Presidente de clube irlandês instada a demitir-se por apelar a boicote a Israel
O sorteio da Liga das Nações, que colocou a República da Irlanda no caminho de Israel, gerou uma grande controvérsia no país, tanto na esfera política como na desportiva. A polémica atingiu o auge nos últimos dias, no Drogheda United, cuja presidente, Joanna Byrne, foi instada a demitir-se pela direção.
A situação surgiu após a dirigente, que é também deputada pelo partido Sinn Fein, da qual é porta-voz para o desporto e cultura, ter exigido publicamente que a seleção irlandesa não defrontasse Israel devido ao conflito em Gaza. Em resposta, a direção do clube informou-a de que a sua posição se tornara «insustentável» e que esperava a sua demissão.
Num comunicado emitido na passada quarta-feira, Byrne afirmou que iria «resistir» a estes apelos. «Esta ação injustificada foi tomada após a minha declaração pública na semana passada de que a Irlanda não deveria jogar contra Israel na Liga das Nações enquanto um genocídio contra o povo palestiniano continua», escreveu, acrescentando que a sua opinião é partilhada pela «maioria dos adeptos de futebol irlandeses» e que os seus comentários não foram feitos na qualidade de presidente do Drogheda.
A Federação de Futebol da Irlanda (FAI) já confirmou que os jogos contra Israel, agendados para o final do ano, irão realizar-se, invocando a ameaça de uma «potencial desqualificação» caso a equipa não compareça. Esta decisão surge três meses depois de a própria FAI ter votado a favor de uma moção formal à UEFA para banir Israel das competições europeias.
O caso ganhou novas dimensões quando o principal patrocinador do Drogheda, a empresa Sullivan and Lambe, anunciou que iria «rever ativamente» a sua relação com o clube. A empresa mostrou-se «extremamente preocupada com as tentativas de remover Joanna Byrne do cargo de presidente» e «profundamente perturbada» com o sucedido. «Não acreditamos que as opiniões políticas expressas por uma deputada em funções (...) devam ser a base para interferência na governação de um clube de futebol comunitário», declarou o patrocinador.
Por sua vez, o clube que é detido pelo grupo norte-americano Trivela emitiu um comunicado esclarecendo que a sua posição «não está relacionada com as visões políticas ou morais específicas de ninguém». O clube afirmou que a preocupação se devia «à crítica aberta à UEFA e à Federação de Futebol da Irlanda (FAI), órgãos reguladores aos quais o clube está sujeito», bem como à responsabilidade de cada dirigente em respeitar as «disposições de neutralidade do Código de Ética da FIFA e dos Estatutos da UEFA».
A controvérsia mereceu ainda a reação de Stephen Bradley, treinador do Shamrock Rovers, campeão irlandês, que acusou a direção do Drogheda de «censurar» Byrne. «Não posso acreditar que tentaram silenciar a Joanna e usar a censura sobre uma opinião. Ela tem todo o direito a essa opinião e entramos num território muito perigoso se os empregadores sentem que podem censurar aquilo que os seus funcionários dizem», afirmou Bradley à RTE.
Recorde-se que o jogo de Israel em casa contra a República da Irlanda está agendado para 27 de setembro, com a segunda volta em Dublin marcada para 4 de outubro. Desde outubro de 2023 que Israel não acolhe jogos da UEFA por questões de segurança, realizando as suas partidas em casa na Hungria.
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