iremos tentar fazer.
Em relação ao meio-campo e às dores de cabeça, são as boas, as que qualquer treinador gosta de ter: a competição pelo lugar. São os jogadores a lutarem para manter o seu lugar e outros por trás a tentarem ganhar o lugar. Conseguimos algo que era um objetivo. Vamos jogar de três em três dias, com intervalos de quatro dias, com viagens — porque a Liga Europa muitas vezes envolve viagens longas. Temos de ter a capacidade de rodar jogadores, não rodar por rodar, mas porque o nível é parecido e o nível da equipa está elevado em algumas posições que nos permite fazer isso. Temos de ter a capacidade de apresentar onzes diferentes e manter a qualidade. Isso para mim é o mais importante. Eu percebo que falam muito que o Prestianni esteve muito bem à esquerda e o Andreas, mas faz parte. Boas equipas e equipas de nível têm dois jogadores por posição. É ao que estou habituado e é o que é importante o Benfica ter também, porque a competição pelo lugar faz os jogadores atingirem níveis muito importantes durante a semana.
Até ao final do mercado não posso garantir absolutamente nada. Vocês sabem que é tudo muito volátil, que tudo pode acontecer, e é impossível para mim garantir algo sobre o qual não tenho total controlo. Essa é a primeira. Estivemos focados no jogo.
Percebo que ontem apresentámos um jogador, mas o foco estava total naquilo que era o nosso jogo e a nossa obrigação. Isso é o que eu consigo controlar totalmente. É óbvio que estou em contacto com a estrutura do Benfica e estamos em contacto diário para que tudo o que possamos fazer dentro das nossas possibilidades seja feito. Num ano em que não temos Champions League, isso tem uma influência muito grande no clube e nas finanças também. A realidade é que tudo o que possamos fazer para sermos mais fortes, iremos tentar fazer.
Em relação ao meio-campo e às dores de cabeça, são as boas, as que qualquer treinador gosta de ter: a competição pelo lugar. São os jogadores a lutarem para manter o seu lugar e outros por trás a tentarem ganhar o lugar. Conseguimos algo que era um objetivo. Vamos jogar de três em três dias, com intervalos de quatro dias, com viagens — porque a Liga Europa muitas vezes envolve viagens longas. Temos de ter a capacidade de rodar jogadores, não rodar por rodar, mas porque o nível é parecido e o nível da equipa está elevado em algumas posições que nos permite fazer isso. Temos de ter a capacidade de apresentar onzes diferentes e manter a qualidade. Isso para mim é o mais importante. Eu percebo que falam muito que o Prestianni esteve muito bem à esquerda e o Andreas, mas faz parte. Boas equipas e equipas de nível têm dois jogadores por posição. É ao que estou habituado e é o que é importante o Benfica ter também, porque a competição pelo lugar faz os jogadores atingirem níveis muito importantes durante a semana.
— O Rafa leva três jogos seguidos a marcar, chegou recentemente aos 350 jogos pelo clube. Como tem sido para si trabalhar com ele?
Tem sido fácil. O Rafa tem o feitio dele, todos vocês o conhecem melhor do que eu, independentemente de eu o conhecer há muitos anos e de o ter defrontado. Uma coisa é defrontá-lo, outra coisa é estar com ele. O Rafa está feliz como o resto da equipa. Só ficámos tristes dois dias durante estas oito semanas: no primeiro jogo da Liga Europa e num jogo infelizmente sem adeptos no Estádio da Luz contra o Académico de Viseu. De resto, tenho sentido o Rafa a trabalhar bem e acho que isso tem sido provado nos jogos. A forma como mais uma vez vi o Rafa fazer a nossa transição defensiva, recuperações e a cobrir quando perdemos um lateral ou um médio, sendo o primeiro jogador a reagir, deixa-me muito feliz.
Ele sabe que é quase uma obrigação para nós ter todos os jogadores a poder fazê-lo. Acho que quando os jogadores da frente dão esse sinal, só ganhamos como equipa. Referiu o Rafa, mas percebe-se isso em todos os jogadores: tem de ser uma identidade da nossa equipa. Vê-lo a marcar, feliz, a divertir-se dentro do campo de uma forma séria e a pressionar é o mais importante. Tem trabalhado muito bem. E, como jogador da frente, é importante ter números, marcar golos, e ele tem marcado e assistido.
— Nos últimos anos, o Rafa jogou mais no corredor central, mas consigo não…
Devido às carências que tivemos durante a pré-temporada nos corredores — o Lukebakio não estava connosco, o Andreas não estava, o Prestianni esteve castigado nos primeiros jogos — começámos a usar o Rafa e a prepará-lo para os primeiros jogos no corredor. É um jogador que parte de fora, mas acaba sempre por vir para espaços interiores. Não está sempre lá porque depois defende o corredor também, mas tem partido de lá para depois cair em zonas no espaço interior onde é forte. Ele tem percebido muito bem em termos táticos o que pretendemos e está a jogar bem. Não há como mudar de posição.