João Ferreira sonha em vencer o Dakar 2026. DR
João Ferreira sonha em vencer o Dakar 2026. DR

Dakar 2026: João Ferreira sonha intrometer-se entre os consagrados

Confirmando o seu estatuto como o maior rali do mundo, a edição de 2026 contará com mais de 800 participantes de 69 nacionalidades, distribuídos por 431 veículos. O traçado inclui um prólogo e 13 etapas competitivas, num total de 14 dias de dura competição, onde a gestão física, a fiabilidade mecânica e a estratégia podem ser tão importantes como a velocidade. J

A sétima edição consecutiva do Rali Dakar na Arábia Saudita tem início marcado para sábado, dia 3 de janeiro, em Yanbu, e estende-se até ao dia 17 do mesmo mês, apresentando um percurso inovador que ligará as planícies desérticas às imponentes dunas da costa do Mar Vermelho.

A mítica prova de todo-o-terreno, que volta a ser a etapa de abertura dos campeonatos mundiais de Rally-Raid da FIA e da FIM (W2RC), arranca com o prólogo em Yanbu antes das 13 etapas e encerra com o regresso à mesma zona costeira.

O pelotão é vasto e diversificado: 73 viaturas na categoria Ultimate (T1), 46 camiões, 118 motos, 8 veículos T2 (Stock), 38 protótipos Challenger (T3), 43 SSV (T4), 75 carros e 22 camiões no Dakar Classic. A estes juntam-se ainda sete motos da Mission 1000 e um camião com motorização alternativa, reforçando a dimensão técnica e desportiva do evento.

A categoria T1 Ultimate é, porém, o palco principal da competição, reunindo os protótipos mais sofisticados do rali, com veículos de duas ou quatro rodas motrizes desenvolvidos para o mais alto rendimento em cross-country. É aqui que se decide o vencedor absoluto do Dakar.

Yazeed Al-Rajhi, o primeiro saudita a vencer o Dakar em casa, regressa ao volante de um Toyota para defender o título, embora ainda a recuperar de lesões sofridas na época anterior. Entre os 73 inscritos, o Ford Raptor T1+ V8 destaca-se como uma das grandes novidades, com o experiente Carlos Sainz a liderar a equipa ao lado de Mattias Ekström.

A equipa Dacia Sandriders apresenta uma formação de luxo, encabeçada por Nasser Al-Attiyah, cinco vezes vencedor da prova e um dos nomes mais bem-sucedidos da sua história. A seu lado estará Sébastien Loeb, multicampeão mundial de ralis, que continua a perseguir a sua primeira vitória no Dakar, e ainda o recente campeão do mundo W2RC, Lucas de Moraes.

Entre os candidatos aos lugares cimeiros está também o português João Ferreira, ao volante de uma Toyota Gazoo Racing SVR, que, num cenário ideal, poderá lutar não só pelo pódio, mas também pela vitória. Na mesma categoria, a dupla Maria Gameiro / Rosa Romero (Mini JCWW Rally 3.0d), da X-Raid, ambiciona um lugar no Top 20.

Na categoria T2 - veículos de série modificados - a Land Rover assume o protagonismo com a inscrição de três unidades Defender no Dakar 2026 e a liderar a marca britânica na categoria de produção estará Stéphane Peterhansel, uma lenda do Dakar com 14 vitórias no seu currículo.

Os T3 Challenger - protótipos ligeiros concebidos especificamente para o todo-o-terreno - conta com 38 veículos e muitas das atenções de uma das corridas mais espetaculares do Dakar estará centrada a saudita Dania Akeel, que chega ao Dakar depois de ter alcançado o terceiro lugar no Campeonato do Mundo de Rally-Raid da FIA na temporada anterior. Na mesma categoria, Portugal estará representado por duas duplas: Pedro Gonçalves / Hugo Magalhães (Taurus T3 Max) da BBR Motorsport e Rui Carneiro / Fausto Mota (MMP T3 Rally Raid) da G Rally Team.

Já a categoria T4 conta com 43 veículos SSV (Side-by-Side), derivadas de modelos de produção com alterações específicas para a competição de resistência, que sendo mais acessíveis que os protótipos T1 e T3, os SSV tornaram-se uma porta de entrada popular para o universo do Dakar e muitos dos olhos portugueses estarão também para aqui virados.

Entre os inscritos, destacam-se seis duplas lusas e duas partem com fortes ambições de lutar pelo triunfo: Alexandre Pinto / Bernardo Oliveira (Polaris RZR Pro R Sport/Old Friends Rally Team), os atuais campeões do Mundo de SSV (W2RC), e Gonçalo Guerreiro / Maykel Justo (Polaris RZR Pro R/Loeb Motorsport-RZR Factory), que agora competem como pilotos de fábrica da Polaris.

A comitiva lusa fica completa com João Monteiro / Nuno Morais (BRP Can-Am Maverick R/Can-Am Factory Team), Hélder Rodrigues / Gonçalo Reis (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing), João Dias / Daniel Jordão (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing) e Bruno Martins / Eurico Adão (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing), todos em busca de um bom desempenho.

O australiano Daniel 'Chucky' Sanders (Red Bull KTM Factory Racing) é o grande favorito nas motos, depois de ter sido o melhor estreante em 2024 e de dominar a edição seguinte. Este ano sagrou-se campeão mundial no Rally Raid Portugal.

Com 118 inscritos a competição de motos divide-se em três classes. A RallyGP é reservada aos pilotos profissionais e equipas de fábrica, a Rally2 destina-se a pilotos privados e semi-profissionais e a Original by Motul é para os aventureiros que competem sem qualquer assistência técnica, sendo responsáveis pela manutenção diária das suas máquinas.

A classe T5 divide-se em T5.1, para protótipos e camiões de competição profundamente modificados, e T5.2, para os veículos de assistência. Embora menos numerosos que noutras épocas, os gigantes do Dakar continuam a ser uma das maiores atrações da prova e Portugal teve um Elisabete Jacinto uma das suas protagonistas.