José Boto, diretor desportivo do Flamengo - Foto: Maycon Quiozini
José Boto, diretor desportivo do Flamengo - Foto: Maycon Quiozini

Tensão no Flamengo: estilo de jogo, José Boto e departamento médico na mira

Clube treinado por Leonardo Jardim atravessa fase delicada em termos de resultados

O Flamengo vive dias difíceis, atravessando um período de forte pressão interna, com críticas ao estilo de jogo, ao diretor desportivo José Boto e ao departamento médico do clube.

As exibições e os resultados da equipa treinada por Leonardo Jardim depois do Mundial têm ficado aquém do esperado, com reflexo na tabela do Brasileirão, nomeadamente na distância para o líder Palmeiras, e exige-se mudança — o lateral Varela, por exemplo, defendeu a necessidade de «fechar as portas e começar de novo».

Segundo o Globoesporte, no centro da insatisfação está o modelo de jogo implementado por Leonardo Jardim. Embora não existam problemas de relacionamento com o técnico português, descrito como direto e trabalhador, parte da estrutura do futebol considera que a equipa perdeu o controlo dos jogos e tornou-se mais vulnerável defensivamente, ao contrário do que acontecia sob o comando de Filipe Luís.

Leonardo Jardim, por sua vez, acredita que o processo de adaptação foi prejudicado pela ausência de nove jogadores que estiveram ao serviço das suas seleções no Mundial.

A mesma publicação indica que a tensão estende-se à relação entre a equipa técnica e o departamento médico, recordando que o próprio treinador já tinha manifestado publicamente o seu descontentamento com a demora na recuperação de atletas lesionados, citando prazos sucessivamente adiados.

Sobre esta questão, a polémica não é nova, já que desde a chegada do presidente Bap, em dezembro de 2024, o setor sofreu uma profunda reestruturação e enfrentou uma crise após declarações do seu antigo chefe, José Luiz Runco.

Recorde-se que a mensagem do ex-médico do clube sobre o jogador De la Cruz, que veio a público, culminaria na sua demissão: «Prezado João. Boa tarde. Vou tentar passar a situação do De La Cruz. Jogador comprado em outra gestão, sem as menores condições, pois apresenta uma lesão crónica e irreparável no joelho direito, e uma lesão também no joelho esquerdo. Como somos bípedes, temos dificuldades de equilíbrio e equilíbrio muscular se algum membro já estiver afetado. Estamos a tentar fazer o possível para que ele possa participar, mas é muito complicado. E, quanto à venda, só se houver algum clube que tenha interesse por outro motivo e não para jogar futebol competitivo. Atenciosamente.»

Paralelamente, a figura do diretor desportivo, o português José Boto, é outro foco de desgaste. A relação com jogadores e funcionários é descrita como distante e fria, além de ser acusado de exigir a funcionários do clube a prestação de serviços particulares.

A forma como foi conduzida a demissão de Filipe Luís, em março, só veio contribuir para agravar a situação.

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