O momento em que Nico González aplica o forte remate de pé direito para a reviravolta do Man. City - Foto: IMAGO

City vai atrás do 'treble', nem que seja à lei da bomba (crónica)

'Citizens' vencem Southampton em Wembley e garantem acesso à final da Taça de Inglaterra

O Manchester City qualificou-se para a final da Taça de Inglaterra ao bater, neste sábado, o Southampton por 2-1, em Wembley, esperando pelo desafio de amanhã entre Chelsea e Leeds para saber quem será o seu adversário, novamente no palco de grandes tardes de futebol na Velha Albion.

Foi um jogo em que os adeptos tiveram de esperar pelo último quarto de hora para assistir a golos. Mas valeu a pena a espera, porque foram momentos extraordinários, de tanto inesperado quanto de espetáculo.

A equipa do Championship (5.º classificado), que eliminara o Arsenal nos quartos de final, esteve sempre muito arrumada defensivamente (mais relaxada na primeira parte, muito aflita na segunda) e no primeiro remate verdadeiramente perigoso (o segundo enquadrado), Azaz desferiu um remate em arco, fora da área, indefensável para Trafford, guarda-redes titular nas taças.

De repente, a partir daquele minuto 79, os saints personificavam o espírito dos que 50 anos antes ergueram o troféu pela última vez - e o equipamento amarelo era precisamente uma homenagem a essa equipa de 1976.

Mas foi por pouco tempo, já que quatro minutos volvidos, e com alguma sorte, Doku viu o remate relativamente fraco fora da área bater em Bree e trair o guarda-redes adversário.

Guardiola fez um gesto para o campo: ordem para carregar. E aos 87 chegou o momento do jogo: na sequência de várias investidas em série na área do Southampton, Nico González pegou na bola na meia esquerda e percebendo que o adversário lhe deu espaço suficiente, decidiu avançar um par de metros e aplicar um potente remate de pé direito, fora da área, uma exceção à regra de um futebol teimosamente feito de muitos passes e penetrações pela zona central.

O médio espanhol devolveu de certa forma a justiça ao marcador, porque embora o Manchester City não tenha feito um grande jogo (a primeira parte foi mesmo demasiado morna), criou volume de jogo e oportunidades suficientes para vencer (26-4 em remates e 70 por cento de posse de bola).

Depois de ter conquistado a Taça da Liga, vencendo na final o Arsenal por 2-0 e depois de recuperar a liderança da Premier League com os mesmos pontos que os gunners (mas com vantagem, para já, no saldo de golos), Pep Guardiola pode terminar o seu ciclo em Manchester com um treble entre portas. Para já, dá sinais que não existiam noutros tempos: vence mesmo quando não brilha; não treme quando o tempo joga contra; não desanima mesmo em situações de aparente falta de soluções. E desta vez nem foi preciso Haaland.