Protagonista da festa foi o surpreendente Albacete - Foto: EPA
Protagonista da festa foi o surpreendente Albacete - Foto: EPA

Choque em Espanha: na estreia de Arbeloa, Real é eliminado da Taça pelo Albacete aos 90+4'

Equipa da LaLiga 2 deitou por terra o todo-poderoso da capital no primeiro jogo pós-Xabi Alonso

Espanha está em choque: dias depois de perder a final da Supertaça espanhola (2-3) com o Barcelona, o Real Madrid foi, esta quarta-feira, humilhado em casa do Albacete, 17.º classificado da LaLiga 2, e saiu de cena da Taça do Rei de Espanha, naquele que foi o primeiro jogo de Álvaro Arbeloa após a saída de Xabi Alonso do comando dos merengues. O conjunto do segundo escalão venceu por 3-2, com o golo decisivo a ser apontado num dos últimos lances do jogo.

Havia muita espectativa por ver em ação ao Real Madrid  do novo técnico que, com apenas um treino por ele dirigido, poucas coisas podia mudar na forma de jogar da equipa, o que sim fez  foi deixar em casa a alguns dos habituais titulares como Courtois, Rudiger, Carreras, Tshouaméni, Bellingham e Rodrygo e convocar a vários dos jovens jogadores que conhece bem ao pertencerem ao plantel do Castilha de que era o técnico, decisão arriscada que acabou por pagar caro.

Com apenas um treino por ele dirigido, poucas coisas novas se podiam ver na forma de jogar da equipa que, na primeira parte, sim teve muita posse da bola, exerceu um grande domínio, mas sem criar situações de verdadeiro perigo, tudo igual ou pelo menos muito parecido ao que se viu nos tempos de Xabi Alonso.

O Albacete, que ocupa a 17ª posição do campeonato da segunda divisão e apenas a um ponto da zona de descida, soube organizar-se muito bem na defesa, fechar os espaços e, sem nunca perder a ordem, partir para o contra-ataque à procura de surpreender a retaguarda da turma madrilena, o que viria a conseguir quando já se estava chegando ao intervalo, à saída de um canto mal defendido por Mastatuondo, Villar saltou mais alto e, de cabeça, bateu a Lunin.

A surpresa não podia ter sido maior, mas ficou algo amortizada com o tento do empate do Real na última jogada antes do intervalo, Huijsen obrigou o guarda redes local a uma grande defesa e, na recarga, o argentino emendou o seu erro anterior mandando o esférico para o fundo da baliza.

Na segunda parte o Albacete continuou a dar a cara sem se intimidar com o grande nome do adversário, manteve a mesma disciplina tática e, com o tempo, foi ganhando confiança acreditando que poderia lograr algo histórico, nos últimos minutos fez sofrer ao Real, Lunin teve uma grande intervenção que evitou o tento mas não pôde evitar o segundo golo, mau alivio da defesa madrilena e remate potente de Jeftét que o guardião ucraniano não logrou deter.

Ameaçado pela tragédia, o Real Madrid procurou com mais coração que cabeça chegar à igualdade o que viria a conseguir com um golo de Gonzalo de cabeça, à saída dum canto. Parecia que ir para o prolongamento era inevitável, mas a ele não se chegou já que, numa das últimas jogadas da partida, a bola chegou a Jeftét que bisou apontando o golo que dava ao Albacete o triunfo por 3-2 e deixava o Real Madrid fora da prova, uma verdadeira tragédia igual à que, nos tempos de Pellegrini como treinador, foi eliminado pelo modesto Alcorcón.

A imagem da equipa foi péssima, a de Xabi Alonso melhorou e muito ao ficar demonstrado que o problema do Real não se resume ao treinador - aos jogadores faltou muita coisa para evitar o desastre de, em poucos dias, a equipa ter perdido duas competições - a Supertaça frente ao Barcelona e a derrota com o Albacete que envergonha o clube e os adeptos. Arbeloa não podia ter tido pior começo e ele próprio assumiu ser ele o grande responsável pelo sucedido.