Mundial
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«Críticas? Ir à praia já fazia parte do plano de preparação»
PALM BEACH — Era para ter acontecido na véspera, mas devido à tempestade que atrapalhou a preparação da Seleção, só nesta segunda-feira é que Matheus Nunes falou aos jornalistas, defendendo que o imprevisto do treino cancelado não pode condicionar a equipa de Portugal, tal como garante não terem interferência negativa as idas dos jogadores à praia privada do hotel.
— O treino de ontem [domingo] foi cancelado devido à ameaça de tempestade. De que forma isso pode condicionar a preparação da equipa?
— Não podemos prever o que vai acontecer com a natureza. No Mundial de Clubes também tivemos [no Manchester City] um treino adiado por causa disto. Temos de encarar de forma natural. Temos de estar preparados para os imprevistos, podemos ter de esperar uma hora por um jogo e temos de saber o que fazer. Acho que não vai condicionar nada. Já viemos de uma época longa, todos estão preparados e as duas semanas em Portugal ajudaram-nos a melhorar. Vamos mostrar isso mesmo no dia 17.
— Teve poucos minutos na fase de qualificação. Quando começou a acreditar que poderia estar no Mundial?
— Já tinha isso em mente desde o início da época. Sabia que ia precisar de ter muitos minutos na minha equipa para conseguir estar aqui e foi isso que fiz. Depois dei o meu melhor em todos os estágios. Agora vou tentar aproveitar ao máximo.
— No Manchester City jogou a época toda a lateral. Sente-se melhor nessa posição, ou a médio, onde jogou durante toda a carreira?
— Sinto-me bem e estou confortável nas duas posições. Já tenho quase uma época e meia a jogar a lateral, estou mais do que habituado a todas as características da posição. Também já joguei a extremo esquerdo. Posso fazer muitas posições e não tenho uma preferência neste momento. Temos na equipa jogadores muito versáteis, que podem jogar em muitas posições, e acho que isso não prejudica em nada.
— Vimos que quando chegou aos EUA trazia a biografia do Diogo Jota. Em que é que isso ajuda?
— Sim, comecei a ler o livro na vinda para cá. Descobri detalhes que não sabia. Tinha alguma curiosidade. A carreira do Diogo foi de superação e podemos tirar ilações disso. Não foi fácil para ele, começou por baixo, mas teve uma carreira de grande sucesso. Tenho a certeza de que ele olha por nós. E nós carregamo-lo nos nossos corações e agora no nosso pulso.
— Não há muito tempo, jogava no Ericeirense e trabalhava numa pastelaria. Imaginava que um dia podia estar prestes a jogar um Mundial?
— Não, não me imaginava aqui, mas sempre sonhei que podia acontecer. Tenho muito orgulho no meu percurso. Sempre trabalhei de cabeça baixa, à procura de ser melhor, com ajuda dos meus familiares e amigos. Sempre tive um círculo familiar muito unido que me deu todo o apoio. É muito bom estar aqui, sinto-me muito realizado, porque um Mundial é o auge para qualquer jogador. Temos de tentar aproveitar ao máximo. Não estamos aqui a jogar apenas pelos 26 jogadores que estão cá, mas por 10 milhões em Portugal e mais não sei quantos espalhados pelo Mundo. No final, só quero ter orgulho. Seria muito bom sair com o título, mas sair com a cabeça levantada a saber que demos tudo.
— Como é partilhar este momento com o Cristiano Ronaldo? Entre vocês falam sobre a possibilidade de o ajudar a conquistar o título que lhe falta?
— Sentimos orgulho por estar aqui com o Cristiano. Oxalá possamos sair daqui com o título. Nunca imaginei jogar com o Cristiano. Há 10 anos eu jogava na sexta divisão, por isso nunca tinha imaginado. Para nós, é uma honra enorme estar aqui com ele, todos sabem a grande figura que ele é. Se pudermos ganhar o título por ele, seria algo muito grande.
— Tem havido algumas críticas pelas imagens dos jogadores na praia. Sente que isso pode prejudicar a equipa?
— Não. As idas à praia já faziam parte do plano de trabalho para nos adaptarmos ao clima. Por exemplo, eu passo o ano a jogar em Manchester e lá não faz tanto calor, é uma diferença brutal. Por isso, já estava no plano ir à praia de manhã para nos adaptarmos ao calor, ao sol e à humidade. Não estamos a passar mais tempo na praia do que no treino.