Do Bonfim ao Lagameças: o caminho da felicidade de Ayrton Lima
Ayrton Lima, luso-angolano de 31 anos, vive um dos melhores momentos da carreira. Ainda vamos em janeiro, mas o avançado do GD Lagameças já alcançou os melhores registos estatísticos de sempre no que diz respeito à arte de fazer golos. Totaliza 26 e já ultrapassou a melhor marca pessoal, os 23 golos que fizeram no Pinhalnovense em 2022/23.
Tudo fruto de um início de época que dificilmente esquecerá: «É reflexo do trabalho feito nos treinos, com muito esforço, não só no clube, mas também no trabalho individual, pois acredito que apenas os treinos no clube não são suficientes. Os treinos são focados no grupo e não tanto nas valências individuais. Os golos acabam por refletir muito o trabalho», afiança.
A relação do avançado com o futebol é especial. «É paixão que temos desde pequenos, desde o primeiro toque na bola, desde o primeiro jogo com o meu pai, isso cria um amor especial pelo futebol», conta o avançado, que não consegue imaginar a vida sem o futebol.
«Não sendo profissional, tenho sempre de conciliar o trabalho com o futebol, porque não consigo estar sem jogar. Faz-me muita falta», confessa. Houve período em que o avançado deixou de jogar, mas rapidamente percebeu que não conseguia.
«Deixei o futebol durante alguns meses e logo percebi que não dava, tive de voltar. É um momento em que só pensamos no jogo, que nos distrai a cabeça», explica, considerando «muito duro» o período em que esteve fora das quatro linhas.
«Tive de parar por motivos profissionais e até pensei que já não iria voltar a jogar, mas não consegui. Tive muita saudade e percebi que tenho de jogar enquanto puder, enquanto tiver capacidade», justifica. E capacidade não lhe falta, como traduzem os 26 golos que assinou em 2025/26, depois dos 23 conseguidos no Pinhalnovense há três épocas.
«Quero atingir um patamar alto; posso ser ambicioso e o meu objetivo é chegar pelo menos aos 40 golos», aponta.
Cada ponta de lança tem características diferentes e Ayrton não foge à regra: tem a sua própria identidade. «O jogo aéreo é o meu ponto forte. Bola bem cruzada para mim é quase 90% golo. Tenho um rácio muito alto de conversão em cruzamentos, pelo meu impulso e tempo de salto. Consigo segurar a bola e usar o corpo, além das desmarcações», assegura.
Ao falar sobre as influências que moldaram o estilo e a forma de estar em campo, há três avançados que sempre o inspiraram: «Tenho várias referências, o Lewandowski, que é dos que mais admiro; o Ronaldo fenômeno, que todos respeitam; e o Cristiano Ronaldo. Inspiro-me muito nesses três.»
Em relação às razões que o levam a fazer época tão produtiva, apontou algumas: «Desde a primeira conversa com o treinador [Carlos Neves] senti confiança total. Isso motiva-me a querer mais em todos os jogos: superar, marcar e ajudar a equipa. Isso fez toda a diferença.» Apesar de a época passada, no Vitória de Setúbal, ter sido produtiva em termos coletivos, individualmente não foi bem assim.
«Vinha de um período a marcar em quase todos os jogos e houve um momento em que deixei de ser utilizado por opção do treinador, e isso afeta muito um ponta-de-lança», relata. No que diz respeito a épocas menos positivas, recorda a de 2021/22, no Palmelense e no Botafogo Cabanas: «Quando joguei no Palmelense, as coisas até começaram a correr bem, mas depois senti falta de confiança e deixei de me sentir bem no grupo. Pensei que ia ser de uma maneira e acabou por ser outra.» Com a camisola do Botafogo, porém, as coisas foram diferentes. «Subimos de divisão. Foi uma boa troca: um novo treinador, outro balneário e outra visão», recorda. Anos volvidos, a subida volta a estar em ponto de mira.
«Os objetivos [no GD Lagameças] são claros. Primeiro, subir de divisão; depois, ser campeão. Mas o objetivo é mesmo subir. Na Taça da AF Setúbal, podemos esperar um Lagameças que vai lutar com tudo, com todas as armas, para chegar o mais longe possível. Quem sabe até sermos campeões? A bola é redonda.»
«Adorei jogar no Vitória de Setúbal, os adeptos são incríveis»
Na época passada, Ayrton jogou no Vitória de Setúbal e conquistou a II Divisão Distrital pelos sadinos. «Jogar no Vitória é um sonho tornado realidade, uma experiência completamente diferente de tudo o que tinha vivido», começou por explicar, impactado pelas «condições profissionais» que encontrou na turma do Sado. «Adorei jogar no Bonfim; muitos não têm essa oportunidade e eu tive, todos os dias», recorda, orgulhoso, deixando muitos elogios aos adeptos: «São incríveis. Levo muitos comigo até hoje; ainda falamos diariamente.»
Os elogios ao clube sadino foram imensos: «O Vitória de Setúbal é um clube diferente, é um clube à parte, independentemente da divisão. Só quem está lá sabe o que é viver aquele balneário, aquele clube. É maravilhoso», afirmou. Mas nem tudo foi fácil para Ayrton Lima no Bonfim «Quando comecei no Vitória, vinha de um período bom, a marcar em quase todos os jogos. Mas houve um momento em que deixei de ser tão utilizado, por opção do treinador, e isso afeta muito um ponta de lança», justificou.
Mas nem tudo foi fácil para Ayrton Lima no Bonfim «Quando comecei no Vitória, vinha de um período bom, a marcar em quase todos os jogos. Mas houve um momento em que deixei de ser tão utilizado, por opção do treinador, e isso afeta muito um ponta de lança», justificou.