Deputados suíços impedidos de rever estatuto fiscal da UEFA após ciberataque
Uma tentativa de pressionar a UEFA a sancionar Israel, através da revisão do estatuto fiscal na Suíça, foi chumbada no parlamento do cantão de Vaud. A votação foi precedida por um ciberataque em grande escala, com milhares de e-mails de spam a serem enviados a deputados.
A proposta, apresentada por deputados de esquerda, pretendia que fosse reavaliado o estatuto da UEFA, que beneficia de uma isenção fiscal estimada em cerca de €30 milhões anuais no cantão onde tem sede fiscal. O objetivo era protestar contra a ausência de sanções desportivas a Israel devido à guerra em Gaza.
Contudo, a resolução foi categoricamente rejeitada por 74 votos contra 53. Se tivesse sido aprovada, a medida teria custado ao organismo que rege o futebol europeu a sua vantajosa isenção fiscal.
O processo de votação foi perturbado por um ataque informático sem precedentes. Segundo os jornais 24 Heures, RTS e 20 Minutes, uma campanha massiva de spam visou os deputados de direita, instando-os a votar a favor da resolução, numa aparente tentativa de sabotar o sistema informático do parlamento.
Em comunicado, o parlamento confirmou ter sido confrontado «pela primeira vez com um evento desta natureza». O mesmo documento detalha que os e-mails fraudulentos «visavam os membros dos grupos PLR, UDC e Vert’libéraux, e procuravam incitá-los a votar a favor de uma resolução que pedia sanções contra a UEFA devido à sua inação para com a Israel Football Association (IFA)». As autoridades já iniciaram investigações para «determinar a origem destes envios».
Recorde-se que existe uma intensa campanha de lobbying que defende a suspensão de Israel das competições desportivas. A própria UEFA já tinha considerado uma votação sobre o assunto em setembro de 2025, mas a ideia foi posteriormente abandonada.
Contactado pelo L'Equipe, Ashish Prashar, um dos diretores da campanha de lobbying Game Over Israel, negou qualquer envolvimento do movimento no ciberataque. Por sua vez, a Federação Israelita de Futebol reagiu de forma contundente, afirmando que «estas acusações são ainda mais ridículas do que o objeto da votação».
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