Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: Catarina Morais/Kapta+

Farioli: «Não transformámos ocasiões em golos, senão, iríamos ver montes de 'reels' no Instagram»

Uma vitória 'à Mourinho' sobre o rival? Italiano não esconde admiração pelo técnico, mas incide a sua análise nas oportunidades desperdiçadas. Elogios ao sacrifício de Martim Fernandes, à qualidade dos polacos e... de Pablo Rosario. Samu a evoluir, às vezes faz lembrar Totti!

Como analisa a exibição do FC Porto e o papel coletivo da equipa nesta vitória? 

— Disse tudo. Esta ideia de estarmos sempre juntos esteve em campo. Tivemos cinco ou seis ações em que criámos oportunidades para marcar. Não capitalizamos tanto como podíamos. Na segunda parte também tivemos boas oportunidades, mas houve momentos em que tivemos de sofrer contra uma grande equipa e um grande treinador. Mas estamos juntos e julgo que a família portista teve todos os ingredientes neste jogo.  

— A estreia do Thiago Silva foi muito sólida, como se ele sempre tivesse jogado neste FC Porto... 

— Quando se tem jogadores deste nível, com esta liderança e qualidade que ele apresenta, que é o que queremos ver em campo, normalmente não demora muito tempo para criar uma ligação à equipa. É um grande profissional, com carisma, e a sua exibição foi formidável. Vê-lo em ação assim, com tão poucos dias de trabalho, foi fantástico.  

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— Vamos esperar se é muscular ou não, tem de ser avaliado. 

Martim Fernandes saiu do jogo com o nariz partido, mas ainda aguentou em campo. É este o espírito que pede?

— Sim, e não é a primeira vez que alguém do FC Porto joga com algo partido. Ouvi dizer que alguém antes já jogou com um pé partido ou outra parte do corpo que não estava muito bem. O Martim jogou cerca de 70 minutos com o nariz partido, mas, à parte disso, acho que fez um jogo com grande qualidade, muito confiante com bola e fico muito feliz com isso. Vamos ver como fica o nariz, mas faz parte do futebol e certamente ele recuperará rápido.

— O FC Porto entrou com muita intensidade. O estágio no Algarve ajudou a retemperar a equipa?

— Na última conferência, disse que foi uma semana especial pela qualidade do trabalho. Tivemos sessões com muito intensidade e compromisso, levamos as famílias connosco e isso criou uma atmosfera especial e o desejo de estaremos juntos nos objetivos. O maior aporte do estágio do Algarve foi esse, o desejo, compromisso e a energia, tudo isso viu-se neste jogo e foi fantástico. Ver os cortes serem celebrados como se fosse um golo, isso diz muito sobre o espírito da equipa e a ligação com os adeptos, toda a atmosfera que o estádio criou após o jogo foi fantástica. Mas agora temos de preparar o jogo com o V. Guimarães.

— O FC Porto voltou a não sofrer golos. É a melhor defesa da atualidade, na sua opinião?

— Sim, mas temos de manter este registo no jogo da Liga. O Vitória eliminou-nos da Taça da Liga e temos de ir muito bem preparados para a partida, com a mentalidade certa.

— O equilíbrio que o FC Porto conseguiu alcançar deixou-o tranquilo, dado que, com certeza, pedia um segundo golo?

— Queríamos fechar o jogo e podíamos ter marcado. Infelizmente, não conseguimos fechar a partida e isso deixou o resultado no ar assim até ao fim. Os jogadores geriram bem a partida e, na minha opinião, esse é um os grandes atributos desta equipa.

— O FC Porto ganhou o jogo com rigor tático defensivo, eficácia e capacidade de sofrimento. Acha que ganhou à Mourinho?

— Já disse várias vezes que Mourinho foi uma referência, não só pelo trabalho defensivo, mas por coisas diferentes. Ele mudou o futebol, não só por ganhar, mas pela sua metodologia e abordagem, muitas coisas que a minha geração de treinadores aprendeu com ele. Ganhámos com todos esses elementos, mas jogámos um futebol muito bom e tivemos cinco ou seis ações que convido a rever, porque vieram de muito trabalho e qualidade para os jogadores se ligarem em grandes ações. Infelizmente, não transformámos em golos, senão, iríamos vê-las em montes de 'reels' no Instagram.

— Perguntava-lhe sobre a adaptação do Bednarek e Kiwior e, já agora, também promoveu a estreia de Oskar Pietuszewski no banco. O que têm os polacos de especial? 

— São dois grandes jogadores, muito motivados para estarem no FC Porto. O acordo com Bednarek e, depois, com o agente foi rápido, e o Kiwior estava entusiasmado para vir para o FC Porto. Falei com ele, recusou vários clubes para estar connosco. Eles agora são os irmãos mais velhos do Oskar [Pietuszewski], porque o nível aqui é elevado e há trabalho para fazer, apesar dos primeiros dias dele terem sido positivos. Estamos aqui para o preparar.  

— O Kiwior jogou a lateral-esquerdo. Ficou surpreendido por tudo o que deu à equipa? 

— O Kiwior é um grande jogador. Não há muito mais a dizer. Depois do Santa Clara perguntei-lhe se estava aberto à ideia de jogar naquele lugar e ele disse-me logo que sim, que jogaria. Fisicamente e taticamente, é um jogador notável. Veremos se no próximo jogo jogará na sua posição original ou a lateral.  

— O Pablo Rosario está na melhor fase da carreira? 

— Não sei se está na melhor fase, o Pablo é um jogador de equipa que demasiadas vezes foi subestimado, mas é um jogador que qualquer treinador fica feliz por ter. É fantástico. Ajudou-nos muito neste jogo em duas posições, mas deixo uma palavra ao Alan Varela, que nos permitiu manter grande intensidade em campo. 

— O jogo associativo do Samu evoluiu bastante. Que tipo de trabalho tem sido feito?

— A evolução do Samu tem sido notável. No início da época, muitas vezes vi ou ouvi comentários sobre ele não ser um jogador para o nosso estilo de jogo e sempre disse que adorava ter um jogador como ele, que tem tudo. É jovem, tem coisas a melhorar e deixem-me brincar, porque com a sua melhoria no primeiro toque, tenho-lhe chamado Francesco Totti, porque ele tem feito passes que me fazem lembrar uma lenda italiana que fazia esse tipo de passes. Ele é um '9', mas tem capacidade para desenvolver essas 'skills' que o tornam num perfil único e melhorou imenso, mas, acima de tudo, todo o crédito é dele pela sua abertura em aprender e trabalhar em coisas pequenas. Já disse que ele, mesmo fazendo um trabalho de sub-13 ou sub-14, está sempre lá nos treinos e depois dos treinos e é fantástico o trabalho que tem feito. Tem coisas a melhorar, mas está no caminho certo para se tornar num dos cinco melhores avançados do mundo.