Francesco Farioli satisfeito com a exibição do FC Porto que redundou na goleada ao Casa Pia
Francesco Farioli satisfeito com a exibição do FC Porto que redundou na goleada ao Casa Pia

«Contra tudo e contra todos», bolas paradas, transições e Benfica: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto satisfeito com a reação da equipa após o golo do Casa Pia, mas sem deixar de falar em alguns erros que têm de ser melhorados. O embalo para o clássico da próxima jornada, diante dos encarnados

— Hoje, tal como noutros dias, a vitória do FC Porto diante do Casa Pia foi contra tudo e contra todos?

— Sim, de certa forma sim. Claro que, para começar, ficar em desvantagem num jogo em que, nos primeiros 10 a 15 minutos, tivemos bastante boas oportunidades, uma bola na barra e, na primeira ou segunda vez que eles subiram, sofremos um golo. Também com alguns episódios muito estranhos lá pelo meio, por isso a reação foi positiva. Não perdemos a cabeça, fizemos o que tínhamos a fazer, recuperámos o jogo antes do intervalo, o que era absolutamente importante. Marcámos o segundo golo bastante rápido e, depois disso, claro que tudo tomou uma direção diferente. Houve um impacto positivo dos jogadores que entraram, portanto foi um resultado muito importante.

— A eficácia nas bolas paradas é a principal arma do FC Porto nesta fase da temporada?

— Para mim, isso é motivo de orgulho, é definitivamente uma ferramenta que tínhamos na época passada e que estamos a transportar para esta época. É algo a que dedicamos muito tempo nos treinos. Os nossos jogadores acreditam muito no que fazem. Por isso, através do tempo, da qualidade e da crença, isto, no fundo, faz parte do jogo. É muito importante estar ligado, não apenas ofensivamente, mas também defensivamente. Hoje, num canto, numa situação… não digo situação suja porque seria demais, não foi assim tão suja, mas as coisas podem mudar a dinâmica do jogo. É uma situação que está a ter impacto, uma fase do jogo que tem impacto e é algo em que queremos estar sempre no topo quanto possível.

— O FC Porto sofreu em algumas transições. Preocupam-no antes do clássico com o Benfica?

— Sobre as duas ou três transições que concedemos, aconteceram devido a erros bastante grandes da nossa parte: passes errados e decisões muito más. Conseguimos, ainda assim, gerir em boas condições, com superioridade. Claro que o Diogo nos ajudou num par de situações. É algo de que temos de estar muito mais cientes, porque faz parte do jogo. Especialmente para uma equipa que costuma ter a bola, é muito importante não conceder este tipo de momentos. E quando isso acontece, é preciso ter uma estrutura adequada para responder. Quando não é o caso, é preciso ter um guarda-redes de topo, como nós temos.

— Da forma como foi alcançado, este triunfo, com reviravolta e depois de uma derrota para a Champions, tem ainda mais importância tendo em conta o jogo com o Benfica?

— É sempre importante ganhar. É sempre importante depois de um jogo a meio da semana que exigiu muita energia física e mental. O jogo da Liga dos Campeões foi enorme. Hoje, vir aqui, num relvado que não estava nas condições ideais, seco e muito quente… Num terreno onde na época passada perdemos pontos. Estavam reunidas todas as condições para ter um jogo difícil, e foi, mas acho que a equipa provou maturidade, consistência e capacidade de reagir à adversidade.

— O que tem achado de Santiago Gimenez e que papel pode ter na equipa?

— É positivo que hoje ambos tenham marcado. O André no início e o Santi quando entrou tiveram um impacto positivo na equipa. É sempre bom quando os avançados marcam. Como sabem, também estamos à espera que o Samu regresse o mais rápido possível. Estamos a seguir em frente, a tentar pôr o Santi o mais em forma possível. O André tem-nos dado até agora uma grande continuidade e uma grande atitude em tudo o que faz. Estamos felizes pelo trabalho que estes rapazes estão a fazer e, claro, há margem de progressão que temos a nível coletivo e individual.

— O que é que disse aos jogadores ao intervalo antes da reviravolta ser completada?

— Na realidade, o intervalo foi muito preciso nas coisas que tínhamos de fazer melhor, nas situações que tínhamos de explorar com um pouco mais de clareza e com menos tempo para pensar. Honestamente, não teve a ver com motivação, porque a equipa estava muito motivada para este jogo. Chegámos aqui bem preparados, com uma boa semana e com um bom par de sessões de trabalho realizadas. Nos meses em que estou aqui, a equipa provou sempre ser muito madura, muito competitiva, liderada por um grupo de capitães que não deixa ninguém acomodar-se. Por isso, ao intervalo só tive de fazer o meu trabalho como treinador, nada mais do que isso.

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— O Benfica que vai defrontar na próxima semana é uma melhor equipa do que o último Benfica que defrontou, na época passada?

— Com certeza que o nível dos nossos competidores subiu. Sabíamos isto pelo mercado que fizeram, pelas decisões que tomaram e, claro, num dos casos com a mudança de treinador. São equipas novas, novas energias. O que aconteceu na época passada ficou na época passada. Este ano é um novo capítulo, é uma nova batalha para todos. A nossa preparação começa amanhã de manhã — aliás, para nós, equipa técnica, começa um pouco mais cedo, já no regresso no autocarro. Teremos uma semana inteira para trabalhar, para estar prontos e para os receber no Dragão perante os nossos adeptos, com o espírito certo, com o mesmo desejo de sempre e com a vontade de ter uma grande exibição perante os nossos adeptos.

— Vimos várias combinações na frente de ataque, com um a fixar a marcação para dar espaço aos colegas. O que é que o FC Porto procurou com estas triangulações para contornar o bloco do Casa Pia?

— Eles abordaram o jogo de uma forma muito diferente do que fizeram nos jogos anteriores, onde foram muito mais corajosos a pressionar e a colocar pressão à frente. Hoje tiveram uma abordagem diferente, muito mais conservadora. Com bola, é uma equipa que, pelo que vimos, tenta sempre jogar, mas hoje o passe mais curto deles foi de 80 metros para a frente, para tentar disputar a segunda bola. Isto exigiu de nós algum tempo para mudar a abordagem, a adaptação e a preparação do jogo. Num relvado que não estava ao melhor nível e muito seco, não era fácil encontrar combinações por dentro, por isso tivemos de ir muito mais pelas alas. Foi essa a dinâmica do jogo e, na segunda parte, com um pouco mais de velocidade, as coisas correram um pouco melhor do que na primeira parte.

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