Um grande duelo na Taça
Hoje, a norte, acontece mais um duelo histórico, sempre rodeado de nova expectativa, agora em eliminatória da Taça de Portugal. O momento é delicado para o Benfica, resultante da derrota em Leiria para a Taça da Liga. Não é tanto a importância do troféu que não se ganha, mas perder, seja o que for, representa sempre um abalo na dinâmica que a equipa vinha mostrando, ainda mais com os compromissos complicados que se avizinham.
O Benfica procura reagir ao momento, de forma a contrariar a tendência eficaz que o FC Porto vinha impondo até ao virar do ano. A Taça de Portugal já foge há demasiado tempo, sendo, pela proximidade, o grande objetivo.
A dúvida principal da equipa, e que gera alguma preocupação, prende-se com o estado físico de António Silva. O centro da defesa é, em qualquer equipa, o suporte principal da sua estabilidade, daí que seja esta a questão mais sensível, na aproximação a um jogo pouco aconselhável a estreias. Caso António Silva não esteja apto, como diz o povo, o que não tem remédio remediado está...O potencial substituto, Gonçalo Oliveira, tem dado garantias de uma boa resposta, mesmo evoluindo num contexto diferente.
Central poderoso e esquerdino, algo que tem sido raro ter na zona central da defesa do Benfica. Para além disso, Gonçalo vive já a responsabilidade de capitanear a sua equipa, um bom sinal da sua personalidade, bem necessária caso avance para o onze como solução de emergência. Outra opção poderia ser Manu Silva no centro da defesa, que já seria uma adaptação, mas que poderá não fazer sentido estando Barrenechea indisponível.
Minho forte
A última Taça da Liga foi decidida por uma final inédita. SC Braga e Vitória chegavam ao dia de honra como inesperados heróis das meias-finais. Esta competição significa um prémio mais relevante para quem, como as duas equipas finalistas, não consegue ter aspirações ao título. O SC Braga acabaria por sofrer a derrota que mais dói, frente ao eterno rival minhoto.
O jovem senegalês Ndoye foi o herói inesperado da conquista vimaranense, como avançado mais decisivo, mesmo saindo do banco em ambos os jogos. É um elemento que promete, com uma boa estrutura e poder aéreo importante. Veremos o que poderá fazer daqui para a frente. Subirá ao onze ou continuará como arma secreta?
Do lado bracarense, Zalazar esteve em grande nível, mas no melhor e no pior. O melhor, na vitória sobre o Benfica, mas que passou a pior, como réu três dias depois, pelo penálti falhado no jogo decisivo. Porém, a infelicidade final não lhe tira a distinção, para mim, do jogador de melhor rendimento em Leiria.
BP mais
A bola parada assume cada vez mais importância na preparação e decisão dos jogos. Na liga inglesa, o Arsenal tem sido quem mais dá nas vistas e mais proveito tem tirado. Algo importante lembrar, para aqueles que possam desvalorizar o fenómeno, é que para se conquistar bolas paradas tem de se ser dominador, agressivo e profundo no ataque, ou as tais situações de bola parada não aconteceriam. O último exemplo da realidade arsenalista foi confirmado na mais recente vitória em que todos os quatro golos foram conseguidos sem ser em futebol corrido. Inédito?
Não contentes com isso, os responsáveis do clube anunciaram recentemente a contratação de mais um especialista, este de lançamentos da linha lateral. Pelo que temos visto, um dos problemas que uma defesa atualmente enfrenta, particularmente o seu guarda-redes, é a aglomeração e a proximidade muitas vezes faltosa dos adversários, que impede o livre movimento do defensor da baliza. É verdade que se deve beneficiar o atacante, mas a legalidade de certas obstruções é muito duvidosa.
Apito
Para além de outros acertos, as diferenças que o VAR trouxe merecem urgentemente uma atualização criteriosa. É a opinião de alguns treinadores e árbitros históricos do futebol mundial e eu só posso concordar.
Em termos de claro benefício, só na avaliação mecânica do fora de jogo e na confirmação da existência de toque nas quedas na área. O atual critério da bola na mão vinda de ressalto é absurdo e contraria o movimento normal do defesa, quer na impulsão, quer na posição defensiva básica da qual os braços fazem parte. Entretanto, os penáltis multiplicam-se e decidem jogos.
Guardar segredo
O futebol como desporto de contacto e de grande exigência física caminha a par da gestão das lesões que vão invariavelmente afetando as equipas.
Recuando outra vez no tempo, lembro um episódio que nunca tornei público. Uma das situações de dúvida, relativamente a lesões pelas quais passei, nos longínquos anos oitenta, aconteceu na véspera do jogo contra o Steaua de Bucareste, na Luz, que haveria de dar o regresso à muito desejada final da Taça dos Campeões Europeus. Em Bucareste, tinha sofrido um forte traumatismo na zona lombar que me tinha limitado muito. Em Lisboa, fui radiografado e foram detetadas duas pequenas fraturas na zona atingida.
Todo este tempo passado, recordo que se considerou a hipótese de eu não ser informado do relatório, para não correr o risco de me afetar, tal a importância do jogo.
Honestamente, não estou seguro se cheguei ou não a saber do que se passava, antes do jogo acontecer. Todos estes anos passados, tendo em conta o desfecho especialmente feliz dessa jornada europeia, valeu a pena o risco, na noite mais marcante da minha carreira.