Pep Guardiola - Foto: IMAGO

Itália deseja Guardiola, ele também tem um sonho

Espanhol tem ligação afetiva ao país e, se sair do Manchester City, o seu futuro poderá passar por reerguer a 'squadra azzurra'

A Itália procura um rumo depois de ter falhado pela terceira vez seguida a presença num Mundial e solução pode estar num homem: Pep Guardiola. A Federação Italiana (FIGC) está a ponderar uma abordagem ambiciosa para o contratar como novo selecionador nacional. A operação é vista como uma forma de revitalizar não só a equipa, mas também o moral de um país desportivo abalado, embora o elevado salário do técnico do Manchester City represente o principal obstáculo.

O maior entrave à contratação é financeiro, apontam os jornais Marca e La Gazetta dello Sport esta sexta-feira. Guardiola, que já foi associado ao Brasil, aufere cerca de 24,8 milhões de euros brutos no Manchester City, um valor incomportável para os padrões da FIGC. A título de comparação, Roberto Mancini, após a conquista do Euro, recebia três milhões de euros líquidos.

No entanto, há um precedente: em 2014, um patrocinador assumiu uma parte significativa do salário de Antonio Conte para viabilizar a sua chegada. Neste contexto, a Puma, marca com a qual Guardiola mantém uma relação próxima, poderia desempenhar um papel crucial. A ideia não seria apenas contratar um selecionador, mas sim construir um projeto em torno de uma figura global capaz de relançar a imagem do futebol italiano.

O próprio Guardiola já manifestou o desejo de orientar uma seleção. Em 2021, em declarações à ESPN, admitiu a sua vontade de participar numa grande competição de seleções. «Gostaria de ter a experiência de viver um Mundial, um Europeu, uma Copa América, o que for. Gostaria de viver uma grande competição de seleções. Não sei quando, dentro de cinco, 10 ou 15 anos, mas gostaria de disputar um Mundial como treinador. Para trabalhar numa seleção, têm de te querer e contratar, como acontece com os clubes. Não sei quem me quer para trabalhar numa seleção», afirmou na altura.

A ligação emocional de Guardiola a Itália, onde jogou no Brescia e na Roma, também alimenta a esperança. O técnico fala italiano e já admitiu a sua admiração pelo futebol do país, tendo em 2018 deixado a porta aberta a um futuro em Itália com um simples «porque não?». Desta vez, o cenário seria diferente, envolvendo a seleção e não um clube.

A ideia de ver Guardiola no comando da seleção italiana ganhou força com as palavras de Leonardo Bonucci, agora ligado ao trabalho federativo. «Eu recomeçaria com Guardiola. É o homem certo para a Itália. Sei que não é simples, mas sonhar não custa nada», declarou, numa altura em que a FIGC procura uma nova direção após a saída de Gattuso.

Apesar de ter mais um ano de contrato com o Manchester City, a imprensa em Espanha e Inglaterra dá como provável a sua saída no final da presente temporada, e os cityzens já terão alinhavado potencial substituto.

Atualmente, o foco de Guardiola está na conquista da sua sétima Premier League em dez anos e na Taça de Inglaterra, onde defronta o Southampton nas meias-finais. Caso vença ambos, alcançará os 42 títulos em 18 anos de carreira, aproximando-se do recorde de 49 troféus de Sir Alex Ferguson.

Caso deixe o City, a opção de treinar uma seleção parece atraí-lo, por implicar menor desgaste diário, explica a Gazzetta dello Sport.

Com outras opções como a Inglaterra (Thomas Tuchel até 2028) e o Brasil (Carlo Ancelotti até 2030) aparentemente fechadas, a Itália espreita uma oportunidade. A FIGC acredita que o afeto de Guardiola pelo país pode ser um fator decisivo, mesmo que a operação seja complexa e dispendiosa. A federação considera que, no mínimo, o contacto é obrigatório.