Chelsea 'enterrado' em esquemas milionários: um historial de irregularidades
O Chelsea foi recentemente alvo da maior multa da história da Premier League - 11,6 milhões de euros - devido a irregularidades financeiras cometidas durante a era de Roman Abramovich. A sanção surge no seguimento de vários problemas do clube londrino com a justiça desportiva, que já tinham motivado castigos anteriores da FIFA e da UEFA.
A investigação da liga inglesa concluiu que, entre 2011 e 2018, o clube realizou pagamentos secretos através de paraísos fiscais a jogadores e agentes, valores que nunca foram declarados nas contas oficiais. Segundo o comunicado da Premier League, tratou-se de «pagamentos não declarados por parte de terceiros vinculados ao clube a jogadores, agentes não registados e outros terceiros». No total, estes montantes ultrapassaram os 55 milhões de euros e, de acordo com a entidade, «foram realizados em benefício do Chelsea e deveriam ter sido considerados como efetuados pelo clube».
Um dos casos mais mediáticos envolve o agente de Eden Hazard, que terá recebido cerca de sete milhões de euros para assegurar a transferência do jogador para Stamford Bridge, afastando o interesse do Manchester United.
Além da multa, o Chelsea foi sancionado com a proibição de contratar jogadores para a equipa principal durante um ano - pena que, contudo, fica suspensa por um período de dois anos. O clube está também impedido de inscrever jogadores para a academia durante nove meses, na sequência de infrações cometidas por um antigo funcionário entre 2019 e 2022 relacionadas com as regras de desenvolvimento juvenil.
Apesar da gravidade das irregularidades, os blues evitaram sanções desportivas mais pesadas, como a dedução de pontos. Para isso contribuiu a postura da atual administração, a BlueCo, que denunciou «de forma voluntária e proativa» as infrações históricas. Foi ainda considerado que, embora elevados, os pagamentos não declarados não terão colocado o clube em incumprimento das regras de fair play financeiro da Premier League.
Este não é, de resto, um caso isolado no historial recente do Chelsea. Em fevereiro de 2019, a FIFA já tinha aplicado uma proibição de contratações durante duas janelas de mercado devido a irregularidades no registo de jogadores menores. Mais tarde, em 2023, a UEFA impôs uma multa de 10 milhões de euros, na sequência de um «acordo transacional» resultante da mesma denúncia feita pela BlueCo em 2022.
Atualmente, a Federação Inglesa (FA) mantém um processo disciplinar em curso por situações semelhantes, que poderá resultar numa nova sanção próxima dos 12 milhões de euros. Em paralelo, o clube recorreu a uma solução contabilística para apresentar lucros em 2024, ao transformar a equipa feminina num negócio independente - operação que gerou receitas superiores a 231 milhões de euros e evitou perdas ainda mais significativas.
Ainda assim, as contas revelam um cenário preocupante: um défice de 407 milhões de euros, o maior da história do clube e do futebol inglês antes de impostos, segundo o relatório European Club Finance and Investment Landscape, divulgado em fevereiro. A nível europeu, este prejuízo só é superado pelo do Barcelona na época 2020/21, quando os catalães registaram perdas de 555 milhões de euros.
A fragilidade financeira contrasta com a imagem de estabilidade que o Chelsea tentou projetar recentemente. Recorde-se que a UEFA não permitiu ao clube contabilizar receitas provenientes da venda da equipa feminina ou de hotéis a empresas associadas, chegando mesmo a existir o risco de exclusão das competições europeias em caso de reincidência.
Este contexto reflete os elevados investimentos feitos nos últimos anos, sobretudo após a saída de Roman Abramovich e a entrada de Todd Boehly. Desde o verão de 2022 até ao mercado de inverno de 2026, o Chelsea já gastou cerca de 1,762 milhões de euros em contratações.
Só na temporada 2022/23, o clube de Stamford Bridge bateu todos os recordes ao investir 630 milhões de euros. Caso esta política se mantenha, não está afastado o cenário de novas sanções no futuro...