Duarte Gomes relembra situações com «grande gravidade institucional»
Duarte Gomes voltou a comentar, em entrevista à Antena 1, o processo que precipitou a demissão do cargo de Diretor Técnico Nacional de arbitragem, a 26 de junho.
O conteúdo da carta de demissão do antigo árbitro deu origem a uma denúncia da Federação Portuguesa de Futebol ao Ministério Público e à instauração de um processo de inquérito pelo Conselho de Justiça da FPF, entretanto arquivado. Em causa está o procedimento de Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, em relação a nomeações de árbitros para jogos a envolver o Estrela da Amadora na fase final do último campeonato.
«Ouvi um conjunto de situações com comprovação factual e probatória, fiz um conjunto de digilências no sentido de ficar tranquilo e esclarecido em relação às coisas que aconteceram, que considerei de grande gravidade institucional», começou por explicar.
«Depois desse conjunto de diligências, não só não recuperei a tranquilidade, como aprofundei as minhas dúvidas e receios. Perante isso, tomei a decisão de sair. Com elementos probatórios que, para mim foram mais do que suficientes. De condutas com as quais não me revejo. E se são ilegais pode ser que a Justiça, que tem essa competência, assim o prove», frisou.
Duarte Gomes foi ouvido na justiça desportiva, mas rejeitou abordar o «restante ponto da situação», por «uma questão de prudência judicial». «Com isto até já dou meia resposta», frisou. O antigo dirigente garantiu, ainda assim, que «haverá um momento» em que o caso «ficará estabelecido» e que o discutirá «de forma absolutamente aberta.»
O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol decidiu arquivar o processo de inquérito centrado em Luciano Gonçalves a 24 de julho. De acordo com o relatório divulgado, era imputada ao presidente do Conselho de Arbitragem «a nomeação de árbitros para dois dos últimos quatro jogos da Liga 2025/2026, decisivos para a manutenção de um clube na 1.ª Liga 'a pedido', bem como o envio de uma mensagem WhatsApp ao árbitro Hélder Malheiro, que atingira o limite de idade e a quem já havia sido comunicado que não iria continuar na temporada seguinte, dizendo-lhe que poderia prosseguir a carreira, caso aquele clube vencesse o jogo».
A Polícia Judiciária está a investigar nomeação de árbitros na Liga Portugal, após ter recebido um documento sobre suspeitas de fugas de informação e influências nas decisões.