«Casinha do terror»: Julio Iglesias acusado de agressão sexual
Uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta, que trabalharam para o cantor espanhol em 2021, denunciam um ambiente de controlo, assédio e terror nas mansões na República Dominicana e nas Bahamas de Julio Iglesias. A denúncia surge de uma investigação exclusiva do elDiario.es em colaboração com a Univision Noticias.
Duas mulheres acusam o espanhol - que chegou a ser guarda-redes da equipa B do Real Madrid - de as ter agredido sexualmente enquanto trabalhavam em regime interno nas suas residências nas Caraíbas. Uma empregada doméstica relata ter sido pressionada para manter encontros sexuais com o cantor, descrevendo penetrações, bofetadas e humilhações físicas e verbais. Juntamente com uma colega fisioterapeuta, afirma que, para além de toques indesejados, sofriam insultos e humilhações constantes durante o horário de trabalho, num clima de controlo e assédio permanentes. Os factos, segundo as entrevistadas, terão ocorrido em 2021, quando a mais nova tinha 22 anos.
🔴Un vídeo que retrata a Julio Iglesias.
— Almudena Ariza (@almuariza) January 14, 2026
Una entrevista de 2004 entre Julio Iglesias y Susana Giménez ha vuelto a circular tras la denuncia de dos
ex-empleadas del cantante. En las imágenes, la presentadora se muestra visiblemente incómoda y se ve obligada a marcar límites en… pic.twitter.com/Ae62YZOjXC
Rebeca, que usou um nome fictício para proteger a identidade, revelou que o artista espanhol, então com 77 anos, a mandava chamar ao seu quarto frequentemente no final do dia de trabalho e era nessa altura que «a penetrava com os dedos, anal e vaginal», sem o seu consentimento.
«Usava-me quase todas as noites», confessou numa entrevista ao elDiario.es e à Univision Noticias. «Sentia-me como um objeto, como uma escrava», disse. Estes encontros sexuais ocorriam quase sempre com a presença e participação de outra funcionária, que ocupava uma posição hierárquica superior à sua.
Laura — também nome fictício —, assegura que Julio Iglesias a beijou na boca e lhe tocou nos seios contra a sua vontade. «Estávamos na praia e ele aproximava-se e tocava-me nos mamilos», contou a ex-funcionária, que descreve um episódio semelhante na piscina da mansão do cantor em Punta Cana, um luxuoso complexo na República Dominicana.
JULIO IGLESIAS INVESTIGADO POR GRAVÍSIMOS CRÍMENES SEXUALES: TOCAMIENTOS Y HASTA PENETRACIÓN NO CONSENTIDOShttps://t.co/kujEjOL281 pic.twitter.com/DOfJQJh49p
— Cronicas del Este (@CronicasDelEste) January 13, 2026
«O Julio é uma pessoa muito controladora», diz. «Ameaça despedir-te e recorda-te constantemente que trabalhar para ele é a melhor coisa que te aconteceu na vida. Vive a lembrar-te quais são as regras, o que podes e não podes fazer», acrescenta.
Um controlo que, segundo a antiga funcionária, é quase doentio. «Vigiava a quantidade de comida que tinhamos no prato, perguntava quando vinha a menstruação», recorda. Rebeca acrescentou que, no seu caso, exigia ver o seu telemóvel a qualquer momento. «Eu não deixava nada visível porque sabia que ele ver e arquivava sempre as conversas ou ocultava as fotos, pois era proibido tirar fotografias na vivenda», esclarece.
Para trabajar en las casas de Julio iglesias, a las mujeres les pedían fotografías de cara y cuerpo entero
— elDiario.es (@eldiarioes) January 13, 2026
Según las conversaciones de WhatsApp a las que ha accedido https://t.co/xBXCYwspmk, se pactaba la contratación sin entrevista personal https://t.co/4xLx4KrmgM pic.twitter.com/RTT2pnI7bh
Laura recorda a «casa de sonho» rapidamente se tornou num castelo de horrores. «Discussões quase diárias, irritação se algo não fosse feito ao seu gosto». Para Rebeca, «aquela casa devia chamar-se a casinha do terror, porque é um drama, uma coisa horrível».
O elDiario.es escreve que os seus jornalistas tentaram contactar Julio Iglesias e o seu advogado, mas não obtiveram resposta às perguntas enviadas por email, mensagens telefónicas e cartas entregues nas suas residências.
O recrutamento começava com anúncios nas redes sociais, oferecendo trabalho doméstico com alojamento incluído, dirigido a mulheres jovens. «25 a 35 anos, o trabalho é com dormida, benefícios: 25.000 pesos» - cerca de 350 euros . A encarregada de gerir a contratação pedia fotografias de rosto e de corpo inteiro e antes de serem contratadas, as futuras funcionárias eram sujeitas a exames ginecológicos e testes de doenças sexualmente transmissíveis.
🎙Su nombre es la encarnación de la fama española internacional. Sus canciones, himnos al amor. Su apetito sexual, un mito incuestionado. Su casa, un régimen de terror
— elDiario.es (@eldiarioes) January 13, 2026
En Un tema Al Día, La casa de Julio Iglesias (I): el terror https://t.co/gqWZnfnPGq 🗣️@juanlusanchez y @elenac pic.twitter.com/9n3dUdVQMR
Duas mulheres que denunciaram agressões sexuais foram entrevistadas repetidamente ao longo de mais de um ano, apresentando testemunhos consistentes e estáveis. As suas declarações foram corroboradas por um vasto conjunto de provas documentais, incluindo fotografias, registos de chamadas, mensagens de WhatsApp, vistos, relatórios médicos e outros documentos.