O desporto como eixo estratégico da saúde mental
A saúde mental dos estudantes é hoje uma prioridade partilhada por toda a comunidade académica, exigindo de todos nós uma visão integrada sobre o que constitui um campus verdadeiramente saudável. Como Presidente da Federação Académica do Desporto Universitário, vejo com otimismo o papel central que a atividade física pode desempenhar neste desígnio. O diagnóstico que apresentámos recentemente sobre o desporto universitário em Portugal constitui um roteiro para o investimento no futuro e no bem-estar da nossa juventude.
Um dos pontos mais luminosos deste diagnóstico é o consenso absoluto sobre o valor do desporto: existe uma valorização de 4.83, numa escala de 1 a 5, quanto ao seu papel como ferramenta de apoio ao bem-estar e à saúde mental. Cerca de 87% dos responsáveis do setor sublinham este contributo vital para a experiência académica. Estamos perante uma oportunidade única, pois nunca houve um reconhecimento tão elevado de que o desporto é o aliado certo para combater o stresse e promover a integração social. É este entusiasmo e reconhecimento que devemos agora converter em capacidade instalada.
Neste caminho de progresso, saúdo com particular esperança a criação do novo Programa Nacional para o Bem-Estar, Qualidade, Equidade e Inovação no Ensino Superior, o SOMA+ Academia. Este programa surge no momento ideal para ajudar a superar o paradoxo que ainda enfrentamos. Embora o desporto seja visto como essencial, a prioridade estratégica traduzida em orçamento situa-se ainda nos 58%. O SOMA+ Academia pode ser a ponte que faltava para alinhar a elevada valorização do desporto com os recursos necessários para a sua plena execução.
Ao falarmos de Campos Saudáveis, falamos de espaços que convidam à prática e ao encontro. Atualmente, 61% das nossas instituições ainda não dispõem de instalações próprias e 89% dependem de parcerias externas. Olhamos para estes números não como um limite, mas como um horizonte de crescimento. Há uma vontade clara de avançar. 88% das entidades apontam a criação de linhas de financiamento específicas para infraestruturas como o caminho a seguir. Esta é uma meta construtiva que permitirá aliviar constrangimentos de horários e modernizar espaços, garantindo que o desporto seja uma opção acessível a todos os estudantes.
O futuro passa por elevar a prioridade política do desporto, integrando-o de forma estruturante nos modelos de financiamento e nos programas de saúde mental. A FADU Portugal reafirma o seu compromisso em colaborar com o Estado e as instituições de Ensino Superior para transformar cada campus num exemplo de vitalidade. Investir no desporto universitário é investir numa geração mais saudável, mais resiliente e mais preparada para os desafios do futuro. Juntos, podemos fazer do desporto a base de um ensino superior de excelência.