Choupana arrasada em oito minutos (crónica)
Estreia infeliz de Alexandre Santos, como treinador do Nacional. O técnico, que substituiu João Gião, viu a sua equipa ser derrotada (1-3) pelo Alverca e prolongar a crise de resultados, que já soma quatro derrotas consecutivas. Os ribatejanos venceram pela primeira vez na Liga, com uma prestação segura, objetiva e precisa. Dawda foi uma aposta ganha por Sérgio Ferreira como referência ofensiva na área, e marcou por duas vezes no arraso que os ribatejanos deram entre os minutos 34 e 42, depois de Chissumba ter descoberto o caminho do golo.
Em oito minutos o Alverca desmoronou a Choupana e, praticamente, as ambições do Nacional na partida. Os madeirenses até começaram buliçosos, nomeadamente com as investidas de Stavros Gavriel, mas cedo isso esfumou-se. Os ribatejanos, compactos, foram assertivos no ataque à baliza de Renato Marín e tiveram pontaria, marcando três golos nos sete (em oito) remates que foram direcionados ao alvo.
Primeiro testaram as luvas do guardião alvinegro em tiros de longe, por Davy Gui e Dawda, com os golos a surgirem depois em catadupa. Primeiro foi Chissumba a desferir o primeiro golpe com um remate colocado junto ao poste, depois de Chiquinho ter sido mais forte que Zé Vitor e Wesley Gasolina ter falhado o corte. Seguiu-se duplo-murro de Dawda, dando sequência a cruzamentos de Diogo Spencer: de cabeça no 2-0 e com um toque subtil no terceiro. O avançado foi mais forte que os defensores, beneficiando também da falta de intensidade dos madeirenses a defender, uma lacuna que se manteve neste novo ciclo, com novo treinador.
O gordo avanço no marcador deu para o Alverca gerir a reação do Nacional, após o descanso. Os madeirenses reentraram com outra disposição e tentaram lutar contra a desvantagem, com as apostas de Alexandre Santos em Song Min-kyu e Matchoi Djaló, a dotarem a equipa do dinamismo ofensivo, que esteve em déficit até ao intervalo.
Os madeirenses instalaram-se no meio-campo do adversário, insistiram, desperdiçaram por Matchoi Djaló, mas só conseguiram chegar ao golo nos últimos minutos, quando o extremo sul-coreano cruzou para a cabeça de Obando desviar para os ferros, com Matchoi Djaló a recargar com êxito de forma acrobática.
Picados, os madeirenses acreditaram, e até ao último apito de Miguel Fonseca desperdiçaram duas boas oportunidades, por Matchoi e Obando, ambas de cabeça e com a bola a passar ligeiramente ao lado da baliza.
Lançado para a segunda parte, o antigo médio do Paços de Ferreira foi peça importante na inversão do jogo da sua equipa, tornando-o mais proativo.
Matchoi Djaló começou com uma perdida à boca da baliza, mas redimiu-se apontando o golo aos 81 minutos numa recarga acrobática a um remate de Obando aos ferros e aos 85’ voltou a criar perigo num cabeceamento que levou a bola a passar muito perto do alvo.
As notas dos jogadores do Nacional (4x2x3x1): Renato Marín (5), Wesley Gasolina (4), Chico Gonçalves (5), Zé Vítor (4), Kokolo (4), Miguel Baeza (5), Matheus Dias (4), Stavros Gavriel (5), Daniel Júnior (5), Markus Jensen (5), Pablo Ruan (5), Matchoi Djaló (6), Song Min-kyu (6), Laabidi (5), Obando (5) e Nava (-).
O avançado hispano-mauritano de 23 anos contratado ao Girona estreou-se a titular e deixou a sua marca, com dois golos. De estatura alta, foi providencial no jogo aéreo, como ficou patente no primeiro golo, mostrando também sentido posicional e olhos na baliza, quando desviou, com um toque subtil, para o segundo da conta pessoal. Antes, com um tiro forte quase sem ângulo, viu Renato Marín evitar o golo.
As notas dos jogadores do Alverca (3x4x3): Matheus Mendes (5), Yahya Bojang (5), Sergi Gómez (5), Isaac James (5), Diogo Spencer (7), Davy Gui (6), Ian Luccas (5), Francisco Chissumba (6), Chiquinho (6), Dawda Camara (7), Figueiredo (5), André Vidigal (5), Matheus França (5), Vivaldo Macedo (4), Nuozzi (-) e Rayan Lucas (-).
Alexandre Santos, treinador do Nacional
«A estreia é pouco importante, o que importa é a equipa. Trabalhámos para conseguir outro resultado, não é fácil recuperar três golos. A equipa perdeu-se na metade da 1.ª parte, começou a ficar nervosa por não conseguir chegar mais perto da área e o Alverca sentiu-se mais confortável. Fizemos boas coisas na 2.ª parte, empurrámos o Alverca e conseguimos ter oportunidades suficientes para, pelo menos, disputar o resultado.»
Sérgio Ferreira, treinador do Alverca
«A 1.ª parte da minha equipa foi fantástica, no entendimento dos espaços e de como teríamos de levar o Nacional para trás. Na 2.ª parte não é como queremos estar, mas é importante sabermos disputar o jogo todo e sabermos sofrer e a equipa tem de ter essa capacidade. Há mérito como o Nacional reage. Temos de valorizar a vitória, a primeira.»
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