Evangelos Marinakis, grego de 58 anos, é o proprietário do Rio Ave
Evangelos Marinakis, grego de 58 anos, é o proprietário do Rio Ave - Foto: IMAGO

Investimento no Futebol

Dire(i)to ao Desporto é o espaço de opinião de Marta Vieira da Cruz, jurista

Nos últimos anos, o futebol português tem atraído um crescente interesse de investidores nacionais e internacionais, motivados pelo potencial desportivo e financeiro do setor. A entrada de novos capitais pode trazer inúmeras vantagens, como a modernização das infraestruturas, o aumento da competitividade e uma maior projeção internacional. No entanto, a ausência de mecanismos eficazes de controlo sobre a origem dos fundos e a idoneidade dos investidores cria um risco significativo para a estabilidade financeira e reputação do futebol português.

Casos de má gestão e utilização do futebol como veículo para práticas ilícitas, como o branqueamento de capitais, têm surgido noutros países e não devem ser desconsiderados no contexto nacional. A multiplicação de fundos de investimento e a aquisição de participações em SAD, por vezes com estruturas financeiras opacas, exige um controlo maior. Neste sentido, é fundamental reforçar as ferramentas de supervisão por parte das federações e autoridades públicas.

Apesar da importância do investimento no desenvolvimento do desporto, tal deve ser feito com critérios de ética, legalidade e transparência. Proteger o futebol português requer um equilíbrio entre a captação de capital e a salvaguarda da sua integridade desportiva e financeira. Apenas com uma regulação adequada será possível assegurar que o futebol nacional continue a crescer de forma sustentável, mantendo-se fiel aos seus valores e à confiança dos adeptos.