Chucho comandou a Liberdade do Nacional (crónica)
Este 25 de abril não foi dia de revolução em Tondela, para a equipa da casa, que, cada vez mais, não se consegue libertar da penúltima posição. Ao contrário do Nacional, que deu um passo importante a caminho da liberdade classificativa. Não houve cravos, houve golos, com o suspeito do costume – Chucho Ramírez – a abrir caminho ao triunfo, que deixa os madeirenses com 10 pontos de vantagem sobre os beirões (que têm um jogo em atraso com o Sporting) e com vantagem no confronto direto. E praticamente livre da descida direta.
Gonçalo Feio desenhou o Tondela sem referência ofensiva na área dos madeirenses, privilegiando o assalto à baliza insular com um losango ofensivo com Rony Lopes no vértice mais adiantado. O Nacional sentiu-se confortável e Matheus Dias não teve necessidade de baixar para junto dos centrais, como é costume fazer em momento defensivo e aumentou o seu raio de ação para a frente.
Com as costas protegidas e o adversário controlado, o Nacional soltou-se ofensivamente e foi perigoso. Antes de Chucho abrir a contagem, os madeirenses desperdiçaram pelo avançado venezuelano que atirou por cima à meia-volta, e viram Bernardo Fontes sacudir um cabeceamento de Matheus Dias e a fechar a baliza a Paulinho Bóia, que surgiu em boa posição depois de partir João Silva. As duas primeiras situações surgiram de bola parada, onde o Nacional é forte, e foi dessa forma que construiu o triunfo.
Debaixo de queda de granizo, e depois de Rony Lopes ter atirado ao lado na primeira ocasião do Tondela, Chucho Ramírez deu uma pedrada nas aspirações dos beirões, quando se antecipou a Joe Hodge para desviar um canto de Daniel Júnior na direita e abrir o marcador e pouco depois, agora na sequência de um canto na esquerda, Brayan Medina saltou à frente do avançado Venezuela para afastar a bola, mas acabou por a introduzir na sua baliza, deixando o Nacional ainda mais confortável na partida, apesar da rápida reação dos beirões, mas sem pontaria: van der Heide após o primeiro golo e Juan Rodríguez, depois do segundo.
Para tentar inverter o rumo, o Tondela reentrou com outra atitude mais ofensiva, mas nunca conseguiu desviar os madeirenses do controlo das operações e nunca colocou em risco o triunfo da equipa de Tiago Margarido. Sempre seguros, Kaique não passou por muitos sobressaltos e até foram dos insulares as melhores oportunidades, aproveitando o espaço que se abriu com esse adiantamento territorial dos tondelenses. Paulinho Bóia, por duas vezes, esteve perto do golo e nos descontos Jesús Ramírez, em meia-bicicleta, falhou por pouco.
Tem sido o principal destaque da sua equipa e voltou a estar em grande. Antes de sofrer o primeiro golo evitou que os madeirenses carimbassem mais cedo o marcador, quando aos 9 minutos sacudiu com uma palmada com a mão esquerda um cabeceamento de Matheus Dias, e quando cresceu aos 18’ para Paulinho Bóia para evitar a finalização. Nos golos sofridos nada podia fazer para os evitar.
As notas dos jogadores do Tondela: Bernardo Fontes (6), Bebeto (5), João Silva (5), Brayan Medina (5), Rodrigo Conceição (5), Juan Rodríguez (5), Joe Hodge (5), van der Heide (5), Hugo Félix (5), Moudjatovic (5), Rony Lopes (6), Tiago Manso (5), Makan Aiko (5), Yaya Sithole (5) e Benjamin Kimpioka (-),
E vão 16 golos de Chucho no campeonato! O avançado venezuelano marcou pelo segundo jogo consecutivo e voltou a ser decisivo. E apertou Brayan Medina no 2-0, que marcou na própria baliza. E a tarde até poderia ter sido mais rentável: aos 3 minutos desviou à meia-volta na sequência de canto, com a bola a passar ligeiramente por cima e aos 90+7’ alvejou em meia-bicicleta, também por cima. Atravessa grande momento.
As notas dos jogadores do Nacional: Kaique (6), Alan Nuñez (6), Léo Santos (6), Zé Vitor (6), José Gomes (6), Matheus Dias (6), Filipe Soares (6), Gabriel Veron (-), Daniel Júnior (6), Paulinho Bóia (6), Jesús Ramírez (7), Pablo Ruan (6), André Sousa (-), Joel Silva (-) e João Aurélio (-)
Tiago Margarido, treinador do Nacional
«Exibição muito sólida e madura. Gerimos bem os tempos e os momentos do jogo e chegamos à vantagem e marcamos o segundo golo de forma justa, pois estávamos por cima. Estou bastante satisfeito com os jogadores, com a maturidade competitiva que apresentaram e qualidade mostrada a espaços. Mas fundamentalmente pela união, pelo espírito de guerrilha e de entreajuda. Estão de parabéns. Acredito que com estes três pontos fugimos da despromoção direta.»
Gonçalo Feio, treinador do Tondela
«A tensão no final com os adeptos é normal, esta gente quer muito o clube e está frustrada, como todos nós. Sabíamos que era um jogo importante e é compreensível. Veio jogar uma equipa que sabia que dois resultados eram bons para ela e só um para nós. Tínhamos de assumir e ir pelo resultado e sem correr riscos, sem jogar bolas longas e não fomos suficiente bons nas segundas bolas na 1.ª parte. Quando estivemos em campo contrário estivemos bem e em geral, na minha opinião, foi o nosso melhor jogo com bola, criámos suficiente para o resultado ser diferente. Um golo mudava muita coisa.»